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365 dias de danças... Uma Dança por Dia! Esse projeto é um trabalho coletivo coordenado por Christine Roll, Denis Gerson Simões e Helder John, com publicação diária de narrativas ligadas às danças típicas.
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Continuação...

26.10.2023 - Tiroler Figurentanz

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26.10.2023 - Quantas figuras tem a “Tiroler Figurentanz”?
Ela é longa! Segundo Karl Horak, em seu conhecido “Tiroler Volkstanzbuch”, a “Figurentanz” tem 22 figuras. Para uma dança típica, isso realmente é muito. A “Agattanz”, que é extensa, tem 15. Uma coreografia repleta de detalhes e informações. Mas ela é uma legítima Volkstanz austríaca? 
O nome “Figurentanz” representa simplesmente uma dança de figuras. Em vários manuais há referências a esse tipo de coreografia. Na Áustria são muito populares, como nas Ländler, com suas distintas partes, onde os pares se entrelaçam. A “Tiroler Figurentanz” ficou assim conhecida para diferenciar-se das demais. Ela também é chamada de “Tiroler Figurenlandler”, ou “Figurentanz aus dem Unterinntal”, destacando que ela é do Baixo Vale do Rio Inn.
Sua estrutura traz uma típica dança de cortejo. Apresenta praticamente um álbum das figuras tradicionais da Áustria, iniciando com a simples posição cruzada - Kreuzfassung -, passando pelas distintas formas de compor janelas, agregando giros complexos e, inclusive, mostrando dois sapateados - “Schuhplattler”. Dependendo do grupo que a executa pode ocorrer de alguma parte ser acrescida ou retirada.
Na maior parte das fontes não há dados sobre os autores, contudo Waltraud Froihofer atribui ela a Hermann Jülg, em um movimento de criação de novas danças austríacas. Provavelmente seria uma colagem de várias coreografias. Horak apresenta a data de 1942 como ano em que a “Tiroler Figurentanz” foi mostrada em um evento de danças em Thaur bei Innsbruck, com formas semelhantes encontradas em Mils bei Solbad Hall e Tulfes.
Essa “Figurentanz” é mais um exemplo de manifestação que busca agregar elementos tradicionais à identidade regional, sendo vista como legítima por quem a interpreta. Um verdadeiro passeio pelas figuras austríacas, se diferenciando das outras danças regionais por ser extensa. Se fosse comparada ao ato de cortejar, seria como um pedido de namoro de longos anos…
Quer saber mais?
https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/FoPbS4r6UXQ . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

25.10.2023 - Tantoli

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25.10.2023 - “Tantoli” é uma parente da Tarantela?

Apesar de o nome “Tantoli” lembrar um pouco a Tarantela ou parecer ser de algum país de língua latina, sua origem não tem nenhuma relação com essa suposição.

Embora ela seja encontrada em suas variações em diversos países como Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia e regiões de língua sueca na Estônia, a maior parte dos registros apontam que sua origem seja o centro da Suécia.

Uma das publicações mais antigas em que consta essa dança é o “Lekstugan”, do final do século XIX, com danças típicas, organizado pela associação de grupos de danças suecas. Posteriormente, ela chegou até a ser publicada em coleções de danças na Alemanha, se popularizando entre os alemães.

Essa sequência de variações do xote, é acompanhada frequentemente de cantos, como por exemplo, esta letra registrada na região de Västmanland, cuja tradução é mais ou menos assim:

“Eu e minha garota íamos dançar polca,

Mas quando chegamos, eles estavam dançando Tantoli.

Minha menina, ela sabia dançar; mas eu, infelizmente, não sabia,

Portanto, era melhor deixarmos assim!”

Apesar de a presença humana na região de Västmanland ser muito antiga, não é possível definir quão antiga é a “Tantoli”. De qualquer forma, sabe-se que ela faz parte do patrimônio histórico-cultural da região

Västmanland oferece experiências inesquecíveis para fãs da cultura e amantes da natureza. A sua paisagem variada inclui as florestas profundas de Bergslagen e o idílico vale Mälar. O próprio lago Mälaren é repleto de baías tranquilas e fotogênicas e ilhas desertas.

Cerca de 20.000 descobertas arqueológicas de diferentes épocas provam que Västmanland é de grande importância histórica. Qualquer pessoa interessada na história nórdica deve visitar o cemitério de Anundshög, cujas peças possibilitam um excelente retrato da região desde a Idade do Ferro até o período Wiking.

Às vezes, é nas danças mais simples que encontramos histórias extraordinárias.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/gLcDVYxDRqk . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

24.10.2023 - Deeper Fischertanz

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24.10.2023 - A "Deeper Fischertanz" é de qual vilarejo pomerano?

Ora, ela é do vilarejo de Deep! Mas é o “Kolberger Deep” ou o “Treptower Deep”? Ah, é aquele que é uma aldeia de pescadores. Ora, os dois são aldeias de pescadores. Então, é aquele onde fica a foz do rio Rega. Mas em ambos vilarejos encontra-se uma foz desse rio! E agora?

Vamos ver o que o pesquisador pomerano Willi Schultz nos conta sobre a dança:

“É solstício de verão e os camponeses de Gribow, no Ostsee, comemoram sua festa de São Pedro. Claro que eles convidaram também seus vizinhos, os camponeses de Deep. Os incansáveis ​​músicos de Kolberg tocam dança após dança. Os jovens não perdem uma! Ninguém pensa em voltar para casa.

Durante o intervalo, as moças de Deep lembram que precisarão voltar para casa a pé. Mas elas não se preocuparam, ainda dava tempo para mais uma dança! Os músicos tocam uma melodia conhecida e todos aproveitam os últimos instantes. Ao fim, chega a hora de os jovens de Deep se despedirem e tomarem o caminho para sua aldeia, pois, em breve, os primeiros raios de sol vão surgir no horizonte e vai começar mais um dia de trabalho.”

Ao lado de Gribow fica o vilarejo de Kolberger Deep. Dessa forma, o mistério está resolvido. Mas é interessante observar a relação de ambas aldeias com o rio Rega. Em Kolberger Deep, fica a antiga foz do rio Rega, enquanto que em Treptower Deep encontra-se a nova foz, um canal construído no século XV para ser o porto da cidade de Treptow.

É nessa mesma região ao longo do rio Rega que encontrava-se o traje de “Belbuck”, assim chamado por ser originário da região administrada pelo Mosteiro de Belbuck. Dessa mesma região, no final do século XIX, emigrou uma família pomerana para o Rio Grande do Sul. É a família Deutsch. Depois de uma longa viagem, chegaram ao Brasil em 1890 e fixaram residência na então colônia General Osório, que deu origem à cidade de Ibirubá e, depois, de Quinze de Novembro.

E você conhece a origem de sua família? Conte aí para nós!

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz .

Veja a dança em https://youtu.be/sNtUig9gn9s . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

23.10.2023 - Wittenauer Tortanz

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23.10.2023 - “Wittenauer Tortanz” é uma dança de torres ou de portão?

Na Alemanha, existem vários “Tore” famosos, como o Brandenburger Tor - Portão de Brandemburgo - em Berlim. Ele é assim chamado, pois, antigamente, ali, ficava o portão da cidade, onde começava o caminho de Berlim à Brandenburg. Mas será que existe algum portão que dá caminho a Wittenau? Um Wittenauer Tor?

Na verdade, não existe.

Então a dança não se refere a um portão?

Bom, na verdade, a dança leva o nome de “Tortanz” não por causa de um antigo portão de alguma cidade, mas por causa da figura formada pelos pares na dança. Com mãos dadas, eles formam uma passagem para os outros dançarinos. Em português, costuma-se dizer que é uma dança de torres. Assim, A “Wittenauer Tortanz” é uma dança de torres de Wittenau.

Wittenau é hoje um bairro de Berlim, no distrito de Reinickendorf. Ele tem origem em um antigo vilarejo chamado Dalldorf, que foi renomeado em 1905 para Wittenau em homenagem a um antigo líder local já falecido, o senhor Petter Witte. Não se sabe ao certo a data de fundação da comunidade, mas, segundo alguns registros, teria sido no início do século XIII.

Durante a Idade Média, Wittenau era uma pequena vila de agricultores e fazia parte da Floresta de Tegel, uma vasta área florestal. No século XIX, a industrialização começou, e o vilarejo experimentou um crescimento com o desenvolvimento de fábricas e áreas residenciais. Posteriormente, durante a Segunda Guerra Mundial, ela sofreu danos significativos devido a bombardeios.

Após a guerra, Wittenau foi reconstruída e se tornou um bairro vibrante. Sua história reflete as mudanças que a cidade passou ao longo dos séculos, indo de uma pequena vila a um moderno bairro de Berlim.

 

A “Wittenauer Tortanz” faz parte das novas danças de Berlim, de autoria do professor Volkhard Jähnert (Volkstanzkreis Reinickendorf) e, hoje, faz parte do repertório de grupos não apenas de Berlim, mas também de outras regiões da Alemanha e também do Brasil!

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/ . Veja a dança em https://youtu.be/V5zNLS7cutA . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

22.10.2023 - Schwäbische Mazurka

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22.10.2023 - A “Schwäbische Mazurka” imitou a “Niederbayrische Mazurka”?

Quando há uma sequência complexa de dança, com mais figuras e longa melodia, é difícil encontrar uma similar que não tenha uma base comum. É quase como ganhar na loteria. Por isso, dizer que a “Niederbayrische Mazurka” e a “Schwäbische Mazurka” são quase iguais por mera sorte é um tanto inocente.

Primeiramente, “Niederbayrische Mazurka” teria sido coletada nos anos 1930 em Salzweg, localidade vizinha à Passau, ambas na Baviera, motivo pelo qual ela também ficou conhecida como “Mazurka aus Salzweg” ou “Passauer Mazurka”. Contudo, em seu registro original consta simplesmente o nome “Mazurka”. Já a “Schwäbische Mazurka” não apresenta um local exato da coleta da coreografia. Sabe-se que ela usa a canção “Nodl net a so”, de Hohenlohe, em Baden-Württemberg, como sua melodia. A Suábia e a Baixa Baviera também não se distanciam tanto uma da outra. Seriam ambas a mesma dança, mas com nomes diferentes?

Quanto às suas estruturas, inegavelmente as coreografias são idênticas, só com a inversão das partes 1 e 2. Os movimentos são realizados em duas etapas, cada uma com 16 compassos. As figuras trazem peculiaridades que não são vistas em outras danças de ambas as regiões, como o exemplo dos giros em seis passos, seguidos de mazurcas. As melodias, mesmo que diferentes, seguem uma estrutura similar, com o mesmo ritmo e métrica.

A partir desta análise, se pode dizer que a “Schwäbische Mazurka” e a “Niederbayrische Mazurka” possuem uma ligação comum, mesmo não sendo cópias uma da outra. Podem ser, inclusive, a mesma dança, mas com designações e músicas diferentes. Contudo, se futuramente dados comprovarem o contrário, sendo elas similares por casualidade, uma coisa é certa: todas as conexões improváveis  do mundo foram gastas nessas duas coreografias. Uma pena. Podiam ter usado essa sorte toda para ganhar na loteria ou, no mínimo, na rifa da quermesse.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a “Schwäbische Mazurka” em https://youtu.be/uTJ_7QU75fQ e a Niederbayrische Mazurka, https://youtu.be/lyK2XlnYaNc . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

21.10.2023 - Der Graf von Luxemburg

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21.10.2023 - A “Der Graf von Luxemburg” é um jogo de cerveja?

 

Uma canção em Baden-Württemberg é a “Der Graf von Luxemburg”, que tem sua dança presente na “Schwäbische Tanzfolge”. Mas quem é esse “Conde de Luxemburgo” que aparece também em jogo, opereta, música popular e filme?

A música tradicional apresenta um conde que tinha 100.000 Talers - uma moeda da época - e que em uma noite perdeu todo seu dinheiro. A canção já aparece em registros do século XIX, sendo que foi publicada em um livro infantil em 1914. Veja a letra:

„Der Graf von Luxemburg

Hat all sein Geld verjuckt juckt juckt, (2x)

Hat hunderttausend Taler

In einer Nacht verjuckt juckt juckt …

[...] Tütüüüh!“

Ela também era uma “Trinklied”, para cantar e beber, com um “Bierspiel” - “jogo de cerveja”: enquanto cantavam, os bebedores tinham que apontar figuras em um cartão ou quadro. Para cada palavra da música tinha um desenho diferente, como pulgas para “juckt”, castelo para “Luxemburg”, saco de dinheiro para “100.000 Taler” e assim por diante. A cada erro tinham que tomar uma cerveja. Com o tempo, ao cantarem mais rápido e estarem embriagados, os acertos diminuíam… para a alegria do taberneiro.

Já a opereta “Der Graf von Luxemburg”, de Franz Lehár, estreou em 1909. Ela apresenta uma história sobre prazer e dinheiro. Ela se passa entre um carnaval de rua, uma área boêmia e um foyer da ópera parisiense. A partir dela surgiu a música “Sind Sie der Graf von Luxemburg”, de 1968, de Dorthe Kollo, e um filme alemão, de 1972. Por mais que essas narrativas tenham o mesmo tema da canção, de um nobre que perdeu tudo, as comparações terminam aí.

E quem é o conde de Luxemburgo? Difícil de responder. Segundo pesquisas, poderia ser Johann von Luxemburg und Böhmen, com o epíteto de “o Cego”, que viveu de 1296 a 1346. Ele teria perdido muito dinheiro, por mais que não tenha empobrecido por isso. De toda forma, isso é uma suposição. A cultura popular sabe bem criar seus próprios personagens.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a opereta em  https://youtu.be/fCi2OxShn-k  e a dança em https://youtu.be/fJPB1NtXisI . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

20.10.2023 - Ich bin ein Musikante

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20.10.2023 - Onde fica o “Schwabenland” do “Ich bin ein Musikante”?

Uma antiga canção que ganhou novo destaque, depois da popularização dos vídeos infantis na Internet, foi o “Ich bin ein Musikanten”. Nela as crianças cantam, dançam e teatralizam. Vejamos uma parte da música:

“Ich bin ein Musikante

und komm aus Schwabenland

Wir sind die Musikanten

und kommen aus Schwabenland

Ich kann auch spielen auf meiner Geige:

Wir können auch spielen auf der Geige

Simsimserlim, …

Na canção os participantes contam que são músicos e que vêm da Suábia. A cada estrofe um apresenta um novo instrumento musical, imitando, supostamente, como é o som dele. No exemplo é escolhido o violino - Geige. Nas versões mais tradicionais da “Ich bin ein Musikanten” aparecem o trombone, trompete, clarinete, tambor, flauta, fagote, piano, trompa, triângulo, entre outros.

Já a dança era assim: dentro do círculo estão dois participantes, sendo que um deles vai apresentar seu instrumento musical. À medida que a melodia se repete, um novo “músico” sai da roda e toma à frente da fila, reiniciando o processo. Termina quando todos tiverem feito seu solo. Caso haja uma roda grande, é preciso conhecer muitos instrumentos.

O autor é desconhecido e existem muitas variantes da letra e da melodia, como pode ser visto na Renânia do Norte-Vestfália, Turíngia, Silésia, além de partes de língua alemã da antiga Boêmia. Existem registros impressos dela já na primeira metade do século XIX. Poderia ter sido originalmente uma ironia promovida por músicos viajantes que, depois, chegou às crianças. Existe uma hipótese de que a “I am the Music Man” teria tido sua origem na “Ich bin ein Musikanten”.

Mas onde é o “Schwabenland”? Na prática essa área não tem delimitação exata, sendo mais definida pelas populações que mantêm essa identidade suábia. 20.10.2023 - Onde fica o “Schwabenland” do “Ich bin ein Musikante”?

Uma antiga canção que ganhou novo destaque, depois da popularização dos vídeos infantis na Internet, foi o “Ich bin ein Musikanten”. Nela as crianças cantam, dançam e teatralizam. Vejamos uma parte da música:

“Ich bin ein Musikante

und komm aus Schwabenland

Wir sind die Musikanten

und kommen aus Schwabenland

Ich kann auch spielen auf meiner Geige:

Wir können auch spielen auf der Geige

Simsimserlim, …

Na canção os participantes contam que são músicos e que vêm da Suábia. A cada estrofe um apresenta um novo instrumento musical, imitando, supostamente, como é o som dele. No exemplo é escolhido o violino - Geige. Nas versões mais tradicionais da “Ich bin ein Musikanten” aparecem o trombone, trompete, clarinete, tambor, flauta, fagote, piano, trompa, triângulo, entre outros.

Já a dança era assim: dentro do círculo estão dois participantes, sendo que um deles vai apresentar seu instrumento musical. À medida que a melodia se repete, um novo “músico” sai da roda e toma à frente da fila, reiniciando o processo. Termina quando todos tiverem feito seu solo. Caso haja uma roda grande, é preciso conhecer muitos instrumentos.

O autor é desconhecido e existem muitas variantes da letra e da melodia, como pode ser visto na Renânia do Norte-Vestfália, Turíngia, Silésia, além de partes de língua alemã da antiga Boêmia. Existem registros impressos dela já na primeira metade do século XIX. Poderia ter sido originalmente uma ironia promovida por músicos viajantes que, depois, chegou às crianças. Existe uma hipótese de que a “I am the Music Man” teria tido sua origem na “Ich bin ein Musikanten”.

Mas onde é o “Schwabenland”? Na prática essa área não tem delimitação exata, sendo mais definida pelas populações que mantêm essa identidade suábia. Como uma referência mais ampla, se poderia pensá-la estando em uma grande parte do sul da Alemanha - principalmente Baviera e Baden-Württemberg -, ultrapassando as fronteiras da Suíça e Áustria.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a canção em https://youtu.be/0JUKuiWfhig . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

19.10.2023 - Salzburger Dreher

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19.10.2023 - A “Salzburger Dreher” é de Salzburgo?

Fazer essa pergunta parece pegadinha, tipo “qual a cor do cavalo branco do Napoleão?”. Contudo, não o é. Essa dança é mais um caso daqueles que tem uma cidade no nome… e ela não é de lá. A “Salzburger Dreher”, assim, não vem de Salzburgo, na Áustria, e sim foi registrada nas proximidades da Floresta da Baviera. Ela aparece tanto em Mühlviertel, na Alta Áustria, como em um distrito bávaro pertencente à Nottau, na Alemanha.

Salzburgo é uma importante cidade austríaca, a quarta maior do país, na fronteira com a Alemanha, sendo a capital do Estado homônimo. Lá é o berço de Wolfgang Amadeus Mozart; o local tem uma arquitetura ímpar; apresenta museus de valor inestimável - como o castelo Hohensalzburg - e foi o cenário do clássico “A Noviça Rebelde”. Só por esses atributos já parece justificável que uma dança queira ter uma “pontinha” de afinidade com este Patrimônio Mundial da UNESCO.

Voltando à dança, fora o nome, não se encontram outras relações dela com a cidade. A coreografia não teria muita relação com o estilo salzburger. Segundo Walter Bucksch, provavelmente a tenham chamado de “Giro de Salzburgo” por alguma referência errada.

Há também curiosidades quanto à música. A sua primeira gravação é anterior a 1914 e é atribuída à Stadtkapelle Straubing, da Baviera - já com o nome “Salzburger Dreher”. A letra da sua canção, presente na segunda parte, também não tem conexão com a cidade austríaca, sendo uma variação da “Ja i bins halt a Lump”, que conta os dissabores da vida de um homem que perdeu tudo o que tinha. 

Mesmo não nascendo lá, a “Salzburger Dreher” chegou a posteriori em Salzburgo. Atualmente consta dentre as danças da região, tendo uma anotação que informa a sua real procedência. De certo modo, o nome não mais engana, já que “hoje” ela também “vive” nesta cidade. E respondendo: a cor do cavalo “branco” de Napoleão é realmente branco… pelo menos um dos seus 50 equinos era branco… e Bonaparte não esteve com ele em Salzburg.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz  .Veja a dança em https://youtu.be/Qa2zUSQXMW4 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

18.10.2023 - Aram sam sam

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18.10.2023 - "Aram sam sam" é uma dança árabe?

Uma música muito popular em atividades infantis na Alemanha, como nas escolas e no Carnaval, é a "Aram sam sam". Autores ou origem exata são desconhecidos, contudo o texto da canção provavelmente vem de um dialeto árabe do Marrocos. Teria se espalhado nas comunidades de língua alemã a partir de conjuntos musicais que a adotaram a partir dos anos de 1960. Vejamos sua letra:

“Aram sam sam, Aram sam sam,

Guli, guli, guli, guli, guli ram sam sam.

Arafi, Arafi, guli, guli, guli, guli, guli ram sam sam”

Ela não é traduzida no alemão e não se conhece a versão original, assim como não se sabe o significado do título, que é similar a sua primeira frase. Já o termo "Guli” supostamente significa “diga-me”. Outra dúvida é sobre o termo “Arabi” ou “Arafi”, que poderia ser “A rafiq” - "um amigo" ou "um companheiro". Mas seria realmente esse o significado? Como o texto da canção transita entre distintos idiomas, podem ter ocorrido diversas mutações na letra e melodia.

E ela é uma dança típica? Claramente não é tradicional e muitos nem a consideram com uma "coreografia". Para estes ela é caracterizada como "música com movimentos". Trata-se de um contexto muito presente entre as crianças, de andar e promoverem gestos enquanto cantam, não tão diferente das cirandas lusófonas.

Mas nem todos gostam dela. Segundo um olhar social da atualidade, a canção apresentaria um preconceito com a língua árabe, como se fosse uma confusão de sons, desvalorizando-a para quem não a entende. Além disso, na coreografia são realizados movimentos semelhantes às posições da oração islâmica, que podem gerar claras controvérsias. De toda forma, é uma leitura da atualidade frente a um olhar menos politicamente correto do passado.

Indiferente do ponto de vista do ouvinte, fica uma pergunta: a minha tia do Marrocos, da canção "Meine Tante aus Marokko" conhece a "Aram sam sam"? Eu não sei a resposta. Terei que aguardar a vinda dela para fazer a pergunta... se ela realmente vier.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a canção em https://youtu.be/gwA9GfYIYus . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

17.10.2023 - Kuhländler Dreher

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17.10.2023 - O Rei Víbora aparece na “Kuhländler Dreher”?

Na República Tcheca existe uma comunidade que outrora era conhecida por ser uma ilha de língua alemã na região: o Kuhländchen. Lá se mantiveram preservadas por gerações muitas canções, músicas, danças e também lendas. Uma dessas histórias fantásticas é especialmente conhecida: dos Reis Víbora - “Otternkönige”.

Contam que toda casa tinha que ter uma víbora doméstica. Essa serpente, segundo a crença popular, era considerada um bom espírito que guardava a casa, além de trazer boa sorte, afastar doenças e todas as influências nocivas. Mas os moradores não deveriam incomodá-la se ela aparecesse, pelo contrário, era sugerido colocar para ela leite recém ordenhado em um local tranquilo perto de casa.

De toda forma, dentre essas cobras do Kuhländchen uma era diferenciada. Segundo a lenda, o “Otternkönig” é uma víbora macho três vezes mais forte do que as outras. Uma vez por ano, em determinada época, ele usava uma coroa de ouro na cabeça. Se fosse de prata, então era a rainha, que sempre seguia acompanhada por sua comitiva de serpentes. Contam histórias sobre as tentativas de roubarem essas jóias reais, mas sempre o ladrão acabava derrotado por esses répteis.

Assim como essa lenda, é também muito apreciada nessa região e no Odergebirge uma dança, que Karl Horak chamou de “Kuhländler Dreher” - o Giro de Kuhländchen. Seus movimentos teriam alguma conexão com os “serpenteios” dos “Otternkönige”? É improvável. A coreografia seria ligada a romance e noivado. O nome original, “Of Brawe naus” e canção trazem versinhos sobre um deslocamento para a vila de Brawe… e nada falam de cobras.

De toda forma, como saber das possíveis influências indiretas em uma ilha linguística? O ritmo forte da “Kuhländler Dreher”, por exemplo, estaria também expresso nas narrativas locais? Quem sabe o casal da realeza das víboras tivesse também uma história romântica. É assim que as lendas sobrevivem. 

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz. Veja a dança, no minuto 07:15, em https://youtu.be/AcuNdPeblM0 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

16.10.2023 - Hunsrücksafari

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16.10.2023 - “Hunsrücksafari” é a dança do Robin Hood do Hunsrück?

Que tal fazer um passeio pelo Hunsrück? Ou quem sabe um safári?

Apesar de o Hunsrück contar com algumas danças típicas regionais, poucas são amplamente conhecidas. A coordenadora do Tanzensemble „La Volte“, Ilona Kramer, aproveitou esse moderno trabalho de Heini Wahl, compositor e músico, criador de várias canções em homenagem ao Hunsrück, e criou uma coreografia para seu grupo. Apesar de não ser uma dança típica, ela traz em sua letra diferentes elementos histórico-culturais da região.

A canção nos leva por uma viagem pelo Hunsrück, seguindo a trilha do “Schinderhannes”. Assim era conhecido no final do século XVIII o jovem ladrão Johannes Bückler. Famoso e temido por todos, ele foi responsável por vários assaltos e roubos na região, muitas vezes bastante brutais.

Com o tempo, ele virou uma lenda, especialmente a partir de histórias contadas (nem sempre condizentes com a verdade). Com o tempo, ele acabou se tornando um verdadeiro personagem regional e sendo conhecido como o Robin Hood alemão, ou o Robin Hood do Hunsrück: aquele que roubava dos ricos para dar aos pobres (o que não era bem verdade).

Assim como no Brasil temos o Lampião e sua Maria Bonita, o Schinderhannes também tinha sua amada: a jovem Juliana Blasius, conhecida como Julchen. Ela participava do bando de Bückler e, vestida às vezes de homem, praticava assaltos com o grupo. Foi ela que deu a luz ao filho do Schinderhannes, Franz Wilhelm.

Na vida real, a rotina do bando do Schinderhannes não era nada encantadora. É apenas na Literatura que ele se transforma em um Robin Hood do Hunsrück. Contudo, o seu fim não foi nada heróico. Por seus atos, Bückler foi condenado em 1803 à morte na guilhotina em praça pública junto com outros dezenove de seu bando. Julchen foi poupada, sendo condenada apenas à prisão.

Apesar de não ser uma dança típica, ela consegue aproximar os descendentes de alemães do Hunsrück no Brasil à terra dos seus antepassados.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja o filme “Schinderhannes” em https://youtu.be/Lko93aqvSI0 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

15.10.2023 - Hiatamadl

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15.10.2023 - Hiatamadl” é uma música do Hubert von Goisern?

Muitas músicas populares se imortalizaram na voz de cantores famosos, sendo algumas delas com coreografias típicas. Isso aconteceu com a dança “Hiatamadl”, que está na “Schwäbische Tanzfolge”? Ela é a mesma do Hit musical “Koa Hiatamadl”, do cantor austríaco Hubert von Goisern?

Hubert von Goisern é um artista versátil com uma carreira consolidada e lota estádios com gerações de fãs. O seu repertório dialoga com sonoridades regionais e internacionais: ele destacou-se pelas pontes feitas entre o contemporâneo - como o rock, o pop e o blues -, e as tradições locais, com seus dialetos e canções populares. Mostrou-se como um divisor de águas.

Elucidando a pergunta anterior, a música de Hubert “Koa Hiatamadl” - podendo ser traduzida como “Nenhuma Pastora” -, que fala das preferências de um rapaz por moças “cheinhas”, foi inspirada na “Hiatamadl”, por mais que não seja a mesma. As duas melodias e a letra se parecem. O que diz o refrão do texto contemporâneo?

“Koa Hiatamadl mog i net

Hot koane dick'n Wadln net

I mog a Madl aus da Stadt

Wos dicke Wadln hat”

Se poderia traduzir como, “não gosto de nenhuma pastora [de animais], pois ela não tem panturrilhas grossas; gosto da moça da cidade, a qual as têm”. Se observa no refrão a soma das frases principais da música original, contexto que também é apresentado nesta dança típica.

É curiosa a frase “Sche san de Landlatanz” de Hubert, quase desconexa da música. Poderia ser traduzida como “bonita é a dança da Landler”, apresentando uma relação regional, ou “bonita é a dança do interior”, que poderia ser uma referência à própria “Hiatamadl”. O autor não esconde sua “musa inspiradora”, ao contrário, explicita a apropriação da cultura popular.

Esse caso mostra o bem sucedido diálogo entre as culturas tradicionais e o mercado atual. Trata-se da necessidade da sociedade em se reencontrar através das identidades regionais, sem abdicar de um cenário globalizado.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/j2iMJATny2s . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

14.10.2023 -  Rutsch hi, rutsch her

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14.10.2023 -  Para onde escorregam na “Rutsch hi, rutsch her”?

Existe um conjunto de danças que fazem parte das “Wechselhupftänze”, por terem como movimento principal a troca de posição dos pés através de pulos. Está entre elas a “Rutsch hi, rutsch her”, assim como a “Herr Schmied”, a Rutscher”, “Wechselhupf”, “Hühnerscharre”, “Das Federbett”, “Strohschneider”, “Strohsackwalzer”, entre outras.

Uma das “Rutsch hi, rutsch her” foi recolhida no Hessen, no Odenwald. Nesse registro há três partes, que se intercalam: 1. passo de troca, 2. lateral nos círculos , 3. valsa. Há também variantes homônimas onde não se realiza a terceira etapa, substituindo a segunda por giros em passo de chote.

Por mais que muitas dessas “Wechselhupftänze” tenham relação com o mecanismo de cortar o feno, como se vê explicitamente na “Strohschneider”, segundo Hans von der Au, a “Rutsch hi, rutsch her” teria outro princípio, como se pode ver na letra:

“Rutsch hie, rutsch her,

Rutsch zu der Mad ins Federbett,

Rutsch zu der Mad ins Bett!

'Bin hie gerutscht un her gerutscht,

Und zu der Mad ins Bett geflutscht”

Segundo ele, em tempos antigos, essa dança tinha um significado de “promoção da fertilidade”. A letra “picante” da canção, que destaca que o rapaz vai “escorregando para lá e pra cá, com a moça para o cobertor de penas” já mostra isso. Essa estrofe teria sobrevivido graças ao relato de idosos. Não por acaso uma coreografia irmã da “Rutsch hi, rutsch her” chama-se “Das Federbett” - por mais que se pudesse traduzir como “cama de penas”, o termo faria referência a uma espécie de edredom de plumas. Outros versos, mais suaves, aparecem com essa mesma melodia.

Isso mostra, mais uma vez, como canções e danças populares não se prendiam à moral e “bons costumes”, mesmo que, em muitos casos, folcloristas tenham tentado fantasiá-las como “puritanas”. Vê-se que associar momentos íntimos ao “edredom” não é invenção do Big Brother na TV.

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13.10.2023 - Schüddel de Büx

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13.10.2023 - Por que se sacode a calça na “Schüddel de Büx”?

Uma das danças mais representativas dos pescadores de Mönchgut, na Ilha de Rügen, é a “Schüddel de Büx”. Traduzida, ela significa algo como “sacuda a calça”. Mas por qual motivo se sacode as calças (e as saias) durante esta dança?

Segundo um registro do final do século XIX, esta dança era comum em toda a Ilha de Rügen, mas estaria caindo no esquecimento. Apenas na Península de Mönchgut, ela ainda estava presente nas festividades. Inclusive, em um romance da época, há a referência de que os pescadores da Península de Mönchgut dançavam a “Schüddelbüchs”.

O pesquisador Willi Schultz registrou uma canção que a acompanha. Seus versos vão relatando o que precisa ser feito durante a dança, como por exemplo, o passeio com o par no centro do círculo e a tão marcante figura de sacudir as calças (e as saias).

Será que todos sacodem as calças apenas porque a canção assim diz? Segundo alguns relatos orais, essa prática seria bastante comum entre os pescadores, pois, como trabalhavam no mar, era comum que suas calças molhassem. E, sacudindo, elas secavam mais rápido.

É interessante observar que os pescadores da Península de Mönchgut, vestem por baixo uma calça justa por dentro das botas e, por cima, uma com pernas largas que passam sobre as botas. Assim, quando eram atingidos pela água, ela acabava escorrendo, mantendo o corpo e especialmente os pés secos e protegidos.

Em uma publicação sobre a dança, Schultz relatou uma cena da “Schüddel de Büx”:

“Era um lindo dia de verão. As calças brancas dos homens brilhavam sob os casacos azuis como espuma nas ondas do Mar Báltico. E agora era hora de dançar. Hannes, o trompetista, gritou para a multidão: ‘Schüddel de Büx!’ Ei, quão rápido os rapazes encontraram suas moças! E os músicos começaram com uma alegre fanfarra de trompa e violino, clarinete e baixo, e todos cantando: “Lüd, Lüd, nu geiht dat an!”

Animados, todos dançavam e cantavam a “Schüddel de Büx”.

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12.10.2023 - “Eins, zwei, drei, bei der Bank vorbei”

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12.10.2023 - “Eins, zwei, drei, bei der Bank vorbei”: uma dança típica ou uma esquete teatral?

Entre as danças típicas, o primeiro registro feito da “Eins, zwei, drei, bei der Bank vorbei” foi o de Anna Helms em seu quarto livro “Bunte Tänze” em 1928. A coleta da dança se deu a partir da junção de trechos encontrados em diferentes localidades de Holstein (norte da Alemanha), inclusive sua melodia.

Por volta de 1876, em Berlim, foi lançada uma pequena esquete teatral chamada “Itzig Hirsch in der Tanzstunde” (Itzig Hirsch na aula de dança). Como alternativa ao título aparece “Eins, zwei, drei, bei der Bank vorbei!”. Ela foi escrita por A. Alexander, com música de Fritz Kaiser.

Itzig Hirsch conta que havia conhecido uma moça, mas ela não iria com ele ao baile, pois ele não sabia dançar. Então, ele foi à procura de um professor de dança. Hirsch queria aprender uma polca, uma valsa e um galope. Mas o professor informou que ele precisaria aprender também uma quadrilha. Porém, como estavam sozinhos, ele não conseguiria ensinar uma quadrilha. Itzig alertou que o professor precisaria dar um jeito, senão iria procurar outra escola de dança.

E o que o professor fez? Para marcar as posições da quadrilha, colocou em frente a Hirsch um banco (Bank) - para representar o par contrário -, de um lado, sua esposa (Frau) e, do outro, sua empregada (Magd). Todos em posição, o professor começou a tocar a música e a cantarolar alguns versos que orientavam o que Hirsch deveria fazer na dança:

“Um, dois, três,

Passando pelo banco,

Pela esposa, pela empregada, passando pelo banco,

De volta pro lugar, dois, três!”

Seguindo essa sequência, ele aprenderia os passos.

Analisando as datas dos registros, é possível que a música da esquete tenha sido bastante conhecida no período e, durante suas pesquisas, Helms possa ter se lembrado dela ao encontrar alguns trechos de diferentes coreografias.

De qualquer forma, essa são apenas suposições. Mas uma certeza se tem: Itzig Hirsch aprendeu a dançar como queria!

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11.10.2023 - Rühler Springer

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11.10.2023 - “Rühler Springer” foi composta por Bach?

Os moradores da Turíngia são dançarinos entusiasmados. A dança faz parte de suas festividades. É de lá que vem a “Rühler Springer”. Sua descrição teve como base alguns registros históricos encontrados pelo pesquisador Arno Schlothauer. Seu nome nos mostra que ela é da cidade de Ruhla.

Em um registro de 1813, além da partitura, encontra-se uma breve descrição da dança. Contudo, entre os anos de 1867 e 1908, ela não foi mais executada na região. Então, para que pudesse ser reconstruída, foi preciso contar com a ajuda de algumas pessoas mais antigas que já haviam dançado ou menos assistido a dança.

Em sua publicação, Schlothauer fez uma ressalva: caso algum grupo quisesse causar uma boa impressão com a “Rühler Springer”, precisaria executá-la com, no mínimo, seis pares, os quais deveriam dançar de forma ligeira e vivaz. Além disso, é pré-requisito ter força nas pernas, além de coração e pulmão saudáveis, uma vez que, quando a “Springer” é dançada, se tem a impressão de que “a casa vai cair”. Além da versão registrada por Schlothauer existem também duas escritas por Aenne Goldschmidt e Thea Maass, a partir de registros do início do século XIX.

Apesar de não ser conhecido o nome de seu compositor, será que ela não poderia ser uma obra de alguém famoso, como por exemplo, Johann Sebastian Bach? Parece exagero, mas Bach tinha um tio em Ruhla, chamado Jacob Bach. Nesse período, Johann Sebastian teria o visitado diversas vezes, tendo tocado, inclusive, em muitas festas locais. Pesquisadores reconhecidos de Bach apontam algumas semelhanças entre algumas peças suas e a “Rühler Springer”, indicando que Johann Sebastian Bach poderia ser mesmo seu compositor ou, ao menos, algum outro integrante da família Bach.

Independente de quem seja o compositor, não esqueça: a “Rühler Springer” é uma dança que precisa ser muito bem preparada e executada com vivacidade! Portanto, faça um eletrocardiograma antes para ver se está tudo em ordem!

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10.10.2023 - Seddinpolka

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10.10.2023 - Onde surgiu a “Seddinpolka”?

Na década de 1920, Herbert Oetke e Heinrich Dieckelmann, com o objetivo de trazer novas danças que pudessem unir o tradicional e o novo tanto na coreografia quanto na música, criaram algumas danças. Após três anos de trabalho, surgiu a coletânea chamada “Schwingkehr” (ver Schwingkehr - 12.02.2023; Märkische Viertour - 24.02.2023; Der Kobold - 17.05.2023; Choriner Vierer - 13.06.2023). É nela que foi registrada a quadrilha “Seddinpolka” - a “polca Seddin”.

Dentro da antiga região do Mark Brandenburg, encontramos “Seddin” como referência a duas localidades: uma próxima a Potsdam e outra na região de Prignitz.

Ao sul de Potsdam, Seddin faz parte da comunidade Seddiner See. O nome do lugar provavelmente vem da palavra eslava “zid”, que representa o adjetivo “líquido”. Os primeiros assentamentos humanos próximos a Seddin datam de mais de 10.000 anos. O vilarejo atual provavelmente remonta a uma vila eslava do rio Elba localizada ao redor da praça da igreja de hoje.

Já a outra Seddin fica a cerca de 140 quilômetros de Berlim na região de Prignitz, no oeste do atual estado de Brandemburgo. Sua origem também é eslava e, apesar de o atual vilarejo ter surgido por volta do século XIV, há registros da presença de moradores desde a Idade do Bronze.

É exatamente desse período a principal referência histórica da região: o “Königsgrab”, um túmulo real. De grande importância arqueológica, no local, foram encontradas várias ferramentas e outros elementos que representam um pouco da vida na região durante aquele período. Calcula-se que os achados tenham aproximadamente três mil anos e indicam que esse seja o último local de descanso de um rei chamado Hinz.

Apesar de tantas referências históricas em ambas as “Seddin”, sabe-se que a dança “Seddinpolka” não é uma dança típica de nenhum desses lugares, mas sim uma representação das novas danças típicas do Mark Brandenburg, criadas durante o Movimento da Juventude Alemã.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a música dela em https://youtu.be/jR2ypbgF_2g . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

09.10.2023 - Masianer

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09.10.2023 - De qual misteriosa cidade vem a “Masianer”?

É muito comum dentre as danças das comunidades de língua alemã terem nomes que fazem referência a um local. Geralmente essas terminam com o sufixo “er”, como a “Lauterbacher”, “Untersteirer Landler”, “Italianer”, “Münchner Polka”, entre outras, mesmo que ela não seja realmente do local indicado. E a “Masianer” se refere a uma localidade?

Segundo Erna Schützenberger e Hermann Derschmidt, a “Masianer” também pode ser encontrada como “Massiner”, “Massianer”, “Kempingerin”, “Wechseltanz” “Henderl, bi bi”. Essa última designação seria em função do texto cantado nos compassos 9 e 16: “Henderl, bi, bi, Henderl, ba, ba,

Wennst ma koa Oa nit legst, stich i di ab”. E é bom não confundí-la com “Marsianer”, já que, com certeza, ela não é “marciana”, vinda de Marte.

A coreografia é popular no sul da Alemanha e tem variações dependendo da região, como vista na Baixa Baviera, em Mühlviertel, em Hemau, em Ruhpolding, entre outras. Composta por um conjunto de passos ternários, os pares “valseiam” tanto para o sentido horário quanto anti horário. Não sendo muito rápida, alcançou diferentes públicos, superando barreiras etárias.

Mas com base no nome, de onde ela seria? Se o termo referenciar um lugar, viria provavelmente de uma localidade de nome “Masian”, ou “Massian”, ou “Massin”, ou “Kemping”,... O problema é que não há registros de comunidades com essas denominações, pelo menos não na área onde essa dança sobrevive. Quem sabe pudesse estar ligada a uma propriedade familiar? Ou será que na transmissão oral a palavra mudou tanto que hoje ela não é mais reconhecível? Não se sabe.

Mistério ou uma história esquecida? Quando as peças desse quebra-cabeças forem reunidas é provável que a “Masianer” ainda tenha muito a contar. A letra de sua canção também guarda narrativas que ultrapassam a simples tradução. De toda forma, haver perguntas sem respostas pode atiçar a curiosidade. O que seria de Marte se os humanos conhecessem os marcianos?

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08.10.2023 - Schottesch Näip

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08.10.2023 - Schottesch Näip” era tocada por um músico cego?

No dicionário de Luxemburguês, encontra-se “Näip” como um cumprimento curvado. A “Schottesch Näip” leva esse nome, por causa da reverência entre os pares.

Ela foi encontrada no livro “Die Bauernhochzeit in früheren Zeiten”, que descreve como eram os casamentos dos camponeses antigamente. Na obra, ela também foi registrada com o nome de “Pätterendanz”. Geralmente, após a refeição - e depois de uma cachacinha -, todos se reuniam para essa “gemittléchen Danz”. Era comum que algumas pessoas perdessem até o equilíbrio no momento do cumprimento. Por que será?

Nas danças com cumprimento, era muito comum encontrar alguns versos cantados. O seu luxemburguês está afiado? Esse é o verso cantado pelas moças:

“Léift Meedche looss de Steemetz gon,

e bréngt dech al a Nout.

Am Summer feelt de Mann am Haus,

am Wanter feelt der d’Brout.”

A tradução seria mais ou menos assim:

“Querida moça, deixe o pedreiro ir,

ele te trará dificuldades.

No verão, o homem falta em casa,

no inverno, falta pão.

No casamento dos camponeses mais ricos, era comum que um conjunto de músicos fosse contratado para a festa: violino, flauta, clarinete e contrabaixo. Conforme as posses da família, poderiam ser de quatro a dez musicistas.

Já nos casamentos mais simples, era comum apenas um músico: ou violino ou clarinete. Durante a celebração, ele era responsável pelos cantos litúrgicos e, à noite, pela diversão com danças. Um instrumentista muito conhecido na região era o “blannen Theis”, o “Theis cego”. Seu nome era, na verdade, Mathias Schou, e ele costumava ir de vilarejo em vilarejo com seu violino tocar nas diferentes festividades. Apesar de não enxergar, ele era responsável pela animação de muitas festas de casamento e também de quermesses. Todos sabiam que uma festividade com música do “blannen Theis” seria sucesso com certeza.

Apesar de não ter um registro específico, é provável que esse extraordinário músico tenha tocado muitas vezes danças como a “Schottesch Näip”.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/v7TNsmozMvQ . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

07.10.2023 - Brühtanz

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07.10.2023 - A “Brühtanz” é a dança do café de chicória?

A “Brühtanz” é uma antiga dança de sala de fiar - “Spinnstubetanz”. Foi coletada na localidade de Sparbrod, na região do Rhön, no Hessen, por Hans von der Au, com base nos apontamentos de Joh. Bartelmes. A música é uma variante da “Bohnenpott” / “Bohnenmarie”, conhecida em muitos dialetos, sendo que a segunda parte, com chote, foi apresentada pelo regente Hofmann do grupo musical de Gersfeld.

O nome “Brühtanz” pode ser traduzido como “Dança do Caldo”. Contudo, “Brühe” também pode ser uma infusão, como um chá. Segundo Hans von der Au, aqui o termo é depreciativo, referindo-se à bebida feita aos pobres com raíz de chicória, um substituto ao café. A palavra aparece na primeira frase da música: “Wenn hier ein Topf mit Bohnen steht und da ein Topf mit Brüh, dann laß ich Brüh und Bohnen stehn und tanz mit der Marie”. Já no alemão “Bohnen” não quer dizer somente feijões, tendo também outros grãos chamados assim; neste caso da canção, são de café.

Vendo as coreografias da “Bohnenpott” e da “Brühtanz”, a primeira segue tradicionalmente em pares o estilo “Kreuzpolka”, com uso do contrapasso - “Wechselschritt”. Já a segunda ocorre com dois círculos concêntricos, um das moças e outro dos rapazes, sendo indicado o uso do passo lateral - “Nachstellschritt”, que faz com que os dançarinos batam os calcanhar da esquerda nos da direita, gerando movimento e sonoridade diferenciados. De toda forma, mesmo distintas, como ambas são executadas com ritmos similares, os passos acabam por se parecerem.

Um dado curioso é que Wolfgang A. Mayer, em 1983, escreveu para sua filha uma nova letra para essa melodia tradicional. Nesta composição, na primeira frase, consta a referência à “Katherl” - diminutivo para Katharina. O novo texto se popularizou na região de Munique, ficando mais conhecido na Baviera do que o original, fazendo a “Brühtanz” também ser chamada de “Katherltanz”.

 

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a“Bohnenpott” em                  https://youtu.be/cTB6jfe5G8o  e a dança em https://youtu.be/G3vROYi04ZM . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

06.10.2023 - Vleegerd

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06.10.2023 - “Vleegerd” é uma dança da colheita?

Nas províncias holandesas de Gelderland e Overijssel são encontradas muitas danças típicas. Uma delas é conhecida como “Vleegerd”. Tradicionalmente, ela ocorre em três variações no leste dos Países Baixos. A versão mais popular é provavelmente aquela registrada em 1950 por Anna Sanson-Catz e Anne de Koe em seu livro “Nederlandse volksdansen”. Acredita-se, inclusive, que parte dela tenha sido coreografada pela própria Anna.

Em 1953, a “Vleegerd” também foi registrada no vilarejo de Markelo, na província de Overijssel. Segundo os relatos, ela estaria ligada a antigas danças de roda, como a “Het patertje”, muito popular na região, especialmente nas festas de casamento e em volta da fogueira de Páscoa.

Tradicionalmente, o foco dessa dança está na alternância entre duas figuras: o encontro dos pares ao centro com a troca de lugar e o encontro dos pares ao centro com a troca das moças.

Para alguns, esses movimentos lembravam o trabalho com o “dorsvlegel” (em alemão, “Dreschflegel”), instrumento da lida agrícola usado na malha dos cereais para debulha-los. Em português, essa ferramenta é conhecida como “malho” ou “mangual”.

Durante a debulha, várias pessoas agrupam-se em torno dos grãos, que são espalhados geralmente no chão sobre uma superfície dura, a eira . Então, os trabalhadores acertam os grãos com o mangual. Isso deve ser feito no ritmo correto para evitar que os manguais se batam.

Da mesma forma, o movimento dos pares no centro do círculo deve acontecer no ritmo correto, para que não se choquem. Por isso, acredita-se que o nome da dança tenha surgido a partir dessas figuras realizadas. Assim, na hora de anunciar a dança, ficava mais fácil de todos lembrar! É aquela do “Vleegerd”, no dialeto local.

Apesar de o instrumento que nomeia a dança ser usado no trabalho dos camponeses, não há registros que “Vleegerd” seja uma dança da colheita ou que represente o trabalho no campo. Ela é presença certa em diferentes festividades.

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05.10.2023 - Alewander

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05.10.2023 - A “Alewander” é uma dança alemã, vindo da França para a Suíça?

Um nome que por muito tempo foi dado por estrangeiros às danças que eram ou pareciam ser alemãs era “Allemande”. A palavra vem do latim “alemamos”. Uma das versões mais aceitas para a origem do termo é que era a forma como os romanos designavam grande parte das tribos germânicas que estavam no entorno do seu império. Não por acaso vem dali “Alemanha” e “alemão”.

Na Suíça existe um conjunto de danças de nome “Alewander” ou “Aliwander” que provavelmente teriam sua base no mesmo termo “Allemande”. Elas se caracterizam por serem coletivas em círculo, com interações entre os pares, e apresentarem variantes da figura “Kette” - “Corrente”. Essas formações, em teoria, que as teriam identificado como tradições alemãs. 

Mas quem disse que esse contexto coreográfico era “alemão”, para chamar de “Allemande”? Uma das hipóteses para a chegada deste estilo ao país teria sido a influência de franceses no século XVIII, que teriam adentrado os Alpes. Lá os helvéticos teriam ajustado o nome, música e figuras, agregando novas características.

Herbert Oetke destaca que a versão da “Aliwander” suíça encontrada no Appenzell ainda hoje mantém características tradicionais, como da “corrente” com mãos. Richard Wolfram, sobre a mesma dança, evidencia que outras figuras  ainda se mantém vivas ali, como a parte que os rapazes levantas as moças como que em um balanço - como visto em coreografias bávaras - e o movimento delas como se entrassem e saíssem dos cômodos de uma casa.

Na atualidade a “Alewander” é uma clara manifestação da cultura helvética, destacando que suas danças são plurais assim como seus quatro idiomas oficiais. Suas diferentes variantes, sejam de melodias e coreografias antigas ou de novas composições, são exemplos do diálogo dinâmico dos suíços, conectando as tradições e a contemporaneidade, mantendo sua cultura ativa e viva.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a “Appenzell Aliwander” em https://youtu.be/-cSY8GFVsz4  e uma popular “Alewander” em https://youtu.be/mtdyO0pyZck . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

04.10.2023 - Ponypferdchen

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04.10.2023 - Quem é o pequeno Johnny na dança “Ponypferdchen”?

Popular entre os grupos de danças alemãs, a música “Ponypferdchen” teve como base uma melodia de Portugal, adaptada pelo músico Heinz Lemmermann. Posteriormente, Lieselotte Holzmeister, esposa do fundador da editora alemã Fidula, escreveu o texto em alemão para a música. Estava pronta, assim, a canção também chamada por alguns de “Bitte, gib mir noch ein Zuckerstückchen”, que é o seu primeiro verso.

Para sua publicação, Hannes Hepp criou uma coreografia com variações para dois, três ou quatro dançarinos e a gravação da canção ficou por conta do coral “Der Kölner Kinderchor”. Assim, a canção e dança infantil “Ponypferdchen” foi lançada na década de 1970 na coletânea “Tanzlieder für Kinder”.

Posteriormente, o berlinense Volkhard Jähnert também criou uma coreografia para trios com execução da música por Martin Ströfer, publicada em “Neue Tänze aus Berlin”.

Vamos conhecer um pouco mais da canção escrita por Lieselotte Holzmeister?

Em seu texto, ela nos conta um pouco sobre o pequeno pônei chamado Johnny. A criança pede para que alguém lhe dê mais um torrão de açúcar para seu cavalinho, o qual agradece relinchando um “obrigado”. Depois, ela pede que seu pônei seja selado de manhã cedo, enquanto o orvalho estiver caindo. Quando todos os cavalos estiverem brincando: o preto, o alazão e o tordilho. Por fim, a criança pede mais um outro pedaço de açúcar para seu pônei Johnny, pois, depois, irão adiante. E o cavalo pônei vai relinchando, enquanto ela canta e cavalga.

No refrão, as crianças cantam em conjunto:

“Por todo o país, hoje, meu cavalinho trotará.

E então, como recompensa, um torrão de açúcar ganhará.”

Mas, o cavalo pode comer açúcar?

Torrões de açúcar natural, por exemplo, podem ser dados aos cavalos como recompensa depois de uma tarefa bem executada. Mas cuidado!  Recomenda-se de 3 a 4 torrões apenas. Contudo, procure um veterinário antes de sair dando torrões de açúcar para o seu pequeno Johnny!

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03.10.2023 - Krüz-König

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03.10.2023 - Seria a Krüz-König a dança do Rei de Paus?

Entre os grupos típicos, existe uma dança que praticamente todos querem aprender: a “Krüz-König”. Com coreografia de Ludwig Burkhardt e música de Heinrich Dieckelmann, ela surgiu em 1924, em Hamburg-Altona, e faz parte das “Jugendtänze”, danças relacionadas ao Movimento da Juventude Alemã do início do século XX.

Segundo Burkhardt, ela foi composta de forma intuitiva e espontânea. Pensada inicialmente para a diversão entre alguns dançarinos, ela foi ganhando cada vez mais adeptos. Porém, o auge de seu sucesso aconteceu apenas cerca de vinte anos depois, com o lançamento do disco norte-americano da coleção “Folk Dances For All”, de Michael Hermann, trazendo “The German Kreuz Koenig”. Na introdução, o produtor complementa: “Se os seus dançarinos estão empolgados e executaram com maestria as outras danças, então você poderá recompensá-los com a ‘Kreuz-Koenig’. Ela é a dança que todo mundo quer aprender primeiro”.

Conhecida por muitos como a “dança do vôo”, a descrição original não traz essa figura! Porém, o próprio autor acrescenta: “Nunca pretendi acrescentar a figura do vôo. Mas, após testar uma vez com meu próprio grupo, sugiro que, quando quiserem realizar essa liberdade artística, apenas o façam com dançarinos muito bem preparados.” Por fim, Burkhardt acredita que a “Krüz-König” um dia fará parte das “Volkstänze”.

Por ser tão popular, seu nome também apresenta variações. O original em Plattdeutsch é “Krüz-König”, mas, por causa da publicação americana, ela passou a ser conhecida como “Kreuz-König”, na variante oficial do idioma alemão.

Krüz-König nada mais é do que a carta do baralho conhecida em português como “Rei de Paus”, a qual, conforme o baralho francês, representa “Alexandre, o Grande”, rei da Macedônia e líder da expansão grega pelo Oriente.

Apesar de, até o momento, não conhecermos o motivo da escolha de seu nome, poderíamos especular que teria sido a escolha perfeita para nomear essa grande dança!

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02.10.2023 - Mistträppeler

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02.10.2023 - “Mistträppeler”, “Mëschttrëppler” e “Mistträppeler Mazurka” são a mesma dança?

Existem danças ligadas ao ambiente rural que têm praticamente o mesmo nome: “Pisador de Esterco”. Elas são diferentes umas das outras, por mais que tenham pontos em que elas dialoguem.

Quando essas danças foram criadas, a maioria das pessoas trabalhava no meio rural. Assim, grande parte das famílias tinham animais em suas propriedades, em estábulos. Portanto, limpá-los era um trabalho diário. O estrume era levado para fora e depositado em um monte - “Miststock” - e para otimizar o espaço era necessário compactá-lo e deixá-lo bonito, o que podia ser feito à base de pisoteios no lugar certo. Seria essa a origem do termo “Mistträppeler”. A mesma palavra teria sido usada de forma jocosa para chamar as pessoas que cuidavam e alimentavam o gado no curral.

Na Suíça, na região do Emmental, no cantão de Berna, há duas danças com esse tema, que não são a mesma: a “Mistträppeler” e a “Mistträppeler Mazurka”. Ambas são populares, além de serem mazurcas, por mais que a segunda seja a mais conhecida, tendo a coreografia dividida em três etapas - na última repetição agregam uma figura em formato de moinho.

Um dado curioso é que a “Mistträppeler” suíça tem uma “irmã” em Luxemburgo, a “Mëschttrëppler”. Ambas tecnicamente têm melodias similares, entretanto, com coreografias diferentes. Qual teria surgido primeiro? É difícil precisar. De toda forma, nos três casos apresentados as figuras são acompanhadas por passos firmes, representando o pisotear do estrume.

Um dado é importante: indiferente de qual das “Mistträppeler” você estiver dançando, cuidado para não pisar no pé do parceiro. Além de os passos serem mais intensos, causando algum desconforto em quem for pisado, é possível que o outro se sinta comparado a um “cocô”, o que não é nada agradável. 

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz  . Veja a “Mistträppeler Mazurka” suíça em https://youtu.be/jW_5dBu5Mio  e a luxemburguense “Mëschttrëppler” em https://youtu.be/S_K4TfxWlVo  . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br

01.10.2023 - Kontra med Mølle

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01.10.2023 - A “Kontra med Mølle” faz referência ao moinho de Vejle?

“Quando criança, lembro que tinha um moinho na minha cidade. Na época, eu não entendia muito bem para que ele servia, mas lembro que era um ponto de referência: depois do moinho, seguia o caminho para a casa de meus avós. Meus pais contavam que, quando jovens, precisavam levar o trigo até o moinho.”

Com certeza, você já ouviu ou viveu alguma história semelhante. Ela pode ter acontecido nas comunidades de imigrantes no Brasil ou até mesmo em localidades da Alemanha ou da Itália.

O moinho está presente na vida do camponês de diversos países. Da mesma forma, ele aparece como elemento em suas danças típicas. Será que é esse o caso da “Kontra med Mølle”?

Com origem no sul da Dinamarca, especificamente na região de Vejle (pronuncia-se “vaile” em dinamarquês), a dança leva o nome de “contradança com moinho”. Será que existe algum moinho na região que serviu de inspiração para ela?

Vejle é uma cidade dinamarquesa na costa do mar báltico com tradição comercial. Lá, está localizada a ponte mais antiga do país, construída para ligar o sul e o norte da Dinamarca. E não é que Vejle também é conhecida por um outro ponto turístico importante? Exatamente, um moinho de vento!

Por muitos, ele é considerado o símbolo principal da região. O moinho de vento está localizado em uma colina ao sul de Vejle e, assim, pode ser visto de grande parte da cidade. Dele, se tem uma vista impressionante de toda a região.

Apesar de o atual prédio ser de 1890, há registros de que o moinho funciona no local desde 1846. Ele contribuiu para a história da indústria da moagem na região e foi marcado por grandes acontecimentos, como a ocupação de Vejle em 1864 (durante a Guerra dos Ducados do Elba) e seus dois incêndios (1890 e 1938).

Contudo, nos faltam registros sobre a inspiração para a dança “Kontra med Mølle”. De qualquer forma, tanto a dança quanto o moinho de Vejle são dois importantes legados histórico-culturais dessa região dinamarquesa.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/iChHK-SMLzg . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

30.09.2023 - Halber Mond

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30.09.2023 - “Halber Mond” é uma dança da literatura?

Annette von Droste-Hülshoff  é uma das mais importantes escritoras da Vestfália. Nascida próximo a Münster, ela publicou em 1845 a obra conhecida hoje como “Bilder aus Westfalen”. Nela, de forma poética, a autora leva o leitor a uma viagem espetacular e impressionante pela Vestfália.

Claro que Annette von Droste-Hülshoff também dedicou sua atenção aos moradores da região. Com o seu olhar preciso, ela criou um quadro de pessoas simples do campo e da cidade, com suas histórias, seus mitos e suas superstições. É um olhar benevolente sobre os diferentes indivíduos que viviam na Vestfália.

Em seu texto, em um breve trecho, ela menciona as antigas danças que faziam parte da comemoração de casamento. Entre elas, estava a “Der halbe Mond”:

“Depois do jantar, iniciam-se as danças tradicionais: ‘Der halbe Mond’, ‘Der Schustertanz’, ‘Hinten im Garten’, algumas com as mais graciosas voltas e reviravoltas. A orquestra é composta por um ou dois violinos e um contrabaixo. [...] Se o público gosta muito de música, provavelmente algumas tampas de panela e uma peneira de cereais acompanham a batida. Aqui e ali, um rapaz solta um ‘Juchhei’. [...] A cerveja e os destilados são bebidos com moderação. Mas o café é servido aos cântaros.”

Assim como em outras regiões, o casamento na Vestfália também é marcado por uma série de ritos e tradições que tornam a vida do camponês tão singular. Poucos foram os autores que tiveram a sensibilidade de Annette von Droste-Hülshoff para retratar de forma tão poética as tradições dos camponeses.

Apesar de não terem mais informações sobre a dança “Halber Mond” na obra citada, sabe-se que ela era muito popular em várias partes da Vestfália. Segundo o professor Otto Ilmbrecht, antigamente, era comum que ela começasse apenas com o primeiro par, e, a cada repetição da música,um novo casal era acrescentado, até que todos estivessem em movimento.

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29.09.2023 - Tel Aviv

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29.09.2023 - “Tel Aviv” é uma dança ou uma cidade?

A cidade de Tel Aviv é o centro econômico e social de Israel e, dependendo da avaliação do status de Jerusalém sob o direito internacional, é considerada a maior ou a segunda maior cidade do país.

Fundada por uma comunidade judaica em 1909, Tel Aviv era originalmente um subúrbio da antiga cidade portuária árabe de Jafa (Yafo), à qual se uniu em 1950, passando a se chamar oficialmente Tel Aviv-Yafo. Atualmente, é considerada uma das maiores metrópoles econômicas do Oriente Médio.

Com sua fundação no início do século XX, a cidade precisava de um nome. A sugestão posteriormente aceita foi “Tel Aviv”, tradução poética do título do romance utópico de Theodor Herzl para o hebraico. No original, a obra se chama “Altneuland” (a antiga-nova terra) e, na tradução para o hebraico, optou-se por usar o termo “Tel Aviv”, que significa “colina da primavera”.

O nome “Tel Aviv” como indicação de um local surgiu já nas Antigas Escrituras no livro de Ezequiel. “Tel Aviv” seria um outro lugar, na Babilônia, para onde o povo judeu havia sido reassentado.

Apesar de ter uma fundação recente, a região de Tel Aviv-Yafo já é conhecida há muitos anos. Nas Antigas Escrituras, a cidade de Jafa (então chamada de Jope) é mencionada no livro de Jonas. Deus deu a Jonas a tarefa de ir até Nínive e alertar seus moradores do iminente castigo divino. Contudo, Jonas decide não realizar a tarefa e, no Porto de Jope, embarcou em um navio com destino a Társis. Foi nessa viagem que ele acabou sendo engolido por uma baleia.

Também na mitologia grega há referência a Jafa. Segundo versões a partir do século 3 a.C., Andrômeda foi acorrentada em um rochedo em Jafa, de onde foi salva por Perseu. Ainda hoje, é possível avistar lá o rochedo de Andrômeda.

Apesar das poucas referências sobre sua origem, a dança “Tel Aviv”, criada a partir da música de A. Amiran, é uma referência a essa cidade de Israel e a sua história. Ela é um belo exemplo da cultura israelita.

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28.09.2023 - Jibidi

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28.09.2023 - “Jibidi” é a dança da filha do padeiro?

A dança conhecida como “Jibidi” é encontrada na região da Bretanha, no noroeste da França. Em todo o país e em outras regiões, existem variações locais dela. Aqui, vimos já a variação luxemburguesa (Chiberli, 28.01.2023). Além disso, em alguns lugares, ela pode ser encontrada como “Jibidi-Jibida”, “Jibeli”, “Sémeri” ou até mesmo “Jibidi-Jabadao”.

Até o final do século XIX, ela era amplamente encontrada em comunidades do interior. Contudo, hoje em dia, ela está presente basicamente em canções infantis, aparecendo também em algumas publicações sobre danças típicas para crianças. Uma canção com melodia semelhante é a “La fille de la meunière”, a filha do moleiro.

O que a dança tem em comum, independente das variações regionais, é sua composição em dois momentos. Na primeira parte, os dançarinos se deslocam, geralmente em marcha. Já na segunda parte, aparecem os saltos.

Na Alemanha, a “Jibidi” foi publicada como francesa em uma coletânea de danças infantis de diferentes países. Para essa versão, foi escrita uma canção em alemão. Nela, não temos a filha do moleiro, mas sim a do padeiro!

Segundo a canção, a filha do padeiro quer casar com aquele que estiver disponível. Sua mãe diz: “coitadinha”. Seu pai diz: “vai rápido!” E no refrão: “Jibidi, jibida”, a filha do padeiro. Jibidi, jibida, muito rápido quer casar.

Curiosidade: Como a dança é de origem francesa, o “J” de “Jibidi” tem o mesmo som da letra na língua portuguesa.

Será que a filha do padeiro vai achar um bom partido?

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja o vídeo da dança “Jibidi” em https://youtu.be/3Wytry_PzPs . E acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

27.09.2023 - Virginia Reel

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27.09.2023 - A “Virginia Reel” é uma dança de cinema?
Nos tempos anteriores ao rádio, à televisão e à internet, a forma como as pessoas se divertiam era muitas vezes realizando um baile comunitário. Esse encontro reunia diferentes pessoas e geralmente era um grande evento social.
No século XIX, especialmente no sudeste dos Estados Unidos, era muito comum encontrar longas fileiras de pessoas para dançar a “Virginia Reel”, uma das danças mais populares. De região para região, podem ser verificadas pequenas diferenças em sua coreografia.
Para sua execução, eram escolhidas músicas animadas dos velhos tempos, como a “Durang's Hornpipe” ou a “Old Zip Coon” (também conhecida como “Turkey in the Straw”). Acredita-se que ela tenha sido chamada de “Virginia Reel”, pois estudantes da Universidade da Virgínia costumavam dançar esse “Reel” em grandes bailes locais.
Mas onde ela surgiu antes de chegar nos Estados Unidos?
A “Virginia Reel” tem suas origens atribuídas à dança escocesa e foi popularizada na Inglaterra no século XVII. Lá, ela foi publicada pela primeira vez em 1695 na coleção “The English Dancing Master” do mestre de dança John Playford sob o nome de “Roger of Coverly”. Existe uma história que conta que ela teria sido nomeada assim em homenagem a Sir Roger of Coverly, cujo bisavô a teria coreografado em 1766. Mas, se fizermos o cálculo das datas, podemos ver que a informação não procede.
Da Inglaterra, ela foi levada primeiro para os Estados Unidos, onde, como vimos, passou a ser chamada de “Virginia Reel” e, mais tarde, para várias regiões da Europa, onde, por volta do ano de 1900, com o nome de “Sir Roger”, acabou se tornando verdadeira moda.
Às vezes, o que é moda por um tempo acaba caindo no esquecimento logo depois. Contudo, a “Virginia Reel” foi eternizada também no cinema. Ela era tão popular que um pequeno trecho seu ganhou destaque no filme americano “E o Vento Levou” (1939), tendo como dançarinos os protagonistas Scarlett O'Hara e Rhett Butler.
Quer saber mais?
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26.09.2023 - Muffline

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26.09.2023 - A “Muffline” quer dizer “Tia Helena”?
Já dizia um conhecido ditado “não confundir alhos com bugalhos”, já que são coisas totalmente diferentes. Quem sabe se pudesse dizer em alemão, com sentido similar, “verwechsle bitte nicht Muffline und Muslime”?
O nome da dança “Muffline”, também chamada de “Mufline” ou “Muhmlene”, é um diminutivo carinhoso para “Muhme Madalena” - “Tia Madalena/Helene”. Já “Muslime” quer dizer “muçulmano”. Se errar na pronúncia os sentidos se alteram totalmente.
A dança “Muffline” não tem nenhuma conotação religiosa, pelo contrário, está ligada ao namoro, com um jogo engraçado de sinais. Suas três etapas poderiam ser descritas como: 1. encontro, 2. pergunta, 3. comemoração. A segunda é interessante: o rapaz gira seu par para a esquerda, ele olha para ela e diz “E jo!” - seria como um “sim” - e ela retorna, mira o par e responde, acenando com a mão esquerda, “Na, na!” - como um “Não”. Ao repetir a figura, a dama, ao final, apontando-lhe o dedo, responde “Na, jo” - que poderia ser “talvez” ou “ok”.
E onde aparece a Helena nessa história? Será que a pergunta era para ela e, ao final, disse um “talvez” e “ficou para titia”? Ou será que a “tia Madalena” ajudou o casal de alguma forma? Muitas vezes essas danças eram contextualizadas em rimas populares ou canções típicas, que, com o tempo, acabavam perdidas ou dissociadas umas das outras.
O que é possível afirmar é que a “Mufflina” foi publicada em uma coletânea de danças do Schönhengstgau, por mais que o próprio material esclareça que ela não era de lá, contudo sendo ali popular. Outras referências de local da dança seriam Teßtal e a Morávia do Norte. Ela está presente na “Sudetendeutsche Tanzfolge”.
Existe uma outra forma como ela era chamada: “Spitze, Ferse, Fuß”. Esse faz referência direta à primeira parte da coreografia, quando os pares expõem “a ponta, o calcanhar e o pé”. Neste caso, se verifica que nem sempre os dançarinos eram muito criativos nas escolhas dos nomes… mas melhor ser simples e falar certo do que confundirem com outra coisa.
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25.09.2023 - Walzer für Mona

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25.09.2023 - A “Walzer für Mona” é uma dança típica do ABBA?

A banda sueca ABBA é conhecida internacionalmente. Formada em 1972, ela liderou as paradas musicais de vários países nas décadas de 70 e 80. Com grandes sucessos como “Dancing Queen”, “Mamma Mia” e “Fernando”, ABBA é conhecida pelos públicos de diferentes idades.

Mas será que a banda também teve algum sucesso nas danças típicas da Suécia?

Isso é pouco provável, mas entre as novas danças típicas suecas surgiu uma que está ligada ao grupo: “Walzer für Mona”, ou, no original, “Födelsedagsvals till Mona”.

Sabe-se que o nome ABBA vem das letras iniciais dos nomes dos seus componentes, mas, nenhum deles se chama “Mona”. Então, como essa música está ligada à banda?

Os compositores dessa melodia são nada mais nada menos que Benny Andersson e Björn Ulvaeus. Ambos representam as duas letras “bê” no nome do grupo musical. Ela foi um presente para a segunda esposa de Benny, chamada Mona Nörklit, por ocasião de seu aniversário de 40 anos em 1983.

Claro que, na ocasião, ela não passava de uma bela valsa com melodia “folk”, uma das paixões de Andersson. Porém, os compositores não tinham nenhuma pretensão de que ela se tornasse uma dança típica. Pelo contrário, era apenas uma homenagem à Mona. Em 1987, a música foi lançada no primeiro álbum solo de Andersson, o “Klinga mina klockor”, reunindo diferentes “folks” suecos. Em pouco tempo, o disco tornou-se um grande sucesso nos países escandinavos.

Algum tempo depois, Ann-Louise Jönsson criou uma coreografia para essa música. Rapidamente, ela se tornou um sucesso entre os grupos típicos suecos, especialmente pela bela melodia e também pela interação constante entre os dançarinos.

Apesar de não ser uma dança típica da famosa banda sueca, podemos dizer, contudo, que eles também foram responsáveis por essa criação única, afinal, sem essa bela música, talvez não teríamos essa bela dança.

Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/4fUCBLIp2-Y e Benny Andersson tocando em https://youtu.be/h96dPxmmJ8I . E acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br.

24.09.2023 - "Sterntanz” bávara?

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24.09.2023 - Qual a coreografia correta da “Sterntanz” bávara?

Considerada uma das mais bonitas danças bávaras, a “Sterntanz” é da família das “Laubentänze”: coreografias onde um par guia os demais, todos conduzindo arcos enfeitados com ramos e fitas, a realizarem figuras, ao estilo “Polonaise”. O que a diferencia de sua prima “Reifentanz” e sua irmã “Kronentanz” é o uso de arcos com pontas.

Segundo o “Bayerischer Tranchtenverband”, após Sepp Pfleger, de Peißenberg, ter apresentado pela primeira vez a “Kronentanz” - Dança da Coroa - em 1927, com seus arcos arredondados, Hartl Mayer, de Weilheim, teria tido a ideia da “Sterntanz”. Supostamente em uma noite estrelada, ele vislumbrou a possibilidade de usar arcos com pontas para compor sua nova dança.

Ela foi apresentada em agosto de 1930, em Rosenheim, no grande “Trachtenaufmarsch”, sendo considerada perfeita para o evento. Mostraram 15 figuras, entre elas as realizadas em círculos, fileiras e em formações cruzadas, com os arcos na horizontal e vertical. Não demorou para que outras associações de trajados - “Trachtenvereine” - adotassem a dança.

Em 1952, Sepp Pfleger publicou uma versão “melhorada” da “Sterntanz”. Com seis pares, ele agregou figuras, como as pirâmides, formações em trios, a cúpula dos rapazes e novas estrelas expostas na vertical. Frente às novidades de Pfleger, os grupos que já a praticavam simplesmente passaram a misturá-la com o que fora apresentado por Mayer. Mais do que uma dança, surgiu um estilo.

O que se observa na atualidade é que a “Sterntanz” se tornou uma dança “viva”, já que seus intérpretes acabam apresentando-a de diferentes maneiras, com quantidade distinta de pares, mesmo que tenham como base os trabalhos de Mayer e Pfleger. Geralmente fazem uso de marchas tradicionais bávaras para conduzir os dançarinos, não tendo um tempo limite para sua execução. Mantêm um diálogo constante entre o passado e o presente, fazendo com que cada execução seja única.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz  e veja a dança em https://youtu.be/0aQrpemKhu4  . E acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br  .

23.09.2023 - Stockholms Schottis

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23.09.2023 - Será que a “Stockholms Schottis” é realmente de Estocolmo?

Já vimos aqui que muitas danças que levam o nome de um lugar, geralmente, não têm origem naquela região. Será esse o caso da “Stockholms Schottis”?

O nome Estocolmo tem origem na junção das palavras suecas “stock”, que significa tronco e também pode significar fortificação, e “holm”, que significa pequena ilha, uma referência à pequena ilha de Stadsholmen, que deu origem à cidade. Essa “ilha fortificada” se tornou a maior cidade de toda a Escandinávia.

Ao que tudo indica, esse xote realmente vem da Suécia, cuja capital é Estocolmo. Porém, nenhum registro indica que sua origem seja exclusivamente na capital. De qualquer forma, é uma homenagem a essa importante cidade.

O que poucos sabem é que a dança é acompanhada por uma canção. Nela, uma pessoa pergunta:

“Você quer vir até mim?

Deitar aqui ao meu lado?”

E ela continua:

“Eu não vou fazer nada

Olhar, mas não tocar”

“Então, quando você adormecer

Profundamente e completamente adormecida”

“Então, minha pequena Greta

Você não vai saber o que está acontecendo”

Claro que a canção permite uma série de interpretações. Ao pensarmos na função de uma canção em uma dança popular, muitas vezes ela servia apenas para auxiliar na contagem dos compassos e a gravar a melodia da dança para que, caso os músicos não estivessem disponíveis, ela pudesse ser executada mesmo assim.

Já outras canções trazem situações que procuram ensinar algo, semelhante à função dos contos de fadas. Outras ainda já trazem uma conotação de diversão, de ofensa ou até de cunho sexual. Com o tempo, muitas dessas canções deixaram de ser registradas, pois, quem a estava anotando, considerava a letra inadequada ou inclusive depravada.

A canção acima pode ser interpretada como um ensinamento para os jovens não caírem na lábia de certas pessoas que, apesar de dizer que não vão fazer nada, estão cheios de más intenções.

Porém, isso tudo é suposição. Assim como a exata origem da “Stockholms Schottis”.

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22.09.2023 - Honakischer

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22.09.2023 - Você gosta de dançar a “Honakischer”?

“Honakischer”: amada ou odiada? Por vezes ganha posição de destaque no cronograma de danças dos bailes típicos bávaros e austríacos… em outras nem é cogitada… Mas por qual motivo há essa dualidade?

Primeiramente, a “Honakischer” é também chamada de “Honakisch” ou “Wadl-Schinter”. Com base em registros, foi recolhida em 1941 pelo Prof. Otto Eberhard, em Henndorf am Wallersee, na região austríaca de Salzburg.

O motivo real do nome é uma incógnita, contudo existem algumas teorias. De acordo com o “Salzburger Volksliedwerk”, no século XVIII apareceu em Mark uma dança chamada “Hannakischer” e esta se tornou moda nos círculos sociais urbanos. Era uma espécie de mazurca lenta, onde os casais, em “Kreuzfassung”, apoiavam-se nos calcanhares.” Será que teriam ligação?

Mas não é pelo nome que ela ganhou afetos e desafetos: é pela coreografia. A “Honakischer” não só exige condicionamento físico, como também, para muitos, parece estranha. Daí alguns dançarinos se perguntam: vale a pena se cansar por ela?

Dividida em três partes, a última é a mais diferenciada: com a mão direita tanto o rapaz quanto a dama seguram a perna esquerda do seu par, por trás do joelho dobrado, e aos pulos com a outra perna, dão voltas no diâmetro do círculo do casal. E há uma observação interessante na partitura: nessa etapa deve-se acelerar a música. Claramente não se trata de uma figura “polida”.

Como destaca Erna Schützenberger e Hermann Derschmidt, “talvez essa forma de dança grosseira e selvagem tenha sido ainda mais exagerada”. Vê-se que a “Honakischer” soma adjetivos não muito positivos… por mais que, por uma parcela dos espectadores, ela seja considerada engraçada.

Da mesma forma que ela, para uns, é grosseira, para outros é diferente e um tanto cômica. Para estes ela consegue inovar e alegrar. E sempre há um baile que insiste em agregá-la ao “menu”, para o deleite de seus fãs. O que seria do vermelho se todos gostassem do azul? Gosto não se discute.

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21.09.2023 - Ostländisches Viergespann

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21.09.2023 - A “Ostländisches Viergespann” é uma dança militar?

Segundo os registros encontrados, a dança “Ostländisches Viergespann” surgiu entre os anos de 1932 e 1933 na cidade de Königsberg, Prússia Oriental. Apesar de a música já ser bastante conhecida entre os militares das guarnições do leste do Império Alemão, não haviam registros oficiais sobre seu compositor. Acredita-se que a melodia seja do dirigente musical da 3ª Infantaria dos Granadeiros no período em que esteve em Gumbinnen na década de 1880.

Na partitura da música, indicava-se que ela era conhecida como “Kulligkehmer Nationaltanz”. “Kulligkehmen” era um vilarejo próximo a Gumbinnen. Acredita-se que o nome tenha sido dado já que o lugar ficava próximo do campo de exercícios dos soldados, ou seja, um lugar bastante conhecido por todos. Por ser bastante popular, ela chegou a ser usada em 1932 como a abertura de um programa de rádio de Königsberg.

Apesar de sua música ter tido certa origem militar, a dança “Ostländisches Viergespann” não tem relação alguma com as unidades de infantaria. Além disso, como sua coreografia foi criada entre 1932 e 1933, não é possível classificá-la como dos camponeses da Prússia Oriental.

Contudo, ela faz parte de um grupo de danças típicas conhecidas como “novas danças alemãs”. Ela foi escrita pelo professor Hermann Huffziger, uma grande referência no trabalho com jovens da região próxima a Gumbinnen. Ele foi o responsável por retomar antigas danças típicas e criar novas na região.

Seu nome “Viergespann” vem da formação da dança com quatro pares. Já a referência “Ostländisches” aponta para a localização da própria Prússia Oriental no território leste do Império Alemão. Assim, em tradução livre, pode-se dizer que essa é a quadrilha das terras do leste.

Após a Segunda Guerra Mundial, toda a região da Prússia Oriental passou para o domínio soviético. Hoje, Königsberg é a cidade russa conhecida como “Kaliningrado”.

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20.09.2023 - Chote Carreirinho

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20.09.2023 - O “Chote Carreirinho” é primo do “Siebenschritt”?

O “Chote Carreirinho”, também dito “Carreirinha”, foi coletado na cidade de Parobé-RS, em 1956, no Vale do Paranhana - Brasil, uma área com forte imigração alemã. Na região a dança também era chamada de “Ritsch-Polka”, uma variante em dialeto para o “Rutschpolka”, a “Polca Escorregada”. É claramente uma versão da “Siebenschritt”, não só pela estrutura coreográfica, como também pela melodia e letra.

Sobre a música, era popular nas comunidades teuto-brasileiras ser cantada em alemão. Contudo, provavelmente com a proibição de idiomas estrangeiros nos anos 1940, também surgiram versões em língua portuguesa, como neste exemplo: “este chotes carreirinho / é um chote muito amoroso /pois foi dançando ele / que morreu José Fragoso”. Pode-se notar que não se trata do texto usualmente cantado hoje nos CTGs: "os pares vão marcando e logo desvirando / e a prenda do meu lado faz voltinhas pela mão / o chotes carreirinho é um chotes bonitinho / e todos vão cantando a marcação".

A letra popularizada pelos tradicionalistas gaúchos provavelmente foi adaptada por Paixão Côrtes, “que também criou música regional para aplicar a essa dança”. Mesmo havendo a contagem de 1 até 7, vista em muitos idiomas, seria improvável no Vale do Paranhana da primeira metade do século XX serem recorrentes termos “gaudérios”, como “Prenda” e “Chinoca”, mencionados na música atual. A canção foi “agauchada” dentro do contexto da época, o que seria muito compreensível. 

Na atualidade o “Chote Carreirinho” faz oficialmente parte do cânone das danças tradicionais gaúchas. Está em publicações e se faz presente em grandes eventos culturais, como na Semana Farroupilha, além do destacado ENART - Encontro de Artes e Tradição Gaúcha. É exemplo de como as identidades regionais, repletas de manifestações, estão amplamente interligadas, mesmo quando não se fazem perceptíveis as suas pontes.

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19.09.2023 - Untersteirer Ländler

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19.09.2023 - A “Untersteirer Ländler” soma “Gstanzln” e “Paschen”?

A “Untersteirer Ländler”, segundo registros, foi recolhida nos anos de 1940 junto às localidades de Mureck, Bad Radkersburg e Klösch, na divisa com a Eslovênia. O nome da dança faz referência à Baixa Estíria - Untersteiermark -, região que fica em grande parte dentro de território esloveno, enquanto que a área da Estíria Central e do Norte estão dentro do austríaco.

A "Untersteirer Ländler" é um bom exemplo de dança que soma coreografia típica, “Gstanzln” e “Paschen”. Mesmo estando dentro de uma mesma melodia, cada etapa tem seu momento específico.

Iniciando pela coreografia, essa Ländler tem como característica movimentos rápidos, com três passos corridos por compasso. Seus movimentos ligeiros e controlados, com flexões leves dos joelhos, dão-lhe dinamismo e fluidez. Uma de suas principais características é que os casais, através de seus giros, pareçam ficar com os braços enozados.

Já os “Gstanzln” ocorrem na segunda parte desta dança. São rimas de quatro ou oito versos - como as “quadrinhas” -, cantadas em dialeto pelos rapazes. Geralmente têm temáticas como a vida no campo e relacionamentos, mantendo tom irônico e zombeteiro - “Spottlieder”, como se vê neste exemplo - em tradução livre:

“Mei Dirndl hoaßt Anerl, (minha mulher se chama Anna)

Hot schneeweiße Zahnerl, (tem dentes brancos como a neve)

Und schneeweiße Knia, - (e joelhos brancos como a neve)

Oba gsegn hab is nia.” - (mas ver eu nunca vi)

Já os "Paschen" são palmas ritmadas feitas pelos homens, bastante típicas em danças alpinas. Podem ocorrer também no contra-tempo da melodia. Elas interagem com a música como uma grande brincadeira, sendo que os participantes não necessariamente atuam em sincronia.

Assim, trata-se de uma composição alegre, que não só se manifesta através da melodia e coreografia, mas também pela canção, idioma, percussão corporal e forte identidade regional. Um belo exemplo de como a cultura popular pode ser plural e multifacetada.

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18.09.2023 - Stettiner Kreuzpolka

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18.09.2023 - A “Stettiner Kreuzpolka” já foi dançada no rádio?

Na década de 1930, uma publicação contava sobre uma dança pomerana que se tornou famosa em uma época em que não havia discos e nem rádio. Ela teve origem em um vilarejo da região de Pyritz e ganhou o mundo.

Apesar de a coreografia ser mais antiga, a música foi composta por Siegmund Schlichting. Morador de Beyersdorf, foi lá que, no ano de 1879, ele compôs a “Beyersdorfer Kreuzpolka”. Executada pela primeira vez em uma festa do vilarejo, logo se espalhou pelas demais localidades da região. Em 1883, ela foi publicada por uma editora de Stettin com outro nome: “Stettiner Kreuzpolka”. A partir de então, a melodia se tornou muito popular em toda a Europa.

Mas, tendo feito sucesso em um período em que a radiodifusão nem existia, será que a “Stettiner Kreuzpolka” já foi dançada no rádio? Tocada, talvez sim. Mas dançada?

Em 1926, a rádio de Stettin trouxe um programa com quadrilhas da Pomerânia. Para o momento, a música foi tocada ao vivo pela orquestra da emissora e as coreografias ficaram sob responsabilidade do “Stettiner Tanzschar”. Como a dança é algo para os olhos, antes da execução, cada dança foi explicada aos ouvintes pelo professor Willi Schultz.

Será que o programa agradou os ouvintes?

O retorno foi muito positivo! Alguns relataram como foi bom poder ouvir verdadeiras melodias de camponeses e não apenas músicas da moda, ainda mais podendo escutar e acompanhar os passos, saltos e batidas dos dançarinos, como em um salão de baile. Outros, especialmente os mais antigos, conseguiam até imaginar a dança acontecendo.

Com isso, um segundo programa foi realizado em 1927, no mesmo estilo, mas com outras danças pomeranas, não apenas quadrilhas. Será que a “Stettiner Kreuzpolka” estava junto? Imagina-se que sim! Porém, como não foi encontrado mais nenhum registro da rádio sobre suas atividades, não é possível precisar.

Você conhece algum programa de rádio que toca danças típicas? Conte aí para nós!

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17.09.2023 - Schlupper

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17.09.2023 - A “Schlupper” é uma Ländler do Hessen?

No sul do Hessen fica uma região repleta de história: o Odenwald. A área também se estende para dentro de Baden-Württemberg e da Baviera, já que sua demarcação é anterior ao próprio mapa atual da Alemanha. Foi lá que o pesquisador Hans von der Au (1892-1955) registrou a “Schlupper”.

Diferente dos tradicionais movimentos rodados, devidamente posicionados de modo enlaçado ou em círculo, que mantêm estruturas clássicas das Volkstänze, a “Schlupper” seguiria, em sua origem, uma tendência mais livre e menos presa aos compassos. Teria se comportado quase como uma brincadeira.

Sobre ela, Herbert Oetke coloca: “uma dança típica e difundida no Hessen é o “Schlupper”, em que os dançarinos giram com os braços arqueados - “schluppen”, como se costuma dizer por lá. A execução desta figura é recorrente em muitas danças dessa região, como na “Schnicker” e na “Lauterbacher”. O “Schlupper” combina as antigas formas de Ländler e de valsa, como são geralmente conhecidas.”

E o que quer dizer “schluppen”? Pode ser “escorregada” ou também tem a chance de representar um movimento de laço. Observando a dança, lembra um “looping”, um giro. A descrição do passo, na publicação “Deutsche Volkstänze” de 1952,  diz: “o rapaz e a moça se dão as duas mãos ou engancham-se com os dedos do meio. Se mantendo no lugar, fazem uma volta sob os braços levantados com dois contra-passos - ele girando para a esquerda e ela para a direita.” Também é possível ver movimento similar na tradicional “Schwälmer”, igualmente do Hessen, de conhecimento de Hans von der Au.

Assim, a “Schlupper” não seria somente uma dança do Odenwald: ela sintetizaria parte de um modo das comunidades do Hessen de se expressarem através do movimento. Se ela é encarada como uma Ländler ou uma valsa, é um elemento secundário. Como teria dito um viajante ao conhecer esse repertório regional “deve ser uma felicidade dançar essas danças”.

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16.09.2023 - Münchner Polka

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16.09.2023 - A “Münchner Polka” é a dança da Oktoberfest?

De modo objetivo, a resposta é NÃO! Mesmo que Munique seja a cidade onde iniciou a “Oktoberfest”, em 1810, inexiste relação entre a festa e a “Münchner Polka”. Por sinal, essa dança nem nasceu na capital bávara, o que a distancia ainda mais de uma relação histórica com a popularmente chamada “Wiesn”.

Mas de onde veio, então, a “Münchner Polka”? Christoph e Michael Well afirmam que Erna Schützenberger a registrou em 1930 em Nottau, na Floresta da Baviera, a cerca de 200 km de Munique. De toda forma, ela pode ter nascido em outro lugar. Também há apontamentos que a ligam à Floresta da Boêmia.

Qual o motivo, então, de chamarem-na de “Polca de Munique”? Segundo os irmãos Well, o termo viria de “Langsame Polka”, a “Polca Lenta”. Já de acordo com Walter Bucksch, haveria uma localidade conhecida como “München” em Markt Hutthurm, a aproximadamente 15 km de Passau, sendo o nome da dança ligado à esta comunidade e não à capital bávara.

O que se pode afirmar com certeza é que a melodia e a coreografia acabaram por se espalhar para outras partes da Baviera - inclusive para a capital Munique, como pode ser visto no famoso “Kochelball” ou no “Kirchweihtanz”. Também cruzou as fronteiras do Estado, chegando à Baden-Württemberg e à Áustria. Ganhou, nesse movimento, variantes, sendo apresentada de modos diferentes em diversas publicações.

De toda forma, por mais que na Oktoberfest de Munique se toque música ao vivo nos vários pavilhões da festa, atingindo mais de 120.000 pessoas sentadas, há pouquíssima incidência de espaço para dançar - praticamente restrito a dois locais com tablados pequenos na “Oide Wiesn”. O tradicional local da “Festa de Outubro” para os amantes da dança é em cima dos bancos - de 177 cm x 23,5 cm - dos pavilhões das cervejarias, onde podem dar uns pulinhos. Ali, infelizmente, não há espaço suficiente para as “Volkstänze”, nem mesmo para a “Münchner Polka”.

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15.09.2023 - Seyras

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15.09.2023 - A “Seyras” tem origem em uma canção revolucionária?

Entre as danças de Hamburgo e região, é comum encontrar o termo “Sayra” ou “Seiras”, como sinônimo de “quadrilha”, como por exemplo, nas danças “Seyras” e “Kontra Sayra”.

Mas de onde vem esse termo, já que ele não parece ser em alemão ou “Plattdeutsch”? Segundo um artigo da “Bundesverband für Deutsche Tänze”, é provável que a expressão tenha origem na canção revolucionária francesa “Ça ira”, cuja base melódica remonta à quadrilha francesa “Le Carillon National”, trazida para o norte da Alemanha pelas tropas napoleônicas.

A evidência dessa origem da palavra está num artigo de um jornal de Hamburgo/Altona por volta de 1830, listando as danças populares da época, incluindo a “Ça ira des Küstenfischers”, também chamada de “Seiras Cuntra”.

Com o tempo, o significado original do termo “Sayra” foi perdido e muitas quadrilhas foram renomeadas usando o termo “Quadrille” ou até mesmo “Bunte Tänze”.

No entanto, no início do século XX, ainda era possível encontrar algumas poucas quadrilhas chamadas de “Sayra”. Uma delas é a “Seyras”. Ela foi encontrada na região de Wendland, no estado de Niedersachsen. O que chama atenção é sua figura inicial encontrada também nas danças americanas “square dance”, conhecida como “grand square”, o grande quadrado - já que os dançarinos se movimentam sobre a linha de um quadrilátero.

Aí que surge a dúvida, como essa figura atravessou o oceano? Acredita-se que ela tenha sido dançada inicialmente na Alemanha e, posteriormente, levada por imigrantes alemães para os Estados Unidos, onde a figura foi incorporada nas danças locais.

Apesar de não ter nenhuma relação melódica com as quadrilhas francesas ou americanas, “Seyras” representa a aproximação entre culturas a partir de seu nome e de sua principal figura.

Curiosidade: apesar de, na dança alemã, ela ter virado sinônimo de “quadrilha”, a expressão “Ça ira” significa “vai ficar tudo bem”, e assim iniciava o texto da canção revolucionária francesa.

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14.09.2023 - Heilsberger Dreieck

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14.09.2023 - “Heilsberger Dreieck” é uma dança da Prússia Oriental ou de Berlim?

Esta dança traz em seu nome alguns aspectos históricos bastante interessantes. Ela foi criada pelo compositor alemão Heinz Lau, nascido em Stettin, e que viveu a última década de sua vida em Berlim. Talvez ela tenha ficado um pouco ofuscada por outra produção do compositor: “Das Fenster” (17.02.2023).

O nome “Heilsberger Dreieck” é muito mais conhecido na história da Alemanha do que na dança. Ele nada mais era do que uma posição fortificada para proteger a Prússia Oriental, construída entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.

Após o Tratado de Versalhes (1919), a Prússia Oriental foi isolada do Império Alemão, não tendo mais ligação territorial. Por isso, algo precisava ser feito para proteger a área ao redor de Königsberg (hoje: Kaliningrado, Rússia). Contudo, as disposições do Tratado de Versalhes previam uma distância mínima de 50 km da fronteira para a construção de fortificações e instalações militares. Com isso, na Prússia Oriental, elas somente podiam ser construídas em uma área triangular próxima à cidade de Heilsberg. Foi exatamente ali que foi edificado este complexo militar chamado “Heilsberger Dreieck”: o triângulo de Heilsberg.

Agora está tudo explicado: a dança tem relação com essa fortificação militar construída antes da Segunda Guerra Mundial! É isso? Claro que não!

 

Vamos adiante. Apesar desse interessante aspecto histórico, a origem da dança é mais simples. Ao pesquisarmos um pouco mais, o nome “Heilsberger Dreieck” aparece também em Berlim para indicar uma área triangular junto à rua Heilsberger Allee, próximo ao Estádio Olímpico de Berlim (Olympiastadion Berlin). Era nessa região que residia o Heinz Lau (lembra dele?) Isso mesmo, o compositor da “Heilsberger Dreieck” - e da “Das Fenster” - residia ali e nomeou sua composição a partir do seu endereço.

Simples não? Agora sim o mistério está resolvido! Essa nova dança alemã tem sua origem em Berlim.

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13.09.2023 - Quatro Passi

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13.09.2023 - O Chote de “Quatro Passi” se canta em italiano no Brasil?

Sim! Segundo publicação do extinto Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore - IGTF, o “Chote de “Quatro Passi” é uma variante do Chote Gaúcho, com letra em italiano, também conhecido como “Chote a lá Italiana”.

Segundo o mesmo material, “ele teria sido recolhido em janeiro de 1966 por Antônio Augusto Fagundes entre professores rurais, que se encontravam no município de Osório por ocasião de um curso de formação para professores e que procediam dos municípios de Anta Gorda, Arvorezinha e Erexim”, todos no Rio Grande do Sul”.

Em Arvorezinha era conhecido como “Chote Figurado”, “Quatro Passos” ou mesmo “Tiritomba”. Há relatos de que dança similar teria sido vista no município de Pinto Bandeira, também uma comunidade formada por imigrantes italianos.

E se visto e ouvido, pode-se perceber que o Chote de “Quatro Passi” é parente direto de outras danças de sete passos encontradas na Itália, como o “Settepassi”, “I Siet Pas” e o “Cori cori Bepi”. Também tem relação com versões da “Siebenschritt” encontradas na Áustria, Suíça, Alemanha, República Tcheca, Luxemburgo, Polônia, entre outros locais.

Vejamos a primeira estrofe da “Quatro Passi”: “Quatro passi si fá cosi, cosi / Quatro passi si fá colá, colá / Due di quá due di lá / Lá biondina me vuoi abraciar”. Já a “I Siet Pas” italiana fala: “Un, doi, trê, cuatri, cinc, sîs, siet (2x) /  Un, doi, trê, (2x) / bambinute ven cun me”. Além de ambas terem a mesma métrica musical, as duas também usam o sistema de contagem dos passos como tema da canção. É um contexto visto também nas variantes de outros idiomas.

Mas quem sabe para os gaúchos o parente mais destacado do “Quatro Passi” não seja uma melodia européia. Provavelmente o primo distante, que veio com a imigração alemã, seja o mais “íntimo”: o “Chote Carreirinho”. Sobre ele seguiremos a conversa em 20.09.2023 no “Ein Tanz pro Tag”.

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12.09.2023 - Marchfelder Landler

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12.09.2023 - A “Marchfelder Landler” é um presente de aniversário?

Existem diferentes “Landler” nos Alpes e grande parte delas tem relação com um local, como a de Blindenmarkt, Feistritz, Ottenschlag, Untersteirer, Zillertal. Estas são só algumas delas. E quando uma localidade ou região não tem sua própria Landler? Ou podem se conformar com isso, ou acabar criando uma.

Na região de Marchfeld, na Baixa Áustria, isso também aconteceu, mas por um motivo especial e diferenciado: dois aniversários marcantes, dos dançarinos Franz Binder e Robert Fritz da “Volkstanzgruppe Marchfeld”. A ideia veio por decisão do grupo já que a data era especial: ambos completaram 60 anos. Uma dança seria o presente perfeito para eles. Desse modo, incumbiram o músico principal do grupo, Gerhard Kinast, para essa tarefa.

Assim surgiu a “Marchfelder Landler”. O trabalho foi cumprido em apenas três dias, somando passos típicos e uma melodia que Gerhard já tinha em mente. Segundo o próprio grupo, a criação da dança não teve influência de outras pessoas da comunidade. “Todos gostaram imediatamente. Foi feita com o objetivo de ser variada, divertida e não muito difícil. A música deveria ser adaptada aos participantes.”

O teste da “Marchfelder Landler” foi realizado por um casal de dançarinos do grupo em uma semana de danças típicas em Bad Waltersdorf. Após testada “a dança foi finalizada e o grupo pôde começar a aprendê-la, para ser a surpresa do aniversário”, contaram. Em 31.08.2019 ocorreu a tão esperada festa.

A “Marchfelder Landler” está alinhada a um princípio base do seu grupo: o enriquecimento da vida cotidiana. Ela trouxe pluralidade, mantém tradições e tem um real significado para a identidade local. Aos poucos ela está se espalhando e chegando a outros locais... e já chegou à região de Viena!

Mostra que a qualidade e o valor de uma dança não dependem do tempo de sua existência: seu significado e sua estrutura fizeram toda a diferença. Agradecemos à “Volkstanzgruppe Marchfeld” pela bela iniciativa. 

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11.09.2023 - Pankepolka

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11.09.2023 - “Pankepolka” é a polka de um rio?

“Pankepolka” é uma das novas danças de Berlim e faz menção ao “Panke”, o quarto maior rio de Berlim. Ela foi criada pelo “Berliner Volkstanzkreis” e, de certa forma, o rio é especial para seus integrantes, uma vez que seu percurso passa exatamente pela região onde o grupo está estabelecido. Por isso essa homenagem a ele.

Sua nascente é em Bernau, cidade ao norte de Berlim. De lá, ele passa pela comunidade de Panketal e, depois, vinte de seus vintenove quilômetros estão dentro de Berlim, no distrito de Pankow. Tanto Panketal quanto Pankow recebem seus nomes a partir do rio.

O nome “Panke” tem origem eslava e possivelmente vem da palavra “pak”, que significa “botão” (de planta), pois a bacia do rio vai crescendo no mesmo formato que o botão de uma planta. Outra possível origem seria o termo eslavo “ponikwa”, que significa “água em turbilhão”, por causa do volume do Panke, especialmente nas enchentes de outono e primavera.

O Panke convida os moradores de Berlim a belos passeios. Um dos lugares mais procurados é o Schlosspark (ver a dança de 22.05.2023), em Pankow. Porém, hoje, a beleza do Panke está escondida ao longo de seu percurso. Por isso, especialmente em seu trecho final, ele deverá ser “renaturalizado” nos próximos anos.

Mas o que é isso? Algumas medidas serão adotadas para que o Panke, apesar de ser um rio limpo, possa ter mais vida dentro da água e também em suas margens. Uma ação é a construção de uma escada para peixes, facilitando o deslocamento no período de reprodução. Outra intervenção a ser feita é dar novamente a ele a possibilidade de ter curvas em seu percurso, especialmente nas regiões de várzeas. Com o tempo, o leito do rio foi alterado em alguns locais e, em outros, as margens foram concretadas, tirando do Panke seu caráter natural.

O distrito de Pankow e toda a cidade de Berlim estão prontos para devolver ao Panke suas características naturais.

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10.09.2023 - Da Howansook

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10.09.2023 - O que tem no saco de aveia da “Da Howansook”?

Para uma parcela dos agricultores do Egerland o cultivo da aveia era uma parte importante da economia, assim como o da cevada, trigo e linhaça. Do beneficiamento desses produtos, parte feito no moinho, era aproveitado quase tudo, tanto para a comunidade quanto para os animais.

A aveia também fazia parte de algumas tradições do Egerland, como o “Ostersaat”: contam que dez dias antes da Páscoa se colocava em pratinhos sementes e estas eram postas ao sol. Onde viessem brotos era colocado um ovo pintado. Outro exemplo era dar o “G'leck” - uma ração com aveia, farelo, sal e, muitas vezes, maçãs e nozes - aos animais na véspera de Natal. Há diferentes usos da aveia durante todo o ano, inclusive como produto de troca.

E qual a relação dela com a dança “Da Howansook”? O nome! Também chamada de “Der Habernsack” - em Hochdeutsch “Der Hafersack”, em português “O Saco de Aveia”. O termo pode ser sinônimo de “saco de tecido para carregar cereais”, ou uma bolsa para alimentar cavalos. Sobre esse contexto, veja a narrativa a seguir, que está dentro da canção da “Da Howansook”:

Um agricultor, provavelmente jovem, vai ao moinho, mas ele ainda não juntou os cereais. Chegando lá, ele conversa com a moleira: “Olá, olá, Sra. do Moinho! Onde coloco meu saco de aveia?”. Ela responde: “Ah, coloque naquele canto! Encoste-o na cama da minha filha!”. E assim ele fez. E não demorou, no saco de aveia aparecem “mãos e pés”… e se escutou a filha chamando: “Mamãe!”.

Esse “Howansook” está mais para “Cavalo de Troia”? Tinha alguém lá dentro? Com certeza não era aveia. É interessante que nesta estrofe final os dançarinos estão em pares - diferente dos círculos vistos anteriormente. Pode ser um indício de que estava no saco o parceiro da filha dos trabalhadores do moinho? …ou um pretendente? Mas se ela chamou pela mãe, o plano dele não deu certo.

A vida é cheia de tradições e surpresas. Como diria um ditado albanês: “Quando você tem figos em seu “saco de aveia”, sempre vão procurar a sua amizade”. E se tiver uma pessoa lá dentro? Hum…

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09.09.2023 - Kegelkönig

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09.09.2023 - O que é o“Kegelkönig”?

Na Romênia existe uma comunidade de língua alemã bastante conhecida: o “Siebenbürgen”, também chamada de “Transilvânia”. Nesta região, muitos hábitos dos alemães e austríacos, que há séculos para lá migraram, se mantêm vivos. Com o passar do tempo, esses modos de vida foram acrescidos de novos elementos, assimilando características locais e se ajustando às realidades específicas.

O projeto “Ein Tanz pro Tag” já mostrou anteriormente algumas das que vieram do “Siebenbürgen”, como a “Siebenbürger Rheinländer” (07.07.2023) e a “Neppendorfer Landler” (06.03.2023). Por outro lado, algo que nem sempre é abordado é que o jogo de Bolão, o “Kegel”, acabou chegando lá. É da soma desse esporte com os bailes típicos que provavelmente surgiu o “Kegelkönig”.

Quem é o “Kegelkönig”: nos territórios onde se fala alemão, ele é o Rei do Bolão, o vitorioso do campeonato desse esporte - um parente do Boliche. Esses vencedores ficam registrados no “panteão” das sociedades de bolão, que é geralmente uma parede ou placa onde é imortalizada a “realeza” de cada ano.

O nome do jogo é relacionado ao pino central - o “Kegel” -, de um conjunto de nove, que fica posicionado em formato de losango ao final da pista. Recebe mais pontos aquele que, com a pesada bola, consegue derrubar todos. Em alguns locais é normal gritarem “Alle” - tudo - quando isso acontece.

Já sobre a dança, não há realmente uma precisão de onde nasceu a “Kegelkönig”, por mais que ela seja atribuída ao “Siebenbürgen”. Como existem outras coreografias de “Kegel” no norte da Europa, com estrutura similar à dita romena, é possível que sua base tenha vindo de fora e, depois, acabassem ajustadas pelos Siebenbürger Sachsen. Há a possibilidade dela ter sido trabalhada pelos emigrados da Transilvânia em outro local, inclusive pelos que voltaram para a Alemanha no pós Segunda Guerra.

Mesmo sem precisar informações sobre a dança do “Kegelkönig”, ela carrega em si muito do contexto do Bolão e como esse esporte amador se manifesta na comunidade. Também mostra como a cultura transita de modo não linear.

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08.09.2023 - Gänserich

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08.09.2023 - Quem é o ganso na “Gänserich”?

Brincar! É um processo atribuído às crianças… mas é presente junto a todos os seres humanos. Para os adultos pode ser chamado de jogo, ou distração, ou passatempo, … e em muitos casos pode também se manifestar como uma dança, mesmo ainda sendo uma brincadeira. Sem dúvida a “Gänserich” faz parte dessa realidade.

Essa dança austríaca é simples, intuitiva e instigante. Há um rapaz a mais do que o número de moças. Elas formam uma roda, com a face virada para o centro, e erguem as mãos formando portões. Paralelamente o dançarino puxador da fileira conduz, em marcha, os demais, em corrente, pelas torres das damas. Quando o ritmo da música muda de surpresa- geralmente para uma valsa ou chote - os rapazes se soltam e correm para capturar rapidamente um par.

O homem que sobrar é chamado de “ganso” e vai ser o próximo a liderar a fila, reiniciando a brincadeira. Daí que vieram os nomes “Gänsetanz” - Dança do Ganso -, “Gänserich” - Ganso -, “Ganausertanz”- Dança do Ganso, em dialeto -, “Spatzentanz”- Dança do Pardal -, entre outras variantes. Há versões onde o primeiro da fileira que encontra um par acaba por sair do “jogo”, tornando a coreografia eliminatória. Os últimos dois rapazes disputam ferrenhamente quem ficará com a dama restante. É como a brincadeira da “Dança da Cadeira”: ninguém quer perder.

Assim como acontece em uma recreação, na “Gänserich” existe bom humor, risadas e piadas entre os presentes, com trotes e disputas cômicas. Contam que em alguns lugares um dos presentes pergunta “Onde está o Schwab?” e eles respondem “Aqui está o Schwab!”, fazendo menção ao “ganso”.

Nestas figuras simples existe um jogo de improvisos e surpresas, instigando que um tente ganhar do outro. Contudo, mais do que a vitória, se busca um passatempo lúdico. E sendo uma tradição, essa dança passa a ter um papel acolhedor dentro da comunidade, onde podem se divertir do mesmo modo que seus antepassados o fizeram.

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07.09.2023 - Lauterbacher

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07.09.2023 - Quem dança a “Lauterbacher” perde uma meia?

Contam que, com espírito aventureiro, um jovem fabricante de meias decidiu sair do sul da Alemanha e viajar pelo mundo. Quando o frio do inverno chegou, ele teve que dar uma pausa em seu tempo de andarilho: encontrou na pequena localidade de Lauterbach, junto a um mestre fabricante de meias, trabalho e alojamento.

Quando despontou a primavera ele viu que podia continuar sua jornada e fez as malas; contudo, acabou esquecendo lá um pé de meia. Em cada lugar que fosse ele relatava o caso da meia perdida e sobre Lauterbach. Ao encontrar outro viajante, este com dotes musicais, teriam composto uma canção sobre essa história: “Perdi minha meia em Lauterbach e não voltarei para casa sem ela”, cantavam. Teria surgido, assim, a “In Lauterbach hab' ich mein' Strumpf verlor'n”.

Ninguém pode provar a existência desses personagens, entretanto a cidade de Lauterbach hoje tem uma forte base turística e inúmeras representações de seu andarilho sem meia: em souvenirs, monumentos, comércio e, claro, lojas de meias. Algumas vezes ele é representado como uma criança desnuda, somente com uma meia no pé e uma bolsa em forma de tubo. As variantes se multiplicam.

Já a dança está entre as recolhidas pelo conhecido Hans von der Au, por mais que outras publicações também a descrevam. Sua variante mais popular, vista por toda a Alemanha, Áustria e Suíça, usa a base dessa canção. Herbert Oetke destaca que a “Lauterbacher” provavelmente tem suas bases no século XVIII, ganhando versões no passar do tempo. Ela ainda hoje é dançada e cantada nas "Lindenfelser Burgfeste".

Um dado interessante é que, na descrição da primeira parte da coreografia, indica que as moças cantam a “In Lauterbach hab' ich mein' Strumpf verlor'n”. Mostra que, de alguma forma, a história do andarilho segue viva, contada e recontada. A pergunta que fica é: alguém achou sua meia? Naquela época não tinha máquina de lavar roupas para “comê-la”.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e escute uma das versões da música em https://youtu.be/N1u9P9F9uoM  e compare com a dança realizada na localidade de Lauterbach em https://youtu.be/gj2A1YGWC8M .

06.09.2023 - Kesselflicker

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06.09.2023 - “Kesselflicker” é a dança de um artesão ou de um encrenqueiro?

É interessante observar que várias danças dinamarquesas estão presentes no repertório do norte da Alemanha (“Halbe Kette” - 04.07.2023; “Sonderburger Doppelquadrille” - 20.08.2023). Isso se deve especialmente ao fato de que, no início do século XX, muitas publicações em língua alemã sobre danças típicas trouxeram diferentes títulos da Dinamarca e da Suécia.

Uma delas é a “Kesselflicker”. Ela nada mais é do que a dança do remendador de chaleiras. Em seu nome e também em seu passo característico, ela traz o trabalho artesanal desse funileiro que passa em cada vilarejo consertando caldeirões de cozinha e remendando quaisquer rachaduras ou buracos que tenham surgido em chaleiras e outros utensílios de metal.

Algumas obras descrevem esses funileiros como uma espécie de caldeireiros que viajam pelo país com cobre velho e suas ferramentas. Eles passam especialmente por vilarejos no campo e outros lugares mais afastados, nos quais há demanda, porém falta o profissional.

Assim como os amoladores de tesouras, os fabricantes de vassouras e outros artesãos, eles se deslocavam de um lugar para outro com suas carroças e suas famílias. Eles acampavam perto das aldeias e ali montavam sua fogueira e, principalmente, sua oficina. Quando iam às aldeias, recolhiam as panelas e frigideiras que precisavam de conserto.

Eles costumam vagar pelas ruas das cidades e anunciar seu trabalho gritando. Por isso, eles também eram considerados encrenqueiros. Em língua alemã, várias expressões são derivadas dessa profissão: “Ele xinga / bebe como um Kesselflicker” ou “Eles batem / brigam como os Kesselflicker”. Ambas querem dizer que você se manifesta de forma excessiva e barulhenta.

Apesar de a dança ser de origem dinamarquesa, esse artesão existiu e existe ainda hoje em diferentes regiões e países.

E, na sua cidade, também passam profissionais oferecendo seus serviços?

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja-a em https://youtu.be/c-r0NsGeNpM e o áudio em https://youtu.be/q4JiYWfDGSE . Acompanhe nossas redes sociais e o “Boletim Der Hut” às quintas-feiras, 20h, em www.imperial.fm.br .

05.09.2023 - Fjäskern

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05.09.2023 - “Fjäskern” é uma dança apenas para jovens?

“Fjäskern” é uma dança típica encontrada no sul da Suécia. Alguns relatos indicam que ela possa ser dinamarquesa, mas a maioria dos registros aponta que ela é sueca. Parte desses escritos sugerem ainda que é para jovens. Será?

Seu nome significa algo como “corra depressa”. É comum que ela seja dançada durante as comemorações de “Midsommar”, a segunda maior festividade do ano na Suécia depois do Natal. A maioria dos suecos a celebra com parentes, amigos e vizinhos. O “Midsommar” é o solstício de verão e costuma ser festejado na sexta-feira que cai entre os dias 19 e 25 de junho.

Na véspera, é comum erguer-se o “Midsommarstång”, um tronco de árvore decorado com folhas verdes e flores coloridas. Ao redor dele, as pessoas se divertem com diferentes danças típicas suecas.

Antigamente, acreditava-se que a noite de “Midsommar”, de sexta para sábado, era mágica. Os elfos dançavam e os trolls ficavam atrás das árvores. Também era dito que o sereno da manhã poderia curar os animais e as pessoas doentes. Por isso, o orvalho era coletado em uma garrafa para ser usado posteriormente para a cura.

Mas será que a “Fjäskern” é uma dança apenas para jovens?

Sabe-se que ela é uma dança em círculo para casais, na qual os homens ficam do lado de dentro e as mulheres do lado de fora. Ela inclui muita repetição, troca de lugar com os parceiros e palmas. Tanto os homens quanto as mulheres seguem os mesmos passos. A “Fjäskern” começa devagar, mas, à medida que avança, acelera seu ritmo. Porém, quem tem fôlego para ir até o fim? Os mais velhos ou os mais jovens?

 

Especialmente nos dias atuais, sabemos que existem muitos jovens que não têm o pique de muitos idosos. Por isso, não é possível classificar a “Fjäskern” como dança para uma determinada faixa etária. Assim como as comemorações do “Midsommar”, ela é aberta para todas as pessoas da comunidade. O importante é a alegria e a diversão das comemorações do solstício de verão.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a música em https://youtu.be/k39TGcjjZN8 . Acompanhe nossas redes sociais e o “Boletim Der Hut” às quintas-feiras, 20 horas, em www.imperial.fm.br .

04.09.2023 - S’ Luada

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04.09.2023 - A canção da “S’ Luada” tem um xingamento ou elogio?

Interpretar o que se fala é mais do que traduzir, mas quando se tem uma canção em dialeto, como saber seu significado (real)? A letra diz algo positivo ou negativo? Para entender melhor essa situação um bom exemplo é a “S’ Luada”.

Erna Schützenberger coletou essa dança em 1949 na localidade de Hinterschmiding, um distrito de Freyung-Grafenau, na Floresta da Baviera, próximo à divisa da Alemanha com a República Tcheca. Trata-se de uma “Zwiefache”, estilo musical popular entre os bávaros do sul.

Em sua coreografia a primeira parte é uma mescla de giros e valsas - típicas das “Zwiefache” - e a segunda são momentos em que a dupla se separa e se reencontra. Repete quantas vezes a música for tocada. Neste tipo de dança a sincronia do casal é importante, já que os movimentos são rápidos e fluidos.

E onde está a polêmica? Nas duas frases principais: “Luada, kimm a wengerl her” e “Du rumperts, pumperts Luada du”.

Em dialeto bávaro “Luada” significa “Luder”, como se o nome da música fosse “A vaca” ou “A vadia”. Mas analisando o contexto da dança, não teria nenhum sentido, pois em nenhum momento há xingamento ou espaço para chamar a parceira de mulher obscena. Seria como “Vaca, venha um pouco aqui”, algo totalmente grosseiro.

Isso não parece ter sentido. “S’Luada” é um xingamento? Segundo Bernhard Stör, “o termo inicialmente tem um significado negativo: uma mulher obscena. Mas num determinado contexto “Luder” também pode ser um reconhecimento.” Seria quando, em um exemplo, uma moça ganha de rapazes em um jogo de cartas, como Poker, e um deles diz “essa vaca ganhou com dois pares”. Seria um sinônimo de ser “astuta”. Claro que não se trata de uma linguagem formal… e muito menos polida.

Por essa interpretação, “S’Luada”, falando em um contexto popular, pode representar uma mulher hábil e sagaz. Seria ela chamada de “vaca” pelo seu amado, mesmo ironicamente? Quem sabe por tê-lo conquistado, sendo ele um homem rude e complicado. Talvez. Na atualidade existem músicas com um linguajar muito pior do que esse.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/4Emalu3M0eI .

03.09.2023  - Schäi(n) lustigh

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03.09.2023 - Qual a grafia correta da dança “Schäi(n) lustigh u kearngout”?

“Schaulustig”, “Schai(n) lustig”, “Schäi(n) lustigh u kearngout”, “Schau lustig”, “Schön lustig”,... É grande a quantidade de grafias encontradas para o nome desta dança. Qual é o certo? Antes de entrar em possíveis polêmicas ortográficas, cabe conhecer um pouco melhor essa dança.

A melodia e letra, de nome “In Eghaland is schäi(n)”, são atribuídas à Rudolf Sabathil, nascido em 1875 na localidade de Sangerberg, atualmente República Tcheca. Ele era professor, músico e pesquisador de culturas locais - com destaque às tradições e dialetos. Seu conhecimento profundo dos ritmos do Egerland lhe permitiu fazer composições muito fiéis às estruturas musicais de lá somado a bases de marchas. Isso lhe agregou reconhecimento.

Já informações sobre sua coreografia não são precisas. Ela pode tanto ser originária de comunidades no Egerland ou ter sido montada por elas fora de lá, posteriormente à saída desses alemães da região (após 1945). Há um registro que liga essa dança à cidade de Dinkelsbühl, na Baviera, onde muitos “Egerländer” se estabeleceram. Outra descrição cita que foi transmitida por Walter Helm, do Eger, também apontando o Jugendgruppe Wendlingen, do Baden-Württemberg. Pelo arrojo das figuras, ela não é resultado de formação espontânea.

Mas, voltando à forma de escrita do nome, qual delas é correta? Não se tem como precisar isso, pois os dialetos se guiam pela oralidade, sendo o modo de seu registro plural. Assim, há muitas maneiras de escrever a mesma coisa. Além disso, “o que” e “como” se fala algo se altera de aldeia para aldeia, se refletindo na transcrição. É usual encontrar a citação dela como “Schäi(n) lustigh”. O significado pode diferir levemente, dependendo do dialeto e da forma de escrita ou fala, variando em torno de ser muito divertido. A variante mais longa se refere também à letra da música e sobre o Egerland ser um lugar bonito e bom.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a música em https://youtu.be/EoIEFIuH-Ao (minuto 19:00). Acompanhe nossas redes sociais e o “Boletim Der Hut” em www.imperial.fm.br .

02.09.2023 - Anne Marthe

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02.09.2023 - “Anne Marthe” é uma dança de despedida de solteiro?

Em muitas partes da Alemanha, existe ainda hoje uma tradição que antecede o dia do casamento, na qual os amigos costumam comemorar esse momento tão especial com os noivos: a “Polterabend”. Apesar de não ser a mesma coisa, muitos a comparam com uma despedida de solteiro. Já para o matrimônio em si, eles convidam apenas os familiares e as pessoas mais íntimas.

Na antiga Pomerânia, quando tinha casamento no vilarejo, era comum que os jovens juntassem a louça que não podia mais ser usada e levassem para a “Polterabend” na casa dos noivos. Em frente à porta, eles jogavam essas cerâmicas e porcelanas no chão, sobrando apenas cacos. Na manhã seguinte, a noiva deveria varrer tudo e, quanto mais fragmentos ela encontrasse, mais feliz seria sua vida conjugal. Teve vezes que a noiva chegou a recolher uma carroça de lascas de pratos, travessas e baixelas.

Um rapaz em especial também teria muita sorte em sua vida conjugal. Sabe quem? Aquele que se casasse com a bela Anne Marthe. Por quê? Por ser uma bela moça, “leal, trabalhadora e inteligente. Como ela, não tem igual.” Pelo menos é o que diz a canção que é cantada junto à coreografia da “Anne Marthe”. Por sinal, não podiam faltar danças em um matrimônio pomerano. 

E tem mais: a Anne Marthe, para a casa nova, ganhou de sua mãe panelas e frigideiras, e também um grande espelho, além do fogão. Para a subsistência do casal, ela ganharia ainda uma das melhores vacas do estábulo, um barril de cerveja, uma ratoeira (provavelmente precisavam!), doze galinhas e um porco gordo. E, por fim, uma cama pura e limpa como a neve.

E, no refrão da dança acompanhado de palmas, todos cantavam:

“Sim, sim, sim, ela vai ganhar isso, ela vai ganhar isso,

sim, sim, sim, ela vai ganhar tudo isso.”

“Anne Marthe” é uma dança típica da “Polterabend” pomerana e representa em sua canção essa bela tradição do casamento no norte da Alemanha. Costumes semelhantes também são encontrados em outras regiões.

E quais eram as tradições presentes no casamento da sua comunidade?

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e escute às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

01.09.2023 - Schmetterlingstanz

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01.09.2023 - A “Schmetterlingstanz” e a “Annemarie-Polka” são a mesma dança?

Por volta do ano de 1900, em toda a região de Berlim, era encontrada uma dança chamada “Schmetterlingstanz”. “Schmetterling” nada mais é do que o termo em alemão para “borboleta”. Por muitos, ela também era conhecida como “Berliner Polka”, afinal, era uma polca bastante conhecida nesta cidade.

Em um bom baile, ela não poderia faltar! Existem relatos contando que ela era presença constante na lista de danças das melhores festas. Claro que ela não era conhecida apenas na capital alemã e nas proximidades. Foi levada até aos Estados Unidos e, lá, recebeu o nome de “Butterfly”.

A partir de outros registros, percebeu-se que o nome da dança acabava sendo o mesmo da música usada para ela. Em uma publicação de 1934, sugeriu-se que, para ensaiar a coreografia, poderia ser cantada até a tão popular “eine Seefahrt, die ist lustig”.

Hoje, sabe-se que a “Schmetterlingstanz” é uma dança originária da região do “Altmark”, ao norte do estado de Sachsen-Anhalt. Curioso é que, com o transcorrer do tempo, ela passou a ser mais conhecida em Berlim e no estado de Brandemburgo.

Especialmente nas regiões de Lausitz e do Spreewald, ela é encontrada como “Annemarie-Polka”, já que, para dançá-la, costumava-se usar a música “Liebchen, adé”, popularmente conhecida como “Annemarie” ou “Annemarie-Polka”. No texto da canção, o soldado estava partindo e pedia a ela um beijo de despedida.

Porém, como a “Annemarie-Polka” tem direitos autorais, muitos grupos costumam dançá-la com a melodia “Berliner Polka”, cujos “copyright” são livres. Para a “Berliner Polka”, existe também o registro de uma coreografia de “Kreuzpolka” lançada pela antiga Walter Kögler Verlag, mas daí já são danças diferentes.

Dessa forma, pode-se dizer que sim, a “Schmetterlingstanz” e a “Annemarie-Polka” são a mesma dança.

E você teria alguma sugestão de qual outra melodia se encaixa com a “Schmetterlingstanz”? Conta aí para nós!

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja as duas danças em  https://youtu.be/b6XKIQLxBmw  e https://youtu.be/adFQyHD3cao . E às quintas-feiras, 20h, tem o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

31.08.2023 - Bayrisch-Polka

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31.08.2023 - Quantas variantes tem a “Bayrisch-Polka”?

De modo direto, é possível dizer que a “Polca Bávara” tem muitas variantes. Ela é descrita como austríaca; pois apesar de sua base ser a tradicional “Boarische” alpina e estar intimamente ligada ao sul da Alemanha, ela ganhou “sotaques” e foi variada na Áustria. Ela também teria ligação estrutural com as “Rheinländer”.

Karl Horak, em seu livro “Tiroler Volkstanzbuch”, trouxe 9 diferentes opções de “Bayrisch-Polka”, recolhidas na Áustria: Erl, Thiersee, Gallzein bei Schwaz, Vögelsberg bei Wattens, Sarntal, Virgen in Osttirol e Kals in Osttirol. Provavelmente muitas outras existem ou existiram, inclusive tendo outros nomes.

Segundo Horak, a “Bayrisch-Polka” tradicional segue 4 compassos básicos: o par dá um contrapasso para separar-se, outro para novamente juntar-se e, nos dois compassos finais, em posição fechada (Geschlossene Fassung) giram duas vezes. É repetida a sequência tantas vezes quanto a música permitir.

O que se visualiza é que em cada versão da “Polca Bávara” ou é alterada uma figura existente ou uma nova é acrescida; contudo, mantém-se a lógica básica. A maioria das variantes utiliza os mesmos 4 compassos originais em uma sequência coreográfica, mas isso não é uma regra: também pode ser formada por múltiplos de 4.

Mas a pergunta se mantém: quantas variantes tem a “Bayrisch-Polka”? Não se tem uma resposta, pelo menos nesse momento. Se for considerado que essa dança pode já ser uma variante da “Boarische” e, por sua vez, uma subárea da “Rheinländer”, isso faz o cálculo se tornar mais complexo.

Quem sabe a real questão não seja o volume de parentes que uma dança tenha e sim considerar que a cultura popular seja uma grande rede de conexões. Tanto a “Bayrisch-Polka” quanto outras são partes de um grande todo. O importante é saber que tudo está, de alguma forma interligado… só ainda não sabemos como. É o mistério da origem das tradições.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/ e veja a danca em https://youtu.be/ue5YFJyQU2k . Acompanhe nossas redes sociais e escute o Boletim Der Hut às quintas-feiras, 20h, em www.imperial.fm.br .

30.08.2023 - Almelose Kermis

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30.08.2023 - “Almelose Kermis” é uma dança de Kerb?

Um dos festejos mais tradicionais nas comunidades alemãs no Brasil é o “Kerb”. Geralmente, ele é uma festa em comemoração à consagração da igreja (nas comunidades luteranas) ou ao padroeiro (nas comunidades católicas) - contudo, podem existir algumas variações.

A palavra “Kerb” tem origem no termo “Kirchweihe” ou “Kirchenweihe” (consagração da igreja), mesma origem do termo “quermesse”, em língua portuguesa. Nos Países Baixos, é comum encontrar a quermesse com o nome de “Kermis”. Lá, uma festa bastante antiga e conhecida é a quermesse de Almelo, cidade localizada a 10 km da fronteira com a Alemanha. Originalmente, ela era realizada no outono e durava dois dias. A primeira edição foi em 1346. Isso mesmo! Há quase 700 anos.

Em Almelo, as festividades iniciavam com uma celebração religiosa e, na sequência, o toque dos sinos sinalizava a abertura da feira da cidade. O “Kermis” em Almelo sempre foi uma grande festa popular. No início do século XX, ele durava quatro dias: a terça-feira era para as crianças, a quarta-feira para os mais velhos, a quinta-feira para os agricultores e os camponeses e o último dia foi para os mais velhos.

Em toda a região próxima de Almelo, era comum que as festas iniciassem com uma determinada dança que animasse todos a participar. Uma delas era a “Almelose Kirmestanz”. Quando tocavam os primeiros acordes, ninguém ficava parado, todos iam para a pista dar início ao baile.

Mas então, ela é uma dança de “Kerb” ou não?

Possivelmente, a “Almelose Kermis”, assim como outras, fazia parte do repertório das diferentes festividades da região. Estima-se que sua origem seja a própria quermesse de Almelo, a qual, reflete a alegria e a popularidade do festejo na própria dança.

Em 2023, a festa em Almelo ocorre entre os dias 5 e 10 de setembro, de terça a domingo. Que tal conhecer de perto essa festa tão especial?

E como eram as festas de Kerb na sua cidade? Compartilhe conosco nos comentários!

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29.08.2023 - Knopfloch

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29.08.2023 - A “Knopfloch” é uma dança inglesa?

Nem todas as danças apreciadas pelos alemães são da Alemanha. Por sinal, é muito comum que algumas coreografias e músicas tenham ultrapassado suas fronteiras nacionais, se espalhando por outras nações. É o exemplo da “Knopfloch”.

Traduzindo o nome em alemão se teria “Casa de Botão”. Provavelmente assim a chamaram porque a dança tem movimentos que são comparáveis à costura. De toda forma, trata-se de uma hipótese.

Internacionalmente ela é conhecida como “Durham Reel”. Sua origem é popularmente atribuída à Inglaterra, como aconteceu com outras tantas coreografias em fileiras. O nome confirmaria essa informação, pois faz referência a uma cidade no norte do país, Durham. Já “Reel” seria um tipo de dança típica com melodia rápida, muito popular na Grã Bretanha e Irlanda.

Há registros da “Durham Reel” em publicações do início do século XX. A londrina “Five popular country dances”, de Arnold Foster, de 1933, é considerada a primeira. Já o “The Country Dance Book” também teria sua descrição.

Uma apostila de 1971, ligada à comunidade judaica norte-americana, aponta que a Sra Violet Orde teria recolhido essa dança em Durham. Segundo essa fonte, outras versões dela poderiam ser encontradas em Goathland, North Yorkshire e Idmunbeyer in Durham: ela mudaria de aldeia para aldeia - o que irritaria aos que gostam de coreografias “imutáveis”.   

Uma curiosidade: um clube de danças típicas de 1947, nos EUA, - “UNH's folk dance club” da “University of New Hampshire”, se assumiu com o nome de “Durham Reel”. Dentro de seu repertório já constaram títulos como “Weggis”, da Suíça, “Puttjenter”, da Alemanha, e “Oxdansen”, da Suécia.

O exemplo da “Knopfloch” / “Durham Reel” mostra que as danças populares não se prendem a endereços, idiomas ou credos. Elas se movimentam com o trânsito das informações e das pessoas. São conexões vivas de culturas, mesmo antes de existir a Internet.

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28.08.2023 - Hahn im Korbe

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28.08.2023 - A “Hahn im Korbe” se dança dentro do galinheiro?

O que será que Anna Helms e Julius Blasche pensaram quando publicaram a dança “Hahn im Korbe”? Depois de quase um século, sobraram poucas informações sobre como ela surgiu; contudo, por algumas pistas encontradas em livros e partituras, pode-se fazer algumas especulações.

Segundo Michael Krumm, esse “Korbe” ou “Korb” “refere-se a gaiolas de ráfia/fibras trançadas nas quais costumavam transportar frangos para o mercado. Na maioria das vezes, havia somente galinhas no cesto, mas, de vez em quando, também tinha um galo no meio”, o “Hahn im Korbe”. Desta forma, a expressão quer destacar quando há somente um rapaz em um ambiente com muitas damas.

Muitas comunidades de língua alemã fizeram ou fazem uso dessa frase popular. Ela poderia ser comparada a ideia de “um homem no harém”, contudo com certo tom satírico. Ela deu título a cartões postais, lojas - inclusive de venda de frangos assados -, livros, audiovisuais, marca de cigarro, entre outras… inclusive ao nome desta dança.

Tratando da dança, suas fontes mais conhecidas são o “Bunte Tänze 4”, de Anna Helms e Julius Blasche, de 1928, e “Die Tanzkette”, de 1953, no qual, a descrição da criação de Anna Helms é republicada. Ela, apontada como uma “Tanzspiel” - uma espécie de brincadeira -, seria dançada por 6 damas (com a possibilidade de 8) e um rapaz. É composta por 6 partes, somando teatralidade e bom humor.

Pelo que consta na partitura, a melodia é provavelmente popular, recolhida de comunidades suábias. Já a coreografia é uma criação da Anna Helms e deve ter sido trabalhada no “Geestländer Tanzkreise”.

Vê se que, mesmo na construção coreográfica no contexto das danças populares, há um amplo diálogo entre tradições, narrativas e entretenimento. Sem motivação, não há manutenção de identidades. Nesse sentido, Anna Helms fez um ótimo trabalho, inspirando ainda hoje gerações de dançarinos. 

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27.08.2023 - Unspunnen Mazurka

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27.08.2023 - A “Unspunnen Mazurka” foi coreografada no Brasil?

Na Suíça, em Interlaken, surgiu em 1805 uma grande festa: a “Unspunnenfest”. Contou com atividades de música, tiro, arremesso “de pedra”, entre outras. Foi um sucesso! Sua segunda edição foi em 1808. Hoje, ela ocorre a cada 12 anos.

Contam que desde o princípio a família de Walter Balmer participou da Unspunnenfest. Quando se aproximou a edição do ano de 1968, dizem que ele já estava pensando em fazer uma nova composição para a festa. Teria surgido ali a melodia da “Unspunnen Mazurka”... mas ela não foi apresentada ao público.

Quase 50 anos depois, em 2016, a coordenação do evento e a Schweizerischen Trachtenvereinigung - Federação Suíça de Trajes Típicos - organizaram um concurso para dar uma coreografia à música composta por Walter Balmer. As sugestões para a nova dança deveriam vir anônimas, permitindo uma escolha imparcial do júri especializado. E assim foi feito.

E você sabe de onde veio a coreografia vencedora? Do Brasil! Foi criada pelo “Volkstanzgruppe Johannetertal”, de Picada Café-RS. Vocês conseguem imaginar o rosto desses jurados ao descobrirem isso? Provavelmente quem ficou mais surpreso com a notícia foi o seu compositor: “até hoje, não sei dizer exatamente como eles chegaram lá”, disse Walter Balmer, na época com 71 anos.

E não bastou ganhar: o “Johannetertal” conseguiu se organizar, batalhou para juntar recursos e foi para a Unspunnenfest de 2017. Em frente ao grande público presente, os dançarinos mostraram “ao vivo e a cores” a sua “Unspunnen Mazurka”. Como resultado, foram ovacionados pelos presentes, em uma cena emocionante… com direito à sambinha.

Segundo Christoph Wyss, pesquisador da história da festa, “as Unspunnenfeste abrangem costumes e tradições de toda a Suíça. Tal como há mais de duzentos anos, o festival promove a compreensão e a tolerância mútuas.” O que vemos agora é que nessa cultura helvética também há um pouquinho da alegria teuto-brasileira.

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26.08.2023 - Freischütz

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26.08.2023 - Por que a Freischütz foi proibida?

No ano de 1821, estreou em Berlim a ópera chamada “Der Freischütz”, conhecida em português como “O Franco-Atirador”. Contudo, um “Freischütz” não é apenas alguém com uma mira certeira, mas sim alguém que faz uso de uma munição especial, geralmente recebida a partir de um pacto sobrenatural. Essa munição fará com que o atirador sempre acerte o seu alvo de forma precisa. Porém, esse pacto pode ter consequências terríveis, como visto na ópera citada.

Até onde se sabe, a dança “Freischütz” não tem relação com a ópera. Assim, já podemos descartar a hipótese, de ela ter sido proibida por ter dançarinos armados e em posse de munição, digamos, especial.

A dança foi registrada pelo professor Otto Ilmbrecht e publicada no ano de 1937. Ele a encontrou nas regiões de Schaumburg-Lippe e Minden, com algumas pequenas variações. Na sua descrição, algo chama a atenção e a destaca entre as demais Volkstänze:

“Quando os dançarinos estão animados ou são ovacionados pelos espectadores, na terceira figura, os dois rapazes correm o mais rápido que podem, fazendo com que as moças percam o chão sob os seus pés. Então, como resultado, elas flutuam horizontalmente. A moça deve segurar o pescoço do rapaz com firmeza com as duas mãos. É considerado um sinal de destreza quando as moças flutuam para cima e para baixo em linhas onduladas, balançando.”

E que perigo isso! Essa juventude com certeza estava perdida. Por isso, a polícia da época precisou intervir e proibir temporariamente a execução da figura.

Por causa dela, a dança também foi conhecida como “Slüürdanz”, nomeada a partir do verbo “schlüren”, do dialeto vestfaliano, com o significado de “carregar”, “arrastar”. Afinal, é a dança em que as moças são carregadas, praticamente arrastadas!

Assim, está resolvido o mistério! Hoje, ela não precisa mais ser proibida, pois os dançarinos agem como verdadeiros “Freischützen”, executando sua tarefa com precisão.

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25.08.2023 - Ahrntaler Ländler

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25.08.2023 - A “Ahrntaler Ländler” veio de um vale mal assombrado?

É sabido que no norte da Itália há várias comunidades de língua alemã e também muitas danças típicas. No vale do rio Ahr não é diferente. O que muitos desconhecem é que lá, no Ahrntal, também existem muitas narrativas horripilantes. Um escritor, Konrad Steger, buscou recolher essas histórias e trazê-las a público.

Aparecem em narrativas coletadas por Steger a figura do “diabo”, que supostamente teria ido algumas vezes ao Ahrntal. Contam que em uma de suas visitas “o canhoto” arrancou, na localidade de St. Jakob, uma enorme pedra e atirou contra um pároco e seus coroinhas, que estavam a caminho de dar os “últimos sacramentos” a uma senhora. Todos se salvaram, pela graça de Deus, mas as garras do “demônio” teriam ficado marcadas num rochedo.

Em outros relatos aparecem lutas onde o “capeta” esteve presente, tendo artimanhas para enganar os aldeões. Já uma narrativa destaca que tremores ocorreram no Ahrntal, sacudindo panelas e frigideiras, em decorrência de gritos horrendos do “pestilento”.

E esses fenômenos sobrenaturais influenciaram a “Ahrntaler Ländler”? Provavelmente não. Contudo, suas figuras teriam sido registradas por 1940 em eventos de St.Jakob, St.Peter e Prettau - mesmos locais citados em muitas das narrativas catalogadas por Steger. Seria mera casualidade?

O que se pode dizer é que a “Ahrntaler Ländler” ganhou admiradores e é hoje dançada tanto na Áustria como no sul da Alemanha, transpondo as barreiras naturais do seu vale de origem. Será que esse sucesso veio com uma ajudinha do “tinhoso”? Claro que não! Isso é só uma brincadeira… ou será que não?

Se você quer conhecer mais sobre o Ahrntal e suas narrativas, pode visitar essa bela região ou ler alguns dos trabalhos de Konrad Steger. Além de textos de ficção, ele publicou “Als noch Kartoffelfeuer brannten” e “Als wir noch Kinder waren”, ambos sobre a história do Vale do Ahr.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz veja a “Ahrntaler Ländler” em https://youtu.be/1DkXI_kcX-A . E nos acompanhe nas redes sociais, além de nos escutar no Boletim Der Hut às quintas-feiras, 20h, na www.imperial.fm.br

24.08.2023 - Feuerfest

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24.08.2023 - A “Feuerfest” é a dança nacional da Boêmia?

Algumas polcas e valsas famosas, com destaque às compostas pela família Strauss, ganharam visibilidade internacional. Por sua estrutura complexa e simultaneamente cativante, caíram no gosto também de coreógrafos, tanto de ballet quanto de danças populares.

Uma dessas composições, que atualmente está presente junto a muitos grupos de danças típicas alemãs no Brasil, é a “Feuerfest”, de Josef Strauss, referenciado como irmão do conhecido “Rei da Valsa” Johann Strauss. Mesmo ela não sendo uma melodia tradicional, assim como a coreografia, acabou caindo no gosto de muitas “Volkstanzgruppen”.

A “Feuerfest - Polka Française op.269” não faz referência a uma festa ou festival do fogo, mas sim a “resistente ao fogo”, já que o termo “fest” também quer dizer “firme”. Franz von Wertheim teria encomendado-a em 1869 a Josef Strauss para comemorar a feitura de seu cofre de número 20.000. Diziam que Wertheim colocava seus cofres em fogueiras, para provar que eram imunes às chamas.

Já a coreografia teria uma fonte bem distinta. De acordo com Walter Bucksch, haveria uma pluralidade de versões, inclusive para ballet. Contudo, ele encontrou muitos vídeos dela que seguem a base da descrição de 1984 de Richard Powers, que lecionava danças na Universidade de Stanford, nos EUA.

Powers, por sua vez, relatou em um texto de título “Bohemian National Polka”, que usou a estrutura da polca “Nasim Devam”, do tcheco František Bonuš, para sua “Feuerfest”. Provavelmente é dessa fonte que ela passou a ser conhecida como “Polca Nacional da Boêmia”, já que a música em si não tem vínculos com os tchecos.

Assim, a composição de um austríaco para um fabricante de cofres acabou coreografada por um norte-americano que, por sua vez, se inspirou em uma dança de um tcheco. Para deixá-la mais interessante, se conclui a história dizendo “que ela ficou popular no Brasil pelas mãos de grupos de danças alemãs”. Para que facilitar, se pode complicar?

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja uma versao da “Feuerfest” em https://youtu.be/tXi0m4E53Kg e da “Nasim Devam” em https://youtu.be/g59BiUx3IKU .

23.08.2023 - Selker Bayrisch

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23.08.2023 - A “Selker Bayrisch” é da Baviera ou da Alta Áustria?

No sul da Alemanha e norte da Áustria, se popularizou um estilo de danças e músicas que ficaram conhecidas como “Bávara”. Em alemão, é a “Bayerische” ou, em dialetos locais, “Boarische”, assim como outras variantes gráficas. É similar ao  adjetivo “bávaro” ou “bávara”, que é dado a pessoas ou elementos ligados ao Estado Livre da Baviera. Esse é o maior Estado alemão, que faz divisa com Áustria e República Tcheca.

Uma típica “Boarische” é dançada em pares, podendo ou não estarem em um círculo. É comum ter duas partes: a primeira, em quatro compassos, na qual as duplas soltam-se as mãos, cada um dá dois passos laterais, separando-se, e mais dois se juntando; a segunda é quando, no mesmo período, giram juntos em posição convencional. Podem também agregar batidas de pés.

Mesmo sendo a formação base, esta permite muitos improvisos. Esta dança é executada como uma divertida brincadeira entre os presentes, podendo, inclusive, gerar certa competição, querendo mostrar quais duplas tem mais vitalidade.

Em alguns locais, variantes dessa dança acabaram se enraizando junto à comunidade, tornando-se típicas. Internamente, mantinham o nome genérico “Boarische”, mas para quem via de fora, a coreografia e a melodia ganhavam uma nova denominação. Segundo Walter Bucksch, quando se dança uma “Boarische” somada a palmas, ela ganha o nome de “Tuschboarische” ou “Tuschbairische”. A “Selker Bayrisch”, a “Bávara de Selker”, está nesse contexto.

A cerca de 20 quilômetro de Linz, na Áustria, existe uma localidade de nome Selker. Lá, essa variante da “Boarische” com palmas se tornou popular, ganhando novas figuras, sendo conhecida por “Tuschbairisch” ou “Selker Bayrisch”. Assim, seria uma bávara austríaca? Na prática, sim. De toda forma, é preciso lembrar que as manifestações culturais não se limitam a fronteiras físicas: elas mantêm um diálogo amplo e duradouro. Ainda bem!

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a danca em https://youtu.be/LZwdd_ezZh4 . Acompanhe nossas redes sociais e escute o Boletim Der Hut às quintas-feiras, 20h, em www.imperial.fm.br

22.08.2023 - Kirmstrick

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22.08.2023 - Na “Kirmstrick”, os pares se curvam?

Em algumas danças, há polêmicas quando os pares realizam movimentos exagerados, como braços muito erguidos, posturas tortas e joelhos dobrados demais. Qual o limite entre o excesso e a correta execução de uma figura?

Na “Kirmstrick”, é convencional que os pares realizam passos em que eles se curvam ou abaixam, sendo sua principal característica. Mas por qual razão? O motivo dessa postura, provavelmente deve-se ao tema da dança. Segundo fontes, o termo “Kirm” ou “Kiam” estão ligados a “Kiepe”, que é uma grande cesta de galhos de salgueiro, vime ou outra fibra natural. Para facilitar o transporte, eram acrescidas alças, geralmente feitas de cordas trançadas - o que provavelmente seja o “strick” -, para levá-la nas costas, como uma mochila.

É natural que alguém, ao carregar algo pesado, caminhe com os joelhos mais dobrados ou com o dorso mais arqueado. O andar curvado, como se carregasse um grande cesto lotado nas costas, explicaria essa postura.

Via essa perspectiva, não seria exagero se curvar bem na “Kirmstrick”, imitando o carregar da “Kiepe”. Uma teatralização adequada, por sinal, tornaria mais explícito o seu contexto, deixando claro ao público que não se trata de um excesso na forma como ela é dançada. Além disso, de acordo com a vitalidade dos participantes, também é agregado um tom festivo ao movimento, deixando-o mais intenso.

Desta forma, vemos que a “Kirmstrick” é mais um exemplo de dança camponesa que carrega em si características do dia a dia no ambiente rural. São detalhes como estes que representam o esforço do trabalhador do campo e que guardam valiosas informações de outrora. Em muitos casos, músicas e coreografias podem atuar como museus vivos das comunidades.

Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e conheca a “Kirmstrick” em https://youtu.be/tsBGhMtq4v8 . Escute nosso Boletim Der Hut todas as quintas-feiras, às 20h, em www.imperial.fm.br e acompanhe as nossas redes sociais.

21.08.2023 - Föhringer Kontra 

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21.08.2023 - Como a Föhringer Kontra foi preservada?

Anna Helms foi uma das responsáveis por registrar dezenas, senão centenas de danças típicas no norte da Alemanha. Em um de seus relatos, ela conta como chegou às da Ilha de Föhr nas primeiras décadas do século XX:

“Nós também passamos pela Ilha de Föhr para procurar algumas danças junto aos moradores. Muitos desconfiavam de nós: o que o pessoal da cidade quer com nossas danças? Mas nenhuma delas sabia nos dizer algo sobre as danças.

Assim, ficamos esperando o próximo barco à vapor para ir embora de Föhr. Em um banco, estava sentado um velho senhor. Me sentei perto dele e logo começamos a conversar. Quando perguntei se ele conhecia alguma dança antiga, ele me respondeu cordialmente: ‘Antigamente, vivia um velho músico aqui na ilha. Ele sempre tocava seu clarinete para os demais dançarem. Hoje, ele já é falecido, mas sua filha ainda vive e ela gosta muito de dançar. Vá até a casa da velha Ingred. Nesse horário, ela ainda está na rua com seu carrinho de verduras; mas se você descer por esse atalho aqui em frente, provavelmente vai encontrá-la em frente ao comércio para o qual ela vende frutas.’

Rapidamente seguimos as orientações do velho senhor e encontramos a Ingred. Ela não aparentava estar tão desconfiada como os demais. Como estava trabalhando, combinamos de nos encontrar na casa dela.

Ela nos recebeu vestindo o traje de Föhr. Prontamente, começou a tocar as melodias de sua juventude que ganhavam vida novamente. Ao mesmo tempo, ela mostrava como era cada dança. Ela nos puxava para cá e para lá para que tomássemos posição e pudéssemos imaginar os demais pares da quadrilha. Ela era tão rápida que quase não conseguíamos acompanhar. Mas tomamos nota de tudo.”

Possivelmente, a quadrilha citada é a Föhringer Kontra, uma contradança da cidade de Wyk, na Ilha de Föhr, publicada em 1918. Graças ao trabalho incansável de Anna Helms, acompanhada de Julius Blasche, muitas danças foram preservadas.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a danca a partir do minuto 3 do vídeo https://youtu.be/KqjbgCu6USo . Nos escute em www.imperial.fm.br às quintas-feiras, às 20h, e nas redes sociais do Der Hut.

20.08.2023 - “Sonderburger Doppelquadrille

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20.08.2023 - “Sonderburger Doppelquadrille” é alemã ou dinamarquesa?

A grande popularidade da “Sonderburger Doppelquadrille” não se deve apenas à dança ser relativamente simples, mas também à música que vai direto do ouvido ao coração.

Alguns registros indicam que ela era uma dança social surgida entre 1800 e 1820. Sua formação em colunas indica a possibilidade de ter uma origem comum com outras semelhantes. Contudo, o fato de ela ser em oito pares a torna muito distinta.

A propósito, lá em Sønderborg, na Dinamarca, ela é conhecida apenas como “Dobbelt Kvadrille”. Faz sentido, não é?

Mas será que ela é uma dança dinamarquesa?

Alguns pesquisadores alemães indicam que a dança é alemã, pois Sønderborg pertenceu à Alemanha de 1864 a 1920. Da mesma forma, pesquisadores dinamarqueses afirmam que algumas danças de Schleswig são dinamarquesas, pois a área pertencia à Dinamarca até 1864.

Com a volta da região ao domínio dinamarquês em 1920, muitos moradores de lá e região optaram por se mudar para Hamburgo. Lá, formaram a sociedade dinamarquesa Sønderborg. Foi ali que, alguns anos depois, Anna Helms conheceu a dança “Dobbelt Kvadrille”, publicada por ela em 1928 na Alemanha. Um impresso dinamarquês dela surgiu apenas em 1934.

Então, ela é uma dança alemã?

Bem, outro elemento que temos é o compositor. H. C. Lumbye, nascido em Copenhagen, capital da Dinamarca, que fez a melodia em 1861. Porém, ele não a compôs para a dança, contudo para outra finalidade. Mais tarde, músicos de Sønderborg a “emprestaram” para a “Dobbelt Kvadrille”. É interessante observar que, antes disso, outra música era usada para a coreografia.

Agora sim, a dança é dinamarquesa! É isso?

Ainda não há consenso. Para alguns, é uma dança dinamarquesa, pois Sønderborg fica na Dinamarca. Para outros, é uma dança alemã, pois Sønderborg pertenceu à Alemanha e, com o tempo, ela se espalhou pelo norte do país.

E para você, ela é dinamarquesa ou alemã? Conte aí nos comentários!

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja o Gartenstadt, de Blumenau-SC, com a dança em https://youtu.be/wzEUcNDNIjU .

Escute o Boletim Der Hut toda a quinta-feira, às 20h, no www.imperial.fm.br

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19.08.2023 - Polsterltanz

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19.08.2023 - Na “Polsterltanz”, os dançarinos ajoelham no travesseiro?

A “Polsterltanz” - “Dança da Almofada” -, também chamada em alguns locais de “Kissentanz”, é encontrada em muitas partes do mundo, assim como as com pau de fitas, arcos, espadas, varas, entre outras. Sua lógica padrão traz bases coreográficas muito similares, mesmo em continentes distintos.

Ela é uma dança de roda, na qual uma pessoa de fora, trazendo uma almofada, entra e anda no círculo. Depois, ela escolhe um dos presentes e coloca o estofado a sua frente, sobre o qual, ambos se ajoelham. Sob o olhar de todos, os dois se beijam e dançam juntos no centro.

Há versões em que todos os participantes ficam do início ao fim da dança. Noutras, ocorre como uma brincadeira eliminatória, quando, ao final, sobra somente uma pessoa. Por não ser para palco, era muito executada em festividades - como noivados e casamentos.

Mas se um não quiser beijar o outro? Daí, de surpresa, pode-se trocar de lugar com alguém da roda. Ou, quando a almofada é posta no chão, podem roubá-la. Por isso, nessas danças, é preciso pensar e agir rápido, já que ela pode ter muitos improvisos.

A “Polsterltanz” foi registrada em muitas regiões de língua alemã da Áustria, da República Tcheca, da Alemanha, entre outras. Jakob Gauermann, em uma pintura de nome “Polsterltanz am Grundlsee”, datado de 1821, retrata essa dança no Salzkammergut. Em outros pontos da Europa, pode-se ainda hoje vê-la.

E ela pode ser feita sem o estofado? Isso também acontece. Na Ilha da Madeira - com o “Baile da Viuvinha” - e no Arquipélago dos Açores - com o “Pai do Ladrão”-, ambos territórios portugueses, são vistos alguns exemplos similares às “Polsterltänze”, mas sem almofadas. No Brasil, a “Dança da Vassoura” também faz papel parecido.

Esse estilo de danças são verdadeiros jogos para encontrar relacionamentos. Em tempos em que o contato dos jovens era “controlado” pela comunidade, qualquer momento de aproximação deveria ser bem aproveitado. E mesmo em tempos de tecnologias avançadas, essas tradições podem ainda fazer sucesso. 

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja uma “Polsterltanz” em https://youtu.be/tVBEok8iNwE .

18.08.2023 - “il sot da la quatter pêra

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18.08.2023 - “il sot da la quatter pêra”: da corte francesa para um vale na Suíça?

Contam que o jovem Martin Peiderpadrotsch de Schmidi von Grün-Eg de Fettan im Engadina, um mercenário suíço, teria servido como tenente no regimento de Salis na França. Depois de retornar a Graubünden, sua terra de origem, ele escreveu um livro volumoso em reto-românico, idioma local. Ali relatou sua história em território francês, compreendendo o período de 1773 a 1777. Ao final desta publicação ele incluiu a descrição de 20 quadrilhas, danças que ele havia lá presenciado.

A motivação para escrever o livro no vilarejo provavelmente veio por ter tempo livre - somado à impaciência dos moradores com ele, pois achavam que sua conversa os distraíam do trabalho. Ele não se fazia uma figura muito popular na região.

A dança “il sot da la quatter pêra” - “a dança dos quatro pares” - não faz parte dessas 20 coreografias… e nem a música tem influência francesa. Por mais que Martin desejasse dançar suas quadrilhas com o círculo das pessoas mais importantes de Engadin, isso não aconteceu. A população local, vendo a publicação do jovem, acabou criando sua própria quadrilha em estilo parecido, mas ao invés de instrumentos, eles cantavam uma canção em seu dialeto romanche-ladino. Isso aconteceu por mera birra? Não se sabe a real resposta.

O texto da música trata, em princípio, de uma menina que está com raiva por ter perdido o seu amor - provavelmente para uma concorrente. No fim ela volta a ter uma vida feliz: “hoje eu quero ser feliz e dancar”. E termina com “o que eu quero eu pego” e “cada um encontra o seu par”.

Todo o ano, no dia 6 de janeiro, no “bal da Babanîa” - no qual somente solteiros podem participar - um verdadeiro desfile de pretendentes -, a “il sot da la quatter pêra” é lá realizada Im Dorf Ardez, no Engadin. Todo o salão canta junto,... porém dançar somente quatro pares podem: é tradição que sejam os mais jovens da festa.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/ouBJ3YRW2ZA .  Nos acompanhe nas redes sociais e escute nosso “Boletim Der Hut” todas as quintas-feiras às 20h, em www.imperial.fm.br .

17.08.2023 - Agattanz

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17.08.2023 - A “Agattanz” é uma antiga dança de casamento?

Como identificar uma dança como antiga ou nova? Trata-se de um trabalho quase de detetive. Vejamos o exemplo da “Agattanz”, que foi recolhida na primeira metade do século XX na Áustria.

Primeiro passo: essa dança foi vista uma única vez? Não! Foi registrada em diferentes momentos, assim como em distintas localidades alpinas. Um dos relatos dela, segundo Karl Horak, é dos anos 1930 de uma festividade de casamento em Thiersee, no Tirol. Na região de Salzburg, também foi encontrada coreografia similar.

Segundo passo: sua estrutura é típica? Sim! A “Agattanz” apresenta elementos de tradições antigas. Sequências e melodias muito similares foram relatadas anteriormente em festas de carnaval, com rapazes mascarados. “Schwerttänze” - Danças de Espadas - e outras “Kettentänze” - de Correntes - têm bases comuns a ela. É recorrente na cultura popular haver uma lógica geral que guia muitas das manifestações da comunidade.

Terceiro passo: a coreografia é fácil de ser retransmitida? Esta é uma questão relativa. É certo que melodias simples e danças curtas - que se repetem -, tinham mais chance de memorização. Por outro lado, algumas presentes em rituais sazonais eram mais arrojadas, mas usando figuras já conhecidas, o que ajudava a serem recordadas. Vemos na “Agattanz” a presença de túneis e caracóis, como aparecem nas “Auftänze”, por exemplo; ou círculos duplos e o baixar dos homens, encontrados nas “Mühlräder”; ou nós e fileiras recorrentes nas “Reiftänze”. 

Há outras “pistas” para a datação de uma dança, como elementos da melodia, formação de pares, sequência de figuras, teatralidade, entre outras, igualmente aplicáveis à “Agattanz”. De toda forma, mais do que uma tradição encontrada em um casamento, ela é um indício plural da cultura da comunidade, expondo suas pontes com outros locais e tradições. Pode-se ver muito mais numa dança do que sua mera execução estética.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a “Agattanz” em https://youtu.be/j8TIzYiZpK4 . Acompanhe nossas redes sociais e o "Boletim Der Hut" na Imperial FM, às quintas-feiras, 20 horas, 104,5 ou no www.imperial.fm.br .

16.08.2023 - Schneidertanz

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16.08.2023 - “Schneidertanz” é uma dança em homenagem ao alfaiate?

A “Schneidertanz” - ou “Sniderdanz” em Plattdeutsch - é uma dança camponesa que representa o trabalho artesanal do alfaiate. Nela, podemos ver a caracterização de alguns elementos deste ofício, como botar o fio na agulha e o ato de costurar. Em toda a Alemanha, existem diferentes coreografias que trazem esse artesão como personagem principal.

Nas pequenas aldeias, o alfaiate era visto como alguém que passava fome. Como ele não estava acostumado com o trabalho braçal do campo, todos zombavam dele, porque ele só tinha sopa de batata para comer, de segunda a segunda. Claro que ele não gostava e logo ficava emburrado.

Em alemão, o equivalente para emburrado pode ser “bockig”, palavra que vem de “Bock”, bode. Por isso, na canção que acompanha a dança, o pobre coitado é chamado de “Ziegenbock”.

Na dança, não apenas os versos da canção fazem graça com o alfaiate, mas também os dançarinos. Todos os cumprimentos são executados com a “graça” um pouco exagerada dos bodes: as cabeças se batem levemente e as pernas são levantadas para trás. Uma figura engraçada que trás muita diversão a todos.

Todos esses elementos foram registrados pela professora Marie Peters, responsável por recolher diferentes danças na região de Mecklenburg. Posteriormente, durante o período da Alemanha Oriental, foi realizado um trabalho coreográfico preparando a dança para destacar tanto a versão tradicional dela quanto uma versão que ressalta a importância do trabalho do alfaiate.

Compare conosco as duas versões:  https://youtu.be/G6SDnMin17o . A primeira representa a dança como foi registrada por Marie Peters e a segunda a versão coreografada para representar o alfaiate em ação.

De qual você gostou mais? Conte aí para nós!

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15.08.2023 - Mexikanischer Walzer

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15.08.2023 - Mexikanischer Walzer” é do México?
Muitas danças têm em seus nomes designações de locais. Algumas fazem referência ao seu ponto de origem; já outras buscam dizer que seguem um “estilo” ligado a uma determinada região ou país. Em qual delas se encaixa a “Mexikanischer Walzer”?
Vejamos. A melodia “Mexikanischer Walzer” é um trecho da tradicional “La Chiapaneca”, dança típica ligada à cultura do sul do México, em especial à cidade de Chiapa de Corzo. Fontes apontam que essa música é da primeira metade do século XX e do mesmo período vem também uma base coreográfica para ela e uma releitura das indumentárias locais, caracterizadas por grandes saias floridas.
Observando os movimentos dessa dança no México, é característico dela o tremular das saias das damas, os giros e o bater de palmas. É comum ver somente mulheres apresentando-a, o que se justificaria pelo próprio título “La Chiapaneca” - às moças da cidade de Chiapa. Mesmo que a melodia seja em ritmo ternário, não se vê a realização do passo de valsa propriamente dito.
Já a “Mexikanischer Walzer” agrega homens, tira o foco do movimento intenso das saias delas e dá destaque ao valsar dos pares. Isso poderia ser tanto uma variante mexicana feita para casais, transmitida e difundida no exterior, quanto uma adaptação promovida fora do país. Algumas partituras registram ser dos EUA. Na publicação de Christoph e Michael Well eles explicitamente dizem que ela não é original do México.
Assim, pode-se pressupor o seguinte: a “Mexikanischer Walzer” é inspirada na “La Chiapaneca”, usando inclusive parte da sua melodia, contudo não parece ser realmente mexicana. Se for uma criação de lá, provavelmente será de fora de Chiapa de Corzo, já que as lógicas coreográficas delas não se combinam. De toda forma, ainda há chances de aparecerem novidades sobre ela. É bom considerar que “as aparências podem enganar”.
Quer saber mais? Veja o vídeo da “La Chiapaneca” em
https://youtu.be/TNZLOKsLcMs e compare com o da “Mexikanischer Walzer” em https://youtu.be/XeXYdUvYQzo . Acompanhe nossas redes sociais e o "Boletim Der Hut" na Imperial FM, às quintas-feiras, 20 horas, 104,5 ou no www.imperial.fm.br .

14.08.2023 - Chiemgauer Dreher

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14.08.2023 - Na “Chiemgauer Dreher” tem Schuhplattler?

Uma realidade bastante comum na Baviera, no sul da Alemanha, é o acréscimo de sapateados a danças típicas pré-existentes. Esta é uma tendência geralmente vista em “Trachtenverein” - Associações de Trajados - que tem a tradição de manter viva a “Schuhplattler”.

Na região do Chiemgau, na Alemanha e que faz fronteira com a Áustria, isso não é diferente. Lá a melodia do seu típico giro, o “Chiemgauer Dreher”, também adicionou o sapateado bávaro. O mesmo é possível ver com a “Kreuzpolka”, “Sterntanz”, “Kronentanz”, “Sternpolka”, entre outras.

A “Chiemgauer Dreher”, também chamada de “Kittl auf”, originalmente é bastante simples: nos primeiros dois compassos o rapaz conduz a dama a dar um giro completo para a direita, ele fazendo, ao final desse movimento, uma batida de pé direito no chão; na sequência o mesmo ocorre para o sentido invertido. A conclusão é com o casal, em posição convencional, realizando o par dois giros, retornando à formação inicial. Toda ela acontece em apenas oito compassos, reiniciando-a quantas vezes os músicos repetirem a melodia.

Essas ampliações de “Schuhplattler” acontecem geralmente após a música ser tocada uma ou duas vezes completa. Assim, não há uma mudança efetiva na coreografia tradicional: usam, sim, da repetição da melodia delas para fazerem o sapateado. Por outro lado, a postura usual dos dançarinos, reta e firme, se mantém durante a execução de toda a dança.

Não se pode dizer que é certo ou errado incluir a “Schuhplattler” nessas danças, já que o fazem em coreografias que estão dentro de um mesmo contexto regional, além de, efetivamente, não alterarem a estrutura básica delas. O que se verifica é a construção de composições que “atualizam” os símbolos locais, dando nova vitalidade às tradições - que são vivas nas comunidades. E nesse sentido é importante lembrar: o costume se mantém em uso se há interessados nele.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja a  “Chiemgauer Dreher” com Schuhplattler + Kreuzpolka: https://youtu.be/oeC8l0OoQKI . Veja nossas redes sociais e escute o “Boletim Der Hur” na Imperial FM, 104,5 FM ou em www.imperial.fm.br .

13.08.2023 - Treskowitzer Menuett

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13.08.2023 - A “Treskowitzer Menuett” é uma dança da fidalguia?

Algumas formações coreográficas que eram tradicionais da aristocracia centro-europeia, por ironia, sobreviveram com o passar dos séculos, em comunidades rurais do leste. Minuetos são exemplos disso: mesmo historicamente sendo danças da nobreza, em Treskowitz - localidade tcheca hoje chamada de Troskitovic -, por exemplo, eles ficaram conhecidos como “Bauernmenuett”, por serem de camponeses.

Como era muito comum que os fidalgos de localidades pequenas e distantes imitassem seus coirmãos das grandes cortes - como Paris, Berlim e Praga -, isso levou hábitos culturais destes para fora dos grandes centros urbanos. Não tardou para que os camponeses, vendo a aristocracia, buscassem copiar tais manifestações.

Claro que em um movimento de cópias a partir de outras cópias, houve uma gradual mutação dos conteúdos. Com os minuetos não foi diferente. Mesmo que as danças cortesãs contrastassem com as campesinas, ocorreu nesse trânsito uma simplificação das melodias e passos, aproximando os dois estilos. Houve casos também onde o povo parodiava seus nobres.

Refletindo sobre a “Treskowitzer Menuett”, ela apresenta posturas mais delicadas do que normalmente seriam feitas pelos camponeses, assim como mantém formações de quatro pares - Quadrille - também convencionais neste contexto. De toda forma, não se pode dizer que há somente uma possibilidade de dançá-la, já que relatos trazem variações de sua coreografia, com mudança de passos e ritmo.

Assim, observa-se que, em muitos casos, é nas localidades interioranas que se pode encontrar antigos indícios das tradições da corte, mesmo sendo um espaço rural. Mudadas ou ajustadas, elas ainda trazem pistas de como era o peculiar ambiente da fidalguia européia. De toda maneira, é importante ressaltar que também nelas se manteve viva a cultura popular. Uma ponte entre duas realidades distintas.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz e veja o vídeo da “Treskowitzer Menuett” em https://youtu.be/cclfvZr-olA e nos acompanhe nas redes sociais do Der Hut e escute nosso programa de Rádio às quintas-feiras à noite, 20 horas, em www.imperial.fm.br .

12.08.2023 - Tschu tschu wa