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365 dias de danças... Uma Dança por Dia! Esse projeto é um trabalho coletivo coordenado por Christine Roll, Denis Gerson Simões e Helder John, com publicação diária de narrativas ligadas às danças típicas.
Acompanhe abaixo conosco! Curta, comente e compartilhe!

31.12.2023 - Woaf

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31.12.2023 - A “Woaf” é a última dança?

Assim como um fio de lã que inicia o tecido, há o momento que ele também termina. O mesmo acontece com uma sequência de danças: em algum momento ela se encerra. Segundo a tradição de muitas comunidades dos Sudetos, a última música do baile é a “Woaf”.

Por mais que o nome possa lembrar “Wolf”, que é lobo em alemão, o título não tem nenhuma relação com esse canino selvagem. O termo vem do verbo “Weben” e “Weifen”, que querem dizer “tecer”. Trata-se de mais uma coreografia que representa o movimento do tear, um tema tradicional das comunidades agrícolas, já que elas produziam seus próprios tecidos . A dança também é chamada de “Da Waf”, “Weifentanz”, “In der Jugend”, “Webertanz”, entre outros.

Sua origem é atribuída às comunidades da antiga Boêmia e Morávia, hoje no território pertencente à República Tcheca, a exemplo de Schönhengstgau e Theßtal. De toda forma, a mesma dança é amplamente difundida na Áustria. Sua coreografia tem pequenas diferenças de um local para outro, como na ordem das figuras, e ganhou versão do “Jugendbewegung” - Movimento dos Jovens Alemães. 

Como acontece com outras coreografias tradicionais, essa também é acompanhada de uma canção. A letra dela diz: “pois bem, vamos ambos dançar uma alegre dança circular, gire-te, pequenina, pois tem que ser assim”, seguido de “tralala, tralalala, …”. Os próprios participantes cantam a melodia enquanto fazem as figuras, podendo intercalar partes com e sem o texto entoado.

A “Woaf” é mais um exemplo de tradição que atua como peça de um enorme quebra-cabeças cultural. Ela conta histórias, dá indícios de sabedorias do passado e congrega a comunidade, sejam jovens ou idosos, numa mesma pista de baile. E como todo o costume que está vivo, segue em movimento, chegando a outros locais, como é o caso da Baviera, onde essa dança também está se fazendo presente. Uma narrativa que constantemente recebe novos elementos a serem contados.

Quer saber mais?  https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/nZq__f4pS08  e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

30.12.2023 - Lustiger vor dem Tisch

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30.12.2023 - A “Lustiger vor dem Tisch” representa os bailes de antigamente?
Antigamente, especialmente na região de Lüneburger Heide, as pessoas costumavam se reunir nos salões das tavernas locais para dançar. Na dependência principal, era montada uma mesa para os músicos, sendo, em alguns casos, apenas uma tábua sobre dois cavaletes.
Em muitas localidades de Lüneburger Heide, para dançar, as moças vestiam trajes de linho e aventais. Os rapazes usavam calças até o joelho e uma jaqueta curta azul, frequentemente retirada após as primeiras danças. Era crucial que o rapaz convidasse sua acompanhante para a primeira dança, pois em muitos lugares era costume dançar grande parte da festa (senão a festa toda) com a ela.
Não era necessário um convite especial para as contradanças. Quando a introdução começava, o rapaz se posicionava e batia palmas, indicando que a moça deveria se aproximar para iniciar a dança. Porém, se fosse a primeira música dele, além das palmas, um aceno ou algumas palavras podiam ajudar a chamar a futura par. Às vezes, essas colocações não eram nada delicadas: “Você não está vendo que eu quero dançar com você?”
Nessas festas foi encontrada uma dança em fileiras que alegrava os dançantes: a “Lustige vörn Dische” (Alegres em frente à mesa). Os dançarinos se alinhavam em fileiras de dois pares, sendo comum que aqueles que pagavam pela música ocupassem as primeiras fileiras. O destaque desta dança era o deslocamento das linhas em direção à távola dos músicos. A primeira fila, em vez de apenas bater os pés no chão, batia os calcanhares na mesa dos músicos, pois eram os “Lustige vor dem Tisch”.
Posteriormente, a partir dessa dança da Lüneburger Heide, a professora Traude Hanf desenvolveu a “Lustiger vor dem Tisch” na antiga Alemanha Oriental. Nessa coreografia, ela procurou destacar e retratar o alegre jogo diante da mesa dos músicos, presente na dança original, enfatizando a animada relação entre os dançarinos e os músicos, comum nas festas de antigamente.
Quer saber mais?
https://www.culturaalema.com.br/tanz e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

29.12.2023 - Lüneburger Windmülle

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29.12.2023 - Onde se pode encontrar o “Lüneburger Windmülle”?

Lüneburg está situada a 50 km a sudeste de Hamburgo, na região de Lüneburger Heide. Sua história remonta a tempos antigos, sendo nomeada oficialmente pela primeira vez no século X. Ao contrário de muitas cidades alemãs, Lüneburg escapou da destruição na Segunda Guerra Mundial, preservando um dos mais belos centros históricos do país.

Menos conhecido é o papel de Lüneburg na Liga Hanseática, graças ao monopólio no comércio de sal, extraído de uma mina subterrânea.

Há mais de 1000 anos, vastas áreas de floresta e pântano circundavam Lüneburg. Dois caçadores avistaram uma javalina (fêmea do javali) revolteando na lama. Ao tentarem emboscar e abater o animal, falharam, permitindo que a javalina ferida escapasse pelo matagal. Os caçadores, imediatamente, seguiram o rastro dela.

Mais adiante, descobriram a javalina morta em uma clareira ensolarada. Notaram que seu pelo brilhava sob a luz do sol, atribuindo ao fenômeno um caráter miraculoso, pois o pelo dela tornara-se branco como a neve. Ao tocarem nele, que reluzia de forma peculiar, perceberam a presença de cristais de sal.

Retornando ao local inicial da caçada, onde a javalina se revolvia na lama, provaram a água e constataram sua salinidade. Assim, descobriram a primeira lagoa de sal, que mais tarde se tornou a fonte de salmoura para o Salino de Lüneburg. Na prefeitura, ainda se pode admirar o osso do ombro do porco numa caixa de vidro.

Contudo, o moinho de vento de Lüneburg é uma ausência intrigante. A resposta reside na dança “Windmüller”, registrada por Eduardo Kück e Elfriede Rotermund-Schönhagen. Apesar de não haver construção física, a dança representa a posição dos pares em um moinho e, como ela era encontrada na região de Lüneburg, ficou amplamente conhecida como “Lüneburger Windmüller”.

Assim, a região de Lüneburg, além de sua história marcante, oferece importantes tradições, revelando-se única na Alemanha.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/CfkpWdbtZiQ  e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

28.12.2023 - Danziger Achter

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28.12.2023 - A “Danziger Achter” é  a dança que deu origem à cidade de Danzig?

Danzig é hoje uma cidade polonesa com quase meio milhão de habitantes, destacando-se como centro econômico, científico, cultural e turístico. Situada às margens do Mar Báltico, é uma cidade hanseática milenar, desempenhando papel vital no comércio entre diferentes regiões por séculos.

Uma das lendas da origem de Danzig remonta ao vilarejo de Wieke. Lá, o comércio e os depósitos de peixes prosperavam. Os habitantes eram em sua maioria pescadores e guerreiros, e costumavam celebrar suas festividades com grandes fogueiras e muita dança. Seu líder, o Príncipe Hagel, vivia em seu castelo na montanha conhecida como Hagelsberg. Ele impunha a todos regras rígidas, controlando-os e exigindo trabalho árduo.

Após uma década de tirania, os súditos conspiraram contra Hagel. Aproveitando uma festividade anual, subiram ao Hagelsberg para dançar. Era comum que, durante a dança, Hagel oferecesse a todos algo para beber. Quando o Príncipe abriu os portões para oferecer cerveja, os conspiradores invadiram o castelo matando todos, exceto a filha de Hagel, a qual se tornou esposa do líder da revolta.

Antes de ser morto, Hagel lamentou ter sido enganado. Aos gritos ele bradou: “Oh, dança, oh, dança, como você me enganou!” Posteriormente, quando o Castelo de Hagelsberg foi queimado, dando origem a uma nova cidade, esse fato foi lembrado. A “Dança dos Wieke” (“Tanz-Wieke”) teria, segundo a lenda, dado o nome “Danzig” à cidade.

Apesar de ser apenas uma lenda, pode-se afirmar que a “Danziger Achter” não tem nenhuma relação com ela. A dança foi criada em 1933, período em que Danzig pertenceu à Prússia Ocidental, como um presente em homenagem ao grupo de danças de Danzig (Danziger Volkstanzkreis). Ela foi publicada por Hermann Huffziger em sua obra com danças típicas e novas criações da Prússia Oriental. Seu nome “Achter” faz relação a uma de suas figuras em formato de 8.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança no minuto 12:45, em https://youtu.be/ty7XwKnPiD8 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br.

27.12.2023 - Wohlder Markttanz

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27.12.2023 - A “Wohlder Markttanz” é uma dança de mercado?

Desde a Idade Média, o “Markt” - termo usado para designar um mercado ou uma feira - tem sido espaço fundamental nas cidades e vilarejos, onde bens materiais ou imateriais são negociados. No entanto, o direito de realizar um “Markt”, conhecido como “Marktrecht”, não era concedido a todas as localidades. A autorização para manter um mercado permanente, seja semanal ou anual, era concedida pelo governante, geralmente um rei.

Essa concessão de direitos de mercado desempenhou um papel crucial na prosperidade das cidades medievais. Desde os primórdios da urbanização, esses espaços comerciais têm sido o coração da vida urbana, muitas vezes adquirindo relevância arquitetônica. Até hoje, a praça do mercado costuma ser o epicentro de uma cidade, na qual, frequentemente, também está localizada a prefeitura (Rathaus).

Na Alemanha, entre as danças típicas, algumas estão diretamente relacionadas a esses mercados que, hoje, são praticamente grandes festas populares anuais. Um exemplo é a dança “Puttjenter” (20.05.2023), associada à feira em Hille, Vestfália. Outra, a “Wohlder Markttanz”, faz alusão à feira em Wohlde, Baixa Saxônia.

Wohlde é uma localidade de Bergen, na região de Lüneburger Heide. Seu nome vem do termo “Berger Wohld”, significando “Floresta de Bergen”. Lá, encontrava-se até o século XVII uma capela que se tornou local de peregrinação. Com isso, diferentes comerciantes se instalaram nas proximidades dando origem ao “Wohlder Markt”. Apesar da destruição da capela durante a Guerra dos Trinta Anos, o “Wohlder Markt” é realizado até hoje, sendo destaque em toda a região.

É nessa festa que a “Wohlder Markttanz” surgiu. Conforme registros do professor Eduard Kück sobre danças na região de Lüneburger Heide, era comum vê-la sendo executada com entusiasmo após o encerramento do “Markt”, muitas vezes até mesmo ao ar livre na Wohlder Chausse, a rua que conecta Wohlde e Bergen.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz  . Veja a dança em https://youtu.be/tjOdZJ5M4TI  . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br  .

26.12.2023 - Gumbinner

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26.12.2023 - A “Gumbinner” é uma dança austríaca na Prússia?

A Áustria está situada a aproximadamente mil quilômetros do antigo território da Prússia Oriental. Surge a indagação: há alguma influência austríaca junto aos prussianos? Para desvendar essa questão, é imperativo aprofundarmo-nos na história do antigo Reino da Prússia, com enfoque especial na região de Gumbinnen.

O nome “Gumbinen” deriva da palavra lituana “Gumba”, que significa curvatura. Algumas teorias sustentam que o nome originou-se da má qualidade da cerveja servida lá, levando quem a bebesse a contorcer-se como um verme. Outros sugerem que a denominação provém das numerosas curvas do rio Pissa, o principal rio local.

Durante os anos de 1709 a 1711, marcados pela epidemia de peste, toda a Prússia Oriental sofreu severas consequências, perdendo grande parte de sua população. Diante disso, o rei prussiano Friedrich Wilhelm I lançou um programa de colonização na região. A partir de 1732, Gumbinnen tornou-se o epicentro dos exilados de Salzburgo, forçados a abandonar sua terra natal devido à fé que professavam.

Apesar da presença de austríacos de Salzburgo em Gumbinnen, é pouco provável que tenham relação com a dança “Gumbinner”. A composição musical é atribuída ao professor Hermann Huffziger, com a coreografia originada em 1927, durante um curso de danças em Gumbinnen. Ou seja, quase duzentos anos depois da chegada dos colonos austríacos. Inclusive a letra da canção que acompanha a dança é em idioma prussiano.

Uma curiosidade adicional sobre a região remonta ao século XIX. Os residentes de Gumbinnen, incomodados com o nome de seu rio (já que Pissa em prussiano significa “pântano sem chão onde crescem apenas pequenas plantas”), solicitaram ao rei prussiano Friedrich Wilhelm IV uma mudança. Este aprovou a troca em decreto, sugerindo o nome "Orinoco", em alusão ao rio sul-americano. Imagine se essa mudança tivesse sido efetivada! Talvez teríamos uma dança chamada “Orinoco-Tanz” entre as tradições da antiga Prússia.

 

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/aahnkIkcquY . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

25.12.2023 - Rixdorfer

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25.12.2023 - “Rixdorfer” é uma dança imoral?

A canção popular “In Rixdorf ist Musike” foi composta em 1895 por Eugen Philippi, com letra de Oskar Klein, inspirada em uma polca boêmia. Naquele ano, Rixdorf era uma cidade independente. Hoje, ela se chama Neukölln e é um dos bairros da capital alemã Berlim. Mas como ocorreu essa mudança?

No século XII, Berlim era uma cidade menor, e Rixdorf era um vilarejo independente chamado “Richarstorpf”, mencionado pela primeira vez em 1360. A praça “Richardplatz” permanece até hoje e é considerada o centro da antiga cidade. Em 1525, foi renomeada para “Ricksdorf” e, posteriormente, adotou a grafia “Rixdorf”.

No final do século XIX, Rixdorf era conhecida por sua atmosfera frívola, com bares duvidosos e salões de dança proibidos para soldados, pois ali reinava a imoralidade. A reputação negativa levou um grupo de cidadãos a pedir a atenção do Imperador Wilhelm II. Em 27 de janeiro de 1912, no aniversário do imperador, Rixdorf foi rebatizada como Neukölln. Eles acreditavam que a má fama do lugar, reforçada pela música “In Rixdorf ist Musike” acabaria com essa mudança. O nome Neukölln originou-se dos assentamentos ao norte da antiga Rixdorf. Oito anos após a mudança, Neukölln foi incorporada à Grande Berlim.

Pode-se dizer que essa alteração não fez a fama da região mudar. Embora o nome Rixdorf ainda seja lembrado em Berlim, como na bebida Rixdorfer Fassbrause e no Mercado de Natal de Rixdorf, pouco se sabe hoje em Neukölln sobre o antigo vilarejo.

A canção “In Rixdorf ist Musike” evoca as festas animadas da época, refletindo em seu texto a atmosfera pecaminosa de Rixdorf. Mesmo com as mudanças, resquícios dessa história permanecem na cultura local e nas tradições, como nesta dança típica: uma “Kreuzpolka” com galope, polka e figuras com taco e ponta. A dança não é nada pecaminosa e nem imoral aos olhos de hoje, mas sim uma reminiscência das animadas festividades da antiga Rixdorf.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/PXMcQdr8te0 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

24.12.2023 - Sendlinger Galopp

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24.12.2023 - A “Sendlinger Galopp” e a “Sendlinger Schottisch” são de Munique ou de Sendling?

Um dos belos pontos turísticos da capital bávara é o “Sendlinger Tor”, um antigo portão da muralha de Munique, que dava acesso à localidade de Sendling. Por sinal, era comum que vias que levassem para um determinado local acabassem sendo conhecidas pelo nome do destino, como o “Brandenburger Tor” em Berlim, “Berliner Tor” em Hamburgo, “Holstentor” de Lübeck, entre outros. Em muitos casos a estrutura antiga nem existe mais, contudo o nome permanece.

Bem menos turístico que o “Sendlinger Tor” são os bairros muniquenses de Sendling  (no plural, pois a região foi dividida em várias partes). Existem danças especificamente relacionadas a essa parte da cidade, como “Sendlinger Galopp”, “Sendlinger Schottisch” e “Sendlinger Reigen, que foram coreografadas por Ingeborg Heinrichsen, inspiradas em composições históricas. Ela, nascida em Niederlausitz, morou por muitos anos em Munique, onde tinha o hábito de dançar.

Um dado curioso é que até o século XIX Sendling era uma pujante área industrial e artística independente. Até 1818, por exemplo, “Sendlinger Haide”, onde fica hoje a Theresienwiese, não pertencia à Munique. Se o casamento real de Ludwig e Teresa ocorreu em 1810, antes de tudo ser incorporado à capital bávara, se poderia dizer que a primeira Oktoberfest do mundo foi em Sendling? Até então Munique era muito menor do que é hoje, rodeada por uma muralha, e aos poucos foi absorvendo as localidades do entorno.

Assim, quando realizares sua viagem à Baviera, lembre-se de sair da rota comum dos turistas e conhecer Sendling, em Munique. Além da arquitetura antiga e vias menos badaladas, o visitante tem a oportunidade de se surpreender com a boa gastronomia local… além de dizer que esteve na referida região da “Sendlinger Galopp” e “Sendlinger Schottisch”.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a “Sendlinger Schottisch” em https://youtu.be/OaUpk0K9xi4  e veja Ingeborg Heinrichsen em https://youtu.be/fnlABl8-UzU  . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br.

23.12.2023 - Leineweber

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23.12.2023 - Os “Leineweber” eram gente boa?

A canção “Die Leineweber haben eine saubere Zunft” (Os tecelões de linho têm uma guilda limpa) é amplamente conhecida em diferentes regiões de língua alemã. Essa composição, classificada como uma sátira à profissão de tecelagem, faz referência a uma “guilda”, uma associação de profissionais similar a um sindicato. Com o declínio da tecelagem tradicional, a canção assumiu um caráter humorístico, especialmente quando acompanhada por encenações.

Difundida oralmente no início do século XIX, a música zombava dos tecelões de linho, conhecidos como “Leineweber”, cuja situação econômica e social era precária na época. As revoltas dos tecelões, algumas delas relacionadas à fome, ocorreram durante o processo de industrialização do final do século XVIII até meados do século XIX. A canção, nesse contexto, reflete a falta de empatia social e a necessidade de ridicularizar a segregação e exclusão.

Publicada pela primeira vez em 1833, a canção teve versos selecionados para o registro, optando-se por aqueles politicamente corretos, uma vez que versos impróprios eram comuns entre a população.

Devido à sua popularidade, a melodia também foi encontrada em algumas regiões na forma de dança, como registrado por Anna Helms em Eschede, na região de Celle, estado de Niedersachsen, e por Herbert Oetke na região do Mark. Atualmente, Sigrid Doberenz, de Leipzig, criou uma coreografia para a canção.

A popularidade da música pode ser atribuída ao uso de palavras sem sentido, como “harum di dscharum di schrum, schrum, schrum”. No entanto, as estrofes selecionadas por Sigrid Doberenz revelam críticas à vida difícil dos tecelões de linho, destacando sua união diante da fome, critérios rigorosos para aprendizes e até mesmo ironias sobre sua condição de vida.

Assim, a canção perpetua a memória do sofrimento dos “Leinweber” durante a Revolução Industrial, transformando-se em uma expressão popular duradoura.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Escute a música em https://youtu.be/zORcbiltxK4 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

22.12.2023 - Ränningen

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22.12.2023 - A “Ränningen” representa a produção de um tecido específico?

As primeiras informações sobre a dança “Räningen” foram fornecidas por Karl Gustavsson, um violinista sueco de Brännkyrka, um distrito de Estocolmo. Ele também foi responsável pela gravação da música. “Räningen” simboliza o trabalho do tear, sendo considerada uma variante da conhecida dança sueca “Väva vadmal”.

Gustavsson recorda que a última vez que havia visto a dança foi em 1894, em Uppland. A coreografia representa o trabalho do tear desde o início, com a formação de pares em círculo representando a roda de fiar. A disposição em moinho no centro simboliza a roda em ação para a formação do fio, crucial para a produção de tecido.

O círculo se desfaz, formando uma longa corda, simbolizando o enrolar do fio na bobina. Este é preparado para ser colocado no bastidor, onde o casal que se movimenta rapidamente entre as fileiras representa a lançadeira que passa a linha. Após esse movimento rápido, o tear é batido, marcando o momento em que as filas se movem e batem os pés.

Ao final, os pares em fileira apresentam o tecido pronto. A representação em forma de filas representa o tecido listrado produzido no tear e que remete aos trajes suecos. Na Suécia, as vestimentas típicas remontam a roupas confeccionadas antes da industrialização, por volta de 1850. Naquela época, elas eram confeccionadas inteiramente em casa, ou seja, utilizando a lã das próprias ovelhas ou o linho que cultivavam. Assim, os camponeses precisavam preparar o fio e, depois, fazer a trama no tear.

Desta forma, a dança “Räningen” perpetua uma prática comum da vida dos camponeses, transformando-a em uma bela expressão coreográfica.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/8LmOLLcuYzg e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

21.12.2023 - Marschierboarischer

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21.12.2023 - A “Marschierboarischer” é uma dança da terceira idade?

A pergunta ideal seria “existem danças de terceira idade?” Na prática, nos territórios de língua alemã não é convencional dividir os grupos típicos em categorias adultas e “mais experientes”. No geral, os jovens e idosos dançam o mesmo repertório, somente tomando cuidado quanto a intensidade das figuras.

Assim, a “Marschierboarischer”, a “Marcha Bávara”, está desvinculada da idade dos participantes, por mais que não esteja ligada ao universo infantil. Ela é, sim, uma sequência de figuras tradicionais que foi organizada dentro de uma música cadenciada, tendo forte viés identitário. Dependendo da forma como ela é executada, pode exigir dos pares destreza na transição de suas etapas, já que deve haver fluidez nas mudanças de posições.

É costumeiro ver em muitos eventos tradicionais da Baviera e Áustria os “Trachtenumzüge”, as caminhadas de trajes: ao som das bandas típicas os participantes marcham pelas vias públicas. Pode se dizer que a “Marschierboarischer” parece a mistura desses desfiles e figuras típicas, sendo feita para as pistas de baile e palcos. Dentro de uma velocidade moderada, ela é executada com altivez e boa postura. 

Segundo Walter Bucksch, Rudolf Tinsobin compartilhou esta dança com Hermann Derschmidt em 1930, contudo a origem exata da coreografia é imprecisa. A melodia e as figuras dela se alteram um pouco de local para local; de toda forma, no geral, ela mantém sua base rítmica e estética. É possível relacioná-la com formações das “Steirischer”.

Assim, a “Marschierboarischer” busca desfazer o [pré]conceito de que somente as danças acrobáticas e complexas são bonitas: a beleza dessa marcha bávara está em bem executar um desfile de figuras típicas. Fazê-la de modo corrido tornaria-a sem sentido, perdendo totalmente sua conexão ancestral. Seu objetivo é viver as tradições como elas realmente ocorrem nas pequenas comunidades, sejam com jovens, sejam com idosos.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/2MADssNdYHk e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

20.12.2023 - Willewick

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20.12.2023 - A dança “Willewick” está relatada no livro “Zwille wille wick”?

A autora Paula Walendy, nascida em 1902 na Renânia do Norte-Vestfália, publicou mais de 40 livros infantis em suas quase nove décadas de vida. Um dos seus populares trabalhos foi “Zwille wille wick”, de 1949. Essa história tem relação com a dança “Willewick”, que tem registros já em 1880?

Em uma primeira visão, o que poderia indiretamente ligá-las é o tom alegre de ambas. “Zwille wille wick” é destacado como um alegre livro com rimas, contos de fadas e canções, coletadas e editadas por Paula Walendy. Já Herbert Oetke aponta que a “Willewick”, assim como outras danças do Reno, são cheias de “animação”, apresentando gestos jocosos, como ainda se podia ver em Hambach.

A canção que embala essa dança é a “Willewick-bummbumm”, uma valsa lenta que traz em seus versos muitas promessas de um rapaz para uma moça, dizendo que as dores de amor acabaram. Contudo, se visto que logo no início da música ele convida-a para seu “Kämmerlein” - seu “quartinho”-, jurando lealdade, a dama deve realmente confiar nele? Cada um que interprete o que quiser… ainda mais já que se sabe que a dança tem características cômicas.

A história da Renânia-Palatinado é repleta de superações, já que a região está no caminho de muitos conflitos, passando por muitas guerras. Isto teria ensinado à população local a buscar forças na luta pela existência. Fazem parte das danças de lá a “Buchelklopper”, “Hei, du mei liewe Lene”, “Der Birkweiler”, “Alt Hambacher”, “Kreuztanz”, além da própria “Willewick”, entre outras.

Mas voltando à pergunta inicial: o livro e a dança tem conexão? Visto que a publicação de Walendy é infantil e a música “Willewick-bummbumm” tem tons “adultos”, provavelmente não haja relação direta entre eles. De toda forma, como ambas dialogam com a cultura popular, perpassadas pelo rio Reno, as pontes entre elas podem existir, mesmo que distantes. São as possíveis surpresas das Volkstänze.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz , escute a música em https://youtu.be/OIjieGreQ0w  e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

19.12.2023 - Drosselnest

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19.12.2023 - A “Drosselnest” foi salva do fogo?

Certamente, muitos de vocês compartilham uma cena da infância: a família reunida na cozinha, ao redor do fogão a lenha, com o avô ou avó sentados sobre o “Holzkasten”. Especialmente nos dias de inverno, esse era um momento especial - todos se aquecendo em torno do fogão e trocando conversas.

Mas o que isso tem a ver com a dança “Drosselnest”? Bem, por pouco, um dos últimos registros dessa dança quase foi parar no fogo. Quem nos conta essa história é Anna Helms, a pesquisadora que encontrou algumas danças no interior da Alemanha:

“Enquanto pesquisava sobre antigas danças em uma pequena aldeia em Winsen an der Aller, cheguei a uma casa no exato momento em que o fogo estava sendo aceso no fogão da cozinha.

Ao lado do fogão, havia uma grande cesta com papel, lenha e lixo, tudo destinado a ser queimado um por um. Mal pude acreditar no que via quando percebi um monte de partituras soltas nesta cesta. Todas essas partituras estavam repletas de antigas danças da região de Lüneburger Heide e quase acabaram no fogo. Entre elas, estava a encantadora dança “Drosselnest’.”

Em português, “Drosselnest” significa “ninho de sabiá”. A dança leva esse nome porque os rapazes conduzem suas moças até o centro do círculo, onde as quatro meninas formam o ninho de sabiá. Enquanto os rapazes dançam ao redor do ninho, todos cantam:

He, juchhe, no ninho de sabiá, no ninho de sabiá

He, juchhe, no ninho de sabiá, no alto.

Em seguida, durante o movimento de abrir e fechar o ninho, seguem os versos:

Se eu não ganhar o mais velho, mais velho, mais velho,

Se eu não ganhar o mais velho, pego o mais novo.

Muitas vezes, esses momentos com os avós são apenas saudosas lembranças nos dias de hoje. Portanto, devemos valorizar os momentos com os mais antigos. É nessas conversas ao redor do fogão que podemos aprender e descobrir muito sobre nossa própria história e, quem sabe, encontrar mais danças fascinantes como a “Drosselnest”!

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18.12.2023 - Horlepiep

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18.12.2023 - A “Horlepiep” é uma dança do “Holandês Voador”?

Antes de responder à pergunta, é essencial explorar a origem da dança “Horlepiep” antes de sua chegada aos Países Baixos. Remontando ao passado, encontramos o “Hornpipe”, um ritmo de dança conhecido desde o século XV. O termo tem origem em um antigo instrumento de sopro popular no País de Gales e na Escócia. Dessa tradição, nasceu a dança homônima, popular nesses países e também na Inglaterra. Na Dinamarca, uma variação chamada “Hornpfiffen” é encontrada, enquanto que, nos Países Baixos, registra-se a dança “Horlepijp” ou “Horlepiep”.

Acredita-se que a variação encontrada nos Países Baixos tenha sido introduzida no continente por nautas holandeses no século XIX. Por muito tempo, ela ficou conhecida como dança de marinheiros. Atualmente, é frequentemente realizada em grupos de quatro pares.

A hipótese de ter sido trazida por marinheiros do navio fantasma “Holandês Voador”(De Vliegende Hollander) é discutível. Registros históricos mencionam um navio real de Amsterdã, em 1680, que enfrentou uma tempestade no Cabo da Boa Esperança. A teimosia do capitão Willem van der Decken em contornar o cabo levou à suposta maldição da embarcação, atraindo outras e resultando em sua própria destruição. Embora alguns relatos tenham sido considerados ilusórios, as testemunhas detalharam amplamente a história.

Embora seja possível que os marinheiros do “Holandês Voador” conhecessem o ritmo, é improvável que tenham sido os responsáveis por introduzir a “Hornpipe” no continente, já que, segundo a lenda, fora condenado a vagar pelos mares até o fim dos tempos sem poder atracar em nenhum porto. Outros grupos de marinheiros são mais prováveis nessa tarefa.

Você já tinha conhecimento da lenda do navio fantasma “Holandês Voador”? Compartilhe conosco nos comentários.

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17.12.2023 - Die Schöne Wulka

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17.12.2023 - “Die Schöne Wulka” tem parentesco com o Danúbio Azul?

Uma das músicas mais conhecidas do mundo é “An der schönen blauen Donau”, “No belo Danúbio Azul”, em língua portuguesa simplesmente “Danúbio Azul”, do austríaco Johann Strauss. Em alemão é popularmente chamada de “Donauwalzer”. Mas teria a dança “Die Schöne Wulka” um parentesco com a música do Rei da Valsa?

A composição de Strauss trata do famoso rio Danúbio, que nasce na

Alemanha, na Floresta Negra, e corta o continente transversalmente até chegar ao Mar Negro, na Romênia, transcorrendo mais de 2.800 km. Ao passar pela Áustria ele alimenta um sistema fluvial, que percorre vales e atravessa montanhas. Lá, existe um rio de nome Wulka. Por ele passar quase na fronteira com a Hungria, também é chamado pelos antigos magiares de “Seleg”. Seria ele “A bela Wulka” da dança?

Por mais que os nomes sejam os mesmos, é pouco provável que o rio austríaco tenha relação com “Die schöne Wulka”. O principal problema de relacioná-las é a localidade à qual a dança é atribuída, Lauenburg an der Elbe, no norte da Alemanha, que é muito distante desse rio Wulka da Áustria. A cidade fica em Schleswig-Holstein, na divisa com Hamburgo, dentro de áreas de diálogo com Mecklemburgo e Pomerânia.

Então, de qual outra “Wulka” a dança trata? No idioma alemão esse nome não tem significado específico, contudo tem ligação com línguas eslavas, como no caso de dialetos sorábios. Observando de modo detalhado antigos mapas do norte da Alemanha e da antiga Prússia é possível perceber pequenos vilarejos e córregos de nome “Wulka”. Qual deles é o homenageado nessa música, ainda não se tem condições de dizer.

Assim, segue o mistério. Agora, se o nome da dança foi inspirado na valsa de Strauss, não há como precisar. Pelo menos a similaridade de denominações faz-nos presumir que Wulka possa ser também alguma espécie de rio ou riacho. Vejamos o que o futuro pode nos revelar.

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16.12.2023 - Hetlinger Bandriter

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16.12.2023 - A “Hetlinger Bandriter” não existirá mais?

Sim, infelizmente. Mas não se preocupe, vamos explicar!

A dança “Hetlinger Bandriter” foi criada nos anos 1920 por Ludwig Burkhardt (03.10.2023 - Krüz König) como parte do Movimento da Juventude Alemã. Sua coreografia foi desenvolvida durante uma caminhada ao longo do rio Elba até Hetlingen, a cerca de 30 km de Hamburgo. A música, gravada por Paul Neukam de Hamburg-Altona, possui uma melodia característica da região de Lüneburger Heide.

Hetlingen, localidade no Baixo Elba, era conhecida por seus “bandriteiros”. Por muitos séculos, para que a manteiga em barril não adquirisse o gosto dos aros metálicos (que enferrujavam rapidamente), era preciso usar barris presos com aros de madeira. Nas planícies do Elba, crescia uma espécie de salgueiro propício para essa finalidade, fazendo de Hetlingen uma referência na produção de barris com aros de madeira, trazendo prosperidade para a região até por volta de 1960.

Ao visitar Hetlingen e testemunhar a reputação dos “Bandriter”, Burkhardt encontrou a inspiração para sua obra. A dança, segundo ele, materializava-se mentalmente durante seu passeio. O grande círculo simbolizava a colocação dos aros de madeiras, enquanto a segunda parte representava a disposição das aduelas (pranchas de madeira), moldando o barril. A terceira parte, lado a lado com o par, celebrava a alegria pelo trabalho concluído com sucesso.

No entanto, a profissão dos “Hetlinger Bandriter” enfrenta a extinção iminente. De acordo com um jornal de Hamburgo, apenas dez homens em Hetlingen estão preservando esse antigo ofício. Através de uma associação cultural, eles se mobilizam para garantir que as gerações futuras possam compreender como seus antepassados ganhavam a vida, construíam casas e sustentavam suas famílias, preservando assim uma parte valiosa da história local.

Então, infelizmente, a profissão dos “Hetlinger Bandriter” está chegando ao fim.

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15.12.2023 - Reiftänze

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15.12.2023 - As “Reiftänze” são danças de arcos para casamentos ou de profissões?

As danças de arcos em muitas comunidades de língua alemãs podem ser chamadas de “Reiftänze” ou “Bindertänze”. “Reifen” é um aro, como o visto numa roda ou num bambolê. Já “Binder” está ligado à arte de conectar madeiras com argolas e fazer baldes, tinas e barris -“Faßbinder” ou “Großbinder”. A partir dessas tradições que supostamente surgiram os adereços dessas coreografias.

Segundo Karl Horak, as “Reiftänze” são manifestações antigas, inclusive com citação em texto do século XV. Eram danças masculinas ligadas a grupos profissionais, as famosas guildas, ou feitas pelas comunidades para homenagear autoridades da época.

Na atualidade a “Schäfflertanz”, feita pela associação dos tanoeiros de Munique, é com certeza a mais conhecida dentre as “Reiftänze” antigas ainda vivas, datada de 1517. Ela, assim como outras atribuídas ao século XVI, tem como “mito” de origem a Peste Negra, como se essa dança tivesse se originado como resposta à reclusão ao final do período da doença.

Existem também outras “Reiftänze” históricas. Por exemplo, há uma pintura da família de comerciantes Christanell, de Bozano, que representa uma “Bindertanz” realizada em 06.05.1790 na localidade, quando da visita da rainha Maria Luise. Na cidade alemã de Ulm, em Baden-Württemberg, há a “Ulmer Bindertanz”. Em Hüttenberg em Kärnten, na Áustria, dançam a “Hüttenberger Reiftanz”.

Hoje essas danças aparecem em momentos inesquecíveis da vida de muitos casais, como em suas bodas, e também nas atividades festivas das comunidades campesinas, como festas da colheita. São apresentadas com pares tipicamente trajados. Contudo, isso é uma composição recente. Dentro deste novo contexto, a mais famosa delas é a “Tiroler Reiftanz”, havendo também a “Lungauer Reiftanz”, entre outras. Viu-se a partir do século XX novas roupagens e novos personagens para “emoldurar” antigas tradições.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança a versão tirolesa em https://youtu.be/ASpVi1u63gE  e a de Hüttenberg https://youtu.be/ilzai0_VszI  e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br  .

14.12.2023 - Wenn älle Leit schlofet

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14.12.2023 - “Wenn älle Leit schlofet” é uma serenata, quando todos dormem?

Existe uma dança com um nome curioso: “Wenn älle Leit schlofet”. Quer dizer “Wenn alle Leute schlafen”. Sendo de Metzingen, no atual estado alemão de Baden-Württemberg, ela provavelmente esteja escrita em uma variante do grupo de dialetos “Schwäbisch” encontrado em partes do sul da Alemanha, Áustria e Suíça.

E por qual motivo a dança se chamaria “Quando todos estão dormindo”? Por andarem na ponta dos pés? Por ser lentíssima? Nenhum dos dois casos. Essa valsa, mesmo calma, está longe de colocar o público para dormir. Sua coreografia traz um conjunto de figuras diversificadas, que dialogam com a melodia, tornando-a interessante aos olhos dos espectadores. Provavelmente ela assim foi chamada devido à primeira frase da canção que deu base à coreografia:

“Wenn älle Leit schlofet ond i ben no auf,

no spiel i meim Schätzle a Wälzerle auf”

Ela diz “Quando todos estão dormindo e eu ainda estou acordado, então eu toco uma valsinha para a minha querida”. Realmente a música está mais para o estilo de alegrar a amada do que para fazê-la cair no sono.

As informações sobre essa dança, de modo geral, são limitadas. Se tem registro dela em uma publicação de 1935 da editora de Friedrich Homeister de Leipzig, famosa por lançar títulos ligados ao contexto das Volkstänze de toda a Alemanha, como a destacada coleção “Bunte Tänze” de Anna Helms e Julius Blasche. Outro dado aponta que Hans Jörg Brenner, de Fellbach, retoma a “Wenn älle Leit schlofet” em 1981.

Vemos aqui mais uma dança que ficou mais conhecida pela letra da sua canção do que por sua coreografia, uma prática comum, ainda mais em tempos nos quais, para executá-la, dependiam diretamente de cantar e tocar a música. A ironia é que as figuras da “Wenn älle Leit schlofet” são bem mais interessantes do que o título pressupõe. Quantos devem ter lido o nome dela e achado ser enfadonha? Uma pena. É mais ou menos como avaliar todo um livro somente pela capa.

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13.12.2023 - Waldjager

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13.12.2023 - A “Waldjager” faz referência a qual caçador dos contos de fadas?

Um personagem que aparece em diversas histórias antigas é o “Caçador”, em alemão chamado de “Jäger”. “Chapeuzinho Vermelho” e “Branca de Neve” são exemplos que trazem esse personagem, que conhece as matas e tem como profissão capturar e abater animais selvagens. Mas também é sinônimo de “Waldjäger”?

Tecnicamente há diferenças entre os caçadores que atuam em locais específicos, como nas florestas - Waldjäger - e nos campos - Feldjäger, por mais que eles não deixem de ser “Jäger”. Nos Contos de Fadas, eles geralmente atuam em bosques, sendo mais a estilo “Waldjäger”.

Quanto às danças “Waldjäger”, elas não fazem referência a um caçador em específico. A grafia aparece em diferentes dialetos, podendo ter designação de localidades, como “Waldjager”, “Woidjaga”, “Finsterauer Waldjager”, “Innviertler Waldjager” e “Mühlviertler Waldjager”. Em outros casos, podem ser referências a uma característica da coreografia ou localidade como “Junger Bua” e “Bruggertaler”. Termos que são encontrados na Alemanha, Áustria e países vizinhos.

As “Waldjäger” têm provavelmente esse nome em função da simbologia dos caçadores junto às comunidades tradicionais dos Alpes e proximidades. Há outras danças que fazem referência a eles, como a “Jägermarsch” e “Jägerpolka”, assim como muitas canções populares. São visíveis em espaços coletivos de vilarejos alpinos os troféus de caça, por exemplo, uma demonstração de que suas tradições são lembradas.

Quanto à coreografia, ao primeiro olhar, as “Waldjäger” têm tendências comuns, como movimentos simples que interagem com giros do par. Caminhadas, contra-passos e expor a ponta dos pés são exemplos comuns vistos com o “Dreher”. Pode-se dizer que são todas aparentadas? Possivelmente não. Seria um estilo “Waldjäger”? Quem sabe. Não se pode esquecer que diversos contos de fadas também se assemelham, mesmo não sendo produtos de uma mesma fonte.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja exemplos dela em https://youtu.be/OgNvtRn1VUo e https://youtu.be/zJetPGhEe3c  e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

12.12.2023 - Schlunz

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12.12.2023 - “Schlunz” é uma dança ou um xingamento?

A quadrilha conhecida como “Schlunz” tem origem na localidade de Wülpke, situada no distrito de Minden, no leste da Vestfália, na região de Schaumburg-Lippe. Uma das primeiras publicações sobre ela data de 1931, na coleção “Westfälische Heimattänze”, do professor Otto Ilmbrecht.

Uma particularidade interessante é a explicação dada por Otto Schneider no livro “Tanzlexikon” para a origem do nome da dança. Ele sugere que o termo “Schlunz” deriva do verbo “schlunzen”, que significa “ser desleixado”. No idioma alemão, “Schlunz” frequentemente se refere a uma pessoa suja e desajeitada. Embora a origem exata da palavra não seja clara, o dicionário Grimm aponta usos do termo e de suas variantes desde o século XIV, denotando algo sujo e desarrumado. Curiosamente, a palavra em inglês “slut” e a alemã “Schlampe” têm a mesma origem.

Contudo, surge a questão: a dança deve ser executada de forma desleixada? Apesar da ausência de registros indicando o contrário, é improvável. O nome dela pode ter se originado de uma canção com esse título ou ter sido atribuído pelos moradores locais em algum momento, mas, até agora, não foram encontrados dados que justifiquem essa nomenclatura. Independentemente disso, é destacado que a dança não deve ser interpretada de maneira desleixada.

É curioso notar que, na Alemanha, a partir de 2007, uma série de livros infanto-juvenis intitulada “Der Schlunz” foi lançada, apresentando um protagonista que perdeu a memória em um acidente e só se lembra de ser chamado de “Schlunz”. Esse personagem, com a cabeça cheia de ideias malucas, pouco preocupado, aventureiro e atrevido, pode ter recebido esse apelido por essas características. Enquanto isso, a origem da dança permanece um mistério intrigante.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz .  Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

11.12.2023 - Schurt den Ketel ut

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11.12.2023 - A “Schurt den Ketel ut” é uma dança ou uma tarefa?

No casamento pomerano, a “Schurt den Ketel ut” era uma tradição comum. A noiva e o noivo, assim como seus familiares eram apresentados por meio dessa dança, que requeria alguém para entoar a parte A da canção, enquanto todos, em coro, cantavam a parte B.

Na letra, os versos instigavam a limpar bem o caldeirão, crucial para celebrar o casamento, pois seria usado na preparação da cerveja festiva. Afinal, um caldeirão sujo significava a ausência da cerveja, elemento indispensável para o sucesso da festa.

O responsável pelas apresentações iniciava chamando os noivos: “Martha, esta é a noiva” e “Peter, este é o noivo”. Na sequência, os pais deles eram apresentados na segunda estrofe, seguidos por irmãos, tios, tias, padrinhos e demais parentes. Entre cada conjunto de versos, todos cantavam o texto sobre o caldeirão da cerveja, dançando em círculo.

O relato de Gundel Hergenhan, baseado nas histórias de sua mãe, Ursula Langbecker, revelou a tradição vivenciada em 1930, quando Ursula, aos 16 anos, foi apresentada durante a “Schurt den Ketel ut” nas núpcias de uma prima em Reckow. Cada parente era destacado individualmente, seguindo um protocolo que se estendia também às moças que participavam de um casamento pela primeira vez após sua Confirmação.

Na região do Mark, a dança também era praticada como uma antiga tradição de casamento. Geralmente, era seguida pela dança “Kränzchen ist verloren”, quando a moça trocava sua coroa de flores pela touca, simbolizando a transição de solteira para casada, uma prática comum também na Pomerânia.

É interessante notar que um relato publicado em 1903 na Alemanha por Eberhard Meinhold, contando sobre um casamento pomerano em São Lourenço do Sul-RS, menciona esse momento da troca da coroa pela touca, marcando o ritual de mudança de estado civil da mulher.

Portanto, apesar de ser uma dança “Schurt den Ketel ut” é também uma importante tarefa. Afinal, sem ela, a festa não acontece!

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz  . Veja um pouco sobre o casamento na Pomerânia em https://youtu.be/kK3rGIPi3Fw  com o Ihna Erlangen e o Ina Gollnow.

10.12.2023 - Heidjer

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10.12.2023 - “Heidjer” é uma dança ou uma pessoa?

“Heidjer” é o termo encantador em Plattdeutsch para designar os habitantes da região de Lüneburg, conhecida como “Lüneburger Heide”. Igrejas, moinhos, antigas fazendas e sítios arqueológicos testemunham a história milenar dessa área e a vida do povo Heidjer.

O idioma regional, conhecido como “Heidjer-Platt”, representa não apenas um valioso patrimônio cultural, mas também uma expressão do pensamento local. Lendas e contos de fadas permeiam histórias de gigantes, bruxas, ladrões e trolls apaixonados. Escritores e artistas como Herman Löns, Christian Morgenstern e August Freudenthal, além de produções cinematográficas locais, contribuíram para moldar a imagem da Lüneburger Heide, tornando-a reconhecida. A atmosfera às vezes sombria e nebulosa da região continua a inspirar muitos escritores e artistas.

Apesar de a região de Lüneburger Heide possuir diversas danças típicas registradas e a maioria delas ainda ser executada em festas locais, Heinrich Dickelmann, um músico alemão, optou por nomear sua criação em homenagem aos nativos de Lüneburger Heide. Na década de 1920, Dickelmann compôs e coreografou a quadrilha “Heidjer”. Destacando-se pelo zigue-zague com passos de balanço e saltos finais, essa combinação caprichosa de passos pode parecer peculiar e desafiadora inicialmente, mas, uma vez dominada, proporciona um autêntico prazer de dançar.

A dança “Heidjer” exemplifica as características das danças do Movimento da Juventude Alemã, apresentando coreografias e figuras mais complexas, à semelhança de outras duas criações de Dickelmann: “Lanzer” (05.11.2023) e “Kontra Lustig” (12.11.2023).

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz  . Veja os vídeos do canal oficial do Lüneburger Heide em https://www.youtube.com/@lueneburgerheideTV  e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

09.12.2023 -Hammerschmiedgselln

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09.12.2023 - A “Hammerschmiedgselln” é a dança dos ferreiros?

Há muitas danças que estão ligadas a belas histórias. A “Hammerschmiedgselln” é uma delas. Vejamos: ela seria uma antiga coreografia masculina vinda da guilda dos ferreiros. As palmas e os movimentos dos rapazes representariam as conversas entre os aprendizes que, segundo essa teoria, necessitavam trocar experiências profissionais discretas entre si, já que seus mestres não lhes ensinavam todas as etapas do ofício, temendo perder seu trabalho.

A história é bonita, mas procede? A tradução de “Hammerschmiedgselln” realmente faz referência ao aprendiz de ferreiro, especificamente aos marteleiros. Em geral as muitas letras dessa canção, vistas em distintos dialetos, não contradizem essa narrativa, apresentando cânticos possivelmente entoados por esses profissionais.

Não há como verificar se a história é real - nem em partes. Primeiramente, ela não tem só um nome: “Der Hammerschmied”, “Die Hammerschmiedg'söll'n”, “Hammmerschmiedgeselle”, são variantes do mesmo título, já “Klatschwalzer”, “Alt-Ausseer” e “Zimmermannsschlag” seguem outras lógicas. No último exemplo, que trata do marceneiro, observamos que aproveitam a mesma narrativa para outra profissão.

Seria ela, então,inspirada em profissões medievais? É uma possibilidade, no entanto, seus registros são datados do século XIX e início do XX. De toda forma, não se pode descartar que um antigo costume das guildas acabou se modificando com o passar do tempo e, em partes, perdurando até a atualidade. Coreografias com espadas, varas, arcos, fitas, entre outras, são casos onde mesmo alteradas, essas tradições têm uma origem ancestral.

Onde surgiu? Por onde transitou? Só participam homens? Há muitas perguntas que mereceriam respostas claras, mas nem sempre há algo preciso para dizer. As publicações conhecidas são em maioria austríacas. Há registros no sul da Alemanha e inclusive menções de que ela teria vindo da Suécia. Trata-se da cultura em livre movimento, como as comunicações paralelas dos aprendizes das gerações pré-internet.

Quer saber mais? Veja a dança em https://youtu.be/FfRyuG2BAqY  e acompanhe o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br  .

08.12.2023 - Helgoländer Siebensprung

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08.12.2023 - A “Helgoländer Siebensprung” é uma dança de casamento?

Para esclarecer a origem desta dança, a pesquisadora Anna Helms oferece suas próprias palavras:

“Quando testemunhamos pela primeira vez a ‘Helgoländer Siebensprung’ em 1908, eu tinha conhecimento limitado sobre a história da dança. No entanto, a cena que presenciei ainda está viva em minha memória: ao entrar no salão de dança, algo extraordinário aconteceu. O grande grupo de convidados para aquela festa de casamento se uniu em uma dança. Ao ver mulheres mais velhas, pescadores, seus filhos e filhas, todos elegantemente vestidos, movendo-se em um círculo, fiquei maravilhada.

Ao som do animado refrão ‘Wide-widewitt’, percebi que todos levavam a dança a sério. Cada sequência era executada com maestria. Um sentimento poderoso de solenidade surgiu em nós, indicando a magia e o poder ancestral dessas danças, possivelmente ligadas à vida.

Entendemos melhor essas danças ao imaginarmos a experiência grandiosa do despertar da natureza. A dança era o ponto central das festas e celebrações de todos os povos, como ainda é observável entre aqueles mais próximos da natureza. Quem está familiarizado com a rica variedade das danças típicas notará o contraste apresentado pela ‘Helgoländer’, com sua forma única de grande círculo e sete níveis distintos de ‘saltos’, remetendo a uma antiga cultura da dança.

Böhme, em sua ‘História da Dança’, sugere que possivelmente era uma dança germânica de oferenda para celebrar a primavera. A mitologia associa ‘Frigga’, a deusa da primavera, aprisionada pelo gigante do inverno. Uma interpretação encantadora sugere que, ao bater sete vezes na Mãe Terra, a jovem deusa da primavera desperta para uma nova vida e criatividade.”

Anna Helms traz elementos semelhantes aos apresentados na narrativa sobre a dança “Langenschiltacher Siebensprung” (09.11.2023). Embora não seja exclusiva de matrimônios, Anna Helms teve a sorte de testemunhar a “Siebensprung” em uma festa de casamento em Helgoland.

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07.12.2023 - Bankerltanz

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07.12.2023 - A “Bankerltanz”, “Dança do Banco”, é para crianças?

No século XX intensificou-se no sul da Alemanha as atividades das Associações de Trajes - Trachtenvereine -, que além de preservar as vestimentas típicas, também trabalham na manutenção dos dialetos, das canções tradicionais, das danças populares, entre outros pontos. Se tornaram espaços de fortificação de identidades regionais, principalmente entre os camponeses.

Na Baviera essas entidades tiveram crescimento em dois momentos históricos: na primeira metade do século XX, com os movimentos nacionalistas, e na segunda metade, com a Guerra Fria. Também a Olimpíada de Munique (1972) deu visibilidade a esses grupos culturais.

Com o tempo, esses bávaros acabaram incrementando as suas apresentações públicas, sofisticando suas coreografias e agregando adereços - como arcos e fitas. Isso ocorreu seja por diversão, seja pelas demandas do turismo crescente, o que também levou a um clima competitivo: que grupo faria a melhor dança? Neste contexto, um dos destaques passou a ser o “Schuhplattler”, o sapateado, já existente anteriormente, que teve sua técnica aprimorada, havendo em alguns casos o acréscimo de teatralidade e brincadeiras.

 

Em um relato de um grupo de Ruhpolding, por exemplo, eles citam que nos anos de 1950 os jovens e crianças já realizavam o jogo do banco - “Bankerlbuam” - “Banco dos Meninos”. Depois, ele foi incorporado a sequências com “Schuhplattler” se tornando a “Bankerltanz” atualmente popular, que se mantém ativa ainda hoje com os adultos do grupo. O que se sabe é que essa teatralização somada à coreografia não ficou fixa em uma única sequência.

 

Posteriormente, com o sucesso da “Bankerltanz” junto ao público - com destaque aos turistas -, passaram a novamente valorizar a “Bankerlbuam”. Em alguns locais, inclusive fora da Baviera, foi suprimido o sapateado e fizeram novas coreografias para as brincadeiras com os bancos. Um exemplo voltado às crianças é o “Bank(l)-Reiter”.

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06.12.2023 -Holsteiner Dreitour

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06.12.2023 - Quantas sequências tem a “Holsteiner Dreitour”?

A busca pela origem da “Holsteiner Dreitour” revela uma lacuna de informações nos registros dela. Ausente em referências dedicadas às danças típicas, essa coreografia não encontra espaço em fontes convencionais. No entanto, ao explorar as danças características do Norte da Alemanha, surgem similares como a “Dreitourig” (Ost-Holstein), “Pommersche Dreitour” (Pommern), “Schwarzer Rappen” (Mecklenburg) e “Krup dörn Tun” (Bückeburg).

Embora estas compartilhem algumas características, nenhuma está diretamente associada à “Holsteiner Dreitour”. Uma investigação mais profunda revela que a “Dreitourig” catalogada pelo professor Wilhelm Stahl não apenas apresenta uma coreografia semelhante, mas também uma melodia comparável. Stahl, em suas publicações, indica que retirou as danças dos “Fichtelbücher”, livros de músicos locais. A possível omissão do nome da região sugere que, na época, isso não era considerado relevante.

Descobertas recentes apontam Franz Pulmer, pesquisador, professor e músico, como possível responsável pela renomeação da dança. Pulmer, conhecido por agregar nomes de lugares às danças, pode ter aplicado o mesmo princípio à “Holsteiner Dreitour”. O registro escrito mais antigo desse nome ocorre em atas de um seminário de danças conduzido por Pulmer em 1960, próximo a Hamburgo.

A popularidade da “Holsteiner Dreitour” cresceu ainda mais em 1961, com seu destaque no LP da editora Walter Kögler, alcançando grupos não só na Alemanha, mas também em outros países. Apesar de outras “Dreitour” mencionadas apresentarem de oito a dezoito repetições, a limitação de sequências a quatro na “Holsteiner Dreitour” foi uma escolha pragmática para adequar-se à duração de um disco, estabelecendo um padrão para a gravação de quadrilhas do Norte da Alemanha.

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05.12.2023 - Drei Deiwels Danz

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05.12.2023 - Que demônios fazem parte da “Drei Deiwels Danz”?

Veja essa charada: Ludwig morreu e conversará com três demônios que decidirão seu destino: o da “verdade”, que sempre diz a verdade, o do “engano”, que sempre mente, e o da “diplomacia”, que às vezes diz a verdade e às vezes não. Ele os encontra à sua frente sentados em uma mesa. Para saber quem é quem, Ludwig pergunta: "Qual de vocês está sentado no meio?" O da esquerda responde: "No meio está o demônio da veracidade." O do meio responde: "No meio está o do engano." Já o da direita responde: "O da diplomacia fica no meio." Então, qual deles está sentado no meio?

Charadas à parte, a “Dança dos Três Demônios” teria sido recolhida no norte da Europa, na costa do Mar Báltico. Hermann Huffziger, em suas publicações “Der Tanzkreis”, buscou dar luz a danças da Prússia Oriental. Ele encontrou títulos como “Allemande”, “Gröttketeller”, “Hack und Zeh”, “Der Besentanz”,... e “Drei Deiwels Danz”. Segundo consta, ao apresentá-las às comunidades, era como se as memórias de juventude de Huffziger se mostrassem a público.

Uma versão da “Drei Deiwels Danz” que tornou-se conhecida é a executada pelo “Tanz- und Folkloreensemble Ihna”, de Erlangen. Essa coreografia é atribuída à Rosemarie Ehm-Schulz. Nos arquivos da antiga DDR - Deutsche Demokratische Republik ela aparece como “Mädchentanz”, a “Dança das Meninas”, provavelmente por ser realizada, nesta variante, unicamente por moças.

Sobre o nome, não se tem clareza do por que ser “Drei Deiwels Danz”. Provavelmente não tenha relação com eventos do Krampuslauf ou outra alusão aos festejos natalinos. É bom lembrar que a ideia de “demônios” era bem comum em culturas pagãs, como o exemplo da personificação do inverno. Com o tempo esses personagens e suas narrativas foram ressignificados.

E descobriu a resposta da charada dos três demônios? Escreva aqui nos comentários. Provavelmente não tenha relação com a dança… contudo, assim como ela, pode ser um bom divertimento.

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Veja a dança em https://youtu.be/RDcuwp-G5W8  e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br

04.12.2023 - Eiswalzer

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04.12.2023 - A “Eiswalzer” é uma dança de salão?

Tanto no presente quanto no passado, um baile é uma festa onde há música e os participantes convidam outros para dançar. Por outro lado, hoje é recorrente ter nesses eventos “som mecânico”: antes do advento dos aparelhos eletrônicos, 100% da animação musical vinha por conta da execução ao vivo das melodias. Os músicos tocavam o que os presentes gostavam… ou as novidades que eles acabavam conhecendo em suas viagens.

Se for observado a realidade do século XIX e início do XX, vemos que muitas das danças chamadas hoje de típicas nasceram nas pistas desses bailes, como pode ser o caso da “Eiswalzer”. Segundo Ilka Peter, ela foi coletada por Anna Aberger primeiramente em 1939 na Áustria, a cerca de 50 km ao sul de Linz. Nessa oportunidade ela era conhecida meramente como “Walzer”, sem um nome específico. No ano seguinte, 1940, Anna teria reencontrado a mesma coreografia, quando Johann Fischhofer, um sapateiro de profissão, lhe mostrou a dança, que chamou de “Eiswalzer”. Ela seria homônima à música que geralmente a acompanhava.

E a “Eiswalzer” é de que ano? Isso não temos como precisar. Provavelmente não é antiga, sendo ainda do século XX, contudo sua estrutura segue a tradição das danças abertas presentes em bailes típicos. Trata-se de uma sequência de 8 compassos: 2 para andar para o sentido do círculo, 2 para seguir de costas, 4 de valsa rodada com o par. Uma formação simples que sem grandes dificuldades teria aparecido espontaneamente em meio a festividades.

Se na atualidade as bandas promovem suas músicas com base em coreografias feitas para o público interagir mais com seus lançamentos, a estilo “Fliegerlied”, antigamente o efeito não era bem esse, por mais que os conjuntos musicais soubessem se aproveitar do que estava “em alta”. É a mostra de que as danças típicas também podem ter base um tanto nos “hits” de seu tempo, mesmo que dentro de uma realidade menos abrangente e “rentável” do que a atual.

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03.12.2023 - Webertanz

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03.12.2023 - A “Webertanz” é uma dança camponesa do tecelão?

O que há em comum entre a dança do sapateiro, do ferreiro, do carpinteiro, do alfaiate, do tanoeiro, do pescador, do fiandeiro e do tecelão? São ligadas a profissões. Mas por mais que muitas coreografias e canções antigas tragam esse tema, somente uma pequena parte delas surgiu dos profissionais desses setores: a maioria é de origem camponesa.

A “Webertanz” é um desses casos. Por mais que existam muitas danças dos tecelões, a mais famosa é a “Väva vadmal” sueca, que depois chegou à Alemanha, Noruega e demais Estados vizinhos, recebendo novas versões. Fontes apontam que sua melodia e coreografia já eram executadas no século XVIII, praticamente como no formato atual. Se popularizou tanto entre os camponeses, quanto entre a pequena nobreza.

Observando uma das letras suecas, vê-se que descreve o processo da tecelagem, mais ou menos assim: “então tecemos os fios, depois os batemos juntos,...” dando o passo a passo do fazer do tecido. Se for analisar a coreografia, ela também segue essa lógica, reproduzindo os movimentos do tear: uma pantomima desse trabalho milenar. 

E é bom lembrar que a sobrevivência dessa dança no passar dos séculos deve-se a um conjunto de fatores. A tecelagem ser uma prática existente tanto no ambiente profissional, com os tecidos finos, quanto nas residências, com os panos rústicos, por exemplo, fez com que a “Webertanz” estivesse na mente dos camponeses. Também a estética, com uma combinação elegante de figuras e música fluida, teve papel fundamental para que ela caísse no gosto das comunidades.

Considerada uma das mais belas danças típicas da Europa, a “Väva vadmal” / “Webertanz” não só mostra elementos de uma profissão, que depois se tornaria centro da Revolução Industrial, como também é um exemplo vivo de como os  ofícios diários se manifestavam nas tradições e identidades locais. São as pessoas tecendo sua história através da cultura popular.

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02.12.2023 - Karusellen

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02.12.2023 - Na “Karusellen” os adultos pagam 10 e as crianças 5?

Dizem que os parques de diversões surgiram na Dinamarca no século XVI, mas que já nas feiras da Idade Média européia se montava estandes de entretenimento. De toda forma, foi só a partir da revolução industrial, com as máquinas à vapor, que apareceram os brinquedos mecânicos que se conhece hoje.

Um exemplo de brinquedo que ainda hoje é popular nesses parques é o Carrossel. O nome significaria “pequena batalha”. Era um circo giratório com réplicas de cavalos e carruagens. Seu ar romântico inspirou casais de namorados. Por isso, não imagine que ele era somente para crianças: quando surgiu era amado por todas as idades.

No início do século XX ocorreu um seminário de professores em Nääs, na Suécia, e lá teria surgido uma canção chamada “Karusellen”. Também conhecida como “Jungfru skär” ou “Jungfru skön”, ela falava exatamente desse brinquedo dos parques de diversões. Registros apontam que a música foi publicada por Otto Hellgren e Rurik Holm em 1905 e que recebeu também uma dança.

Sua letra diz: “Jovem dama, aqui está o carrossel, que segue até à noite. Custa 10 para os grandes e 5 para os pequenos. Apresse-se, agora o carrossel está partindo.” Em sua segunda estrofe coloca: “Hahaha, agora está indo bem, seja pro Anderson, pro Peterson ou para o Lundström”. 

Essa música também chegou à Alemanha, como “Das Karussell” ou “Karusselltanz”, mantendo o contexto da letra sueca. Novas variantes da coreografia também surgiram, contudo as figuras centrais vistas na Escandinávia se mantiveram preservadas. No Brasil a dança tornou-se conhecida através do trabalho do “Tanz- und Folkloreensemble Ihna”, de Erlangen - Alemanha.

E duas curiosidades: 1. na Suécia tornou-se popular dançar a “Karusellen” em torno da árvore de Natal ou envolta da “Majstång” - a Árvore de Maio sueca. Assim, para muitos essa música ficou associada ao período natalino. 2. A música ganhou fama nos anos 1950 por ser o tema de um programa de rádio sueco.

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01.12.2023 - Krebspolka

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01.12.2023 - Na “Krebspolka” se anda como um caranguejo?

Nas culturas populares é bastante normal que um conjunto de músicas e danças venham de uma base comum. Como um telefone sem fio, uma melodia e/ou coreografia acaba se espalhando no passar do tempo, no “boca a boca”, e ganha mutações. A “Krebspolka” é mais do que um bom exemplo desse tipo de manifestação. 

Primeiramente, é importante dizer que não se sabe de qual canção esse conjunto de danças se originou. Fazem parte dele “Krebspolka”, “Manchester”, “Neukatholisch”, “Lott is dood”, “Line Klare” “Rückwärtspolka”, “Der Neukatholische aus dem Pinzgau”, “Heß”, “Neukatholischer aus der Ramsau”, “Vierschritt”, entre outras. Qual delas é a mais antiga? Isso também não se tem como precisar.

Em grande parte das vezes, se pode especular a origem dos seus nomes, mas na maioria delas é difícil dar uma certeza. “Krebspolka”, como se escuta popularmente no sul da Alemanha e Áustria, seria devido ao fato dos pares darem passos laterais para irem e voltarem, como um siri. Por esse motivo ela seria a “Polca do Caranguejo”. Se esse argumento se faz realidade, daí é outra história.

Já no norte da Alemanha é mais comum chamá-la de “Lott is dood”, ou “Lott ist tot”. Ela tem uma canção, muitas vezes cantada em dialeto “Plattdeutsch”, que conta que o Lott está morrendo… o que é bom, já que isso significa ter uma herança por chegar. Já o refrão inicia geralmente com uma contagem “eins, zwei, drei, vier” seguido de uma parte de um versinho; depois continua a numerar “fünf, sechs, sieben, acht” e fala a segunda parte do verso. Devido ao teor dos textos, há a dúvida se eram feitos para adultos ou crianças.

O que se pode dizer com absoluta certeza é que não se trata de uma dança nacional e sim internacional, já que é encontrada em diferentes áreas da Europa, inclusive na Escandinávia. É uma antiga manifestação cultural que merece um mapeamento mais amplo e aprofundado. Uma grande corrente que conecta distintos povos e identidades.

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30.11.2023 - Boarischer

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30.11.2023 - A “Boarischer” é uma dança ou um estilo?

 

Dizem que alguns lugares do mundo tem seu estilo próprio de dança. O Brasil é mundialmente conhecido pelo “samba”, na Argentina e Uruguai reina o “tango”, no Rio Grande do Sul tem destaque o “bugio”… e se você for para o sul da Alemanha, especificamente na Baviera, vai ser a “Boarischer”.

Por mais que ela também seja dançada em várias partes da Áustria e Itália, o nome “Boarischer” é uma referência em dialeto ao adjetivo “bávara”: ao que é da Baviera. Trata-se de uma espécie de Schottisch geralmente dividido em duas partes: 1. separação e junção dos casais, 2. giros do par. Pela sua simplicidade tanto melódica quanto coreográfica, se tornou extremamente popular entre as comunidades tradicionais, ganhando diversas composições e variantes.

Hoje se pode encontrar muitas canções chamadas “Boarischer”, ou suas variantes dialetais, usando o ritmo de mesmo nome. São exemplos dessas danças “Rehragout Boarischer”, “Altenberger Boarischer”, “Boarischer aus der Ramsau”, “Lunzer Boarischer”, por mais que a estrutura delas possa ter se distanciado das formações originais.

Um dado interessante é que esse estilo acabou ganhando as paradas de sucesso dentre as “Schlager” do sul da Alemanha, Áustria e Itália. Assim, várias bandas que mesclam o típico e o moderno acabaram criando suas próprias “Boarischer”, como o famoso conjunto austríaco Die Mayrhofner, com o “Schei-wi-dei-wi-du”, AlpenRebellen, com “Holzknechtboarischzeit”, e o Zillertaler Haderlumpen, com seu “Nanana”. Em muitos casos elas foram acrescidas de coreografias modernas, essas não podendo ser chamadas de “típicas”.

Assim, a “Boarischer” conseguiu entrar tanto nas Volkstänze quanto na cultura Pop de regiões de língua alemã. É produto de uma mescla de elementos, constituindo uma forma de dançar com forte base identitária. Podendo ser tocada com cítara ou com uma banda moderna, ela se mantém atual há décadas, assim como suas irmãs internacionais.

 

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29.11.2023 - Dreiertanz

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29.11.2023 - A “Dreiertanz” vem da Itália ou da Áustria?

 

Uma dança muito popular dentre os tiroleses é a “Dreiertanz”. Essa “Dança em Trio” é tradicionalmente atribuída à localidade de Merano / Meran. Karl Horak apontou que ela é de 1944 e foi executada por jovens na região Ober-Lana. Por este motivo ficou conhecida como “Meraner Dreier”, “Südtiroler Dreier” e  “Dreiertanz aus dem Burggrafenamt”.

 

Mas qual é a nacionalidade desta dança? Primeiramente, existe uma área geográfica denominada Tirol, que inicia ao norte da Áustria, na divisa com a Baviera, e segue por dentro do norte da Itália. Se for considerar a cartografia da região, Merano, onde teria surgido a “Dreiertanz”, está no mapa na parte sul do Tirol, chamado de Südtirol ou Alto Ádige. Assim, se ela tivesse um passaporte posterior a 1920, constaria  que ela é “italiana” de nascença.

 

Entretanto, mesmo vendo a questão geográfica, é importante também destacar que a identidade tirolesa se expande além das áreas oficialmente chamadas de Tirol. Há comunidades em áreas italianas fora do Alto Ádige, por exemplo, que se consideram “Tiroler”, algumas delas, inclusive, de dialeto ladino. Uma questão muito mais ampla do que puramente uma demarcação de fronteiras. Trata-se de uma questão histórica, como se pode ver na antiga música “La Verginella”: “Ho girato la Italia e il Tirol” ou “I tirolesi son bravi soldati”, onde não apresentam o Tirol como uma parte de um Estado nacional. Ele tem sua unidade por ele mesmo.

 

E voltando à “Dreiertanz”, a estrutura desta dança tem características específicas austríacas ou italianas? É claramente uma sequência de figuras de Ländler adaptadas para trios, já que sua tradicional formação seria em pares. As regras básicas desse tipo de coreografia permanecem. É um contexto comum ao Tirol como um todo, assim como para as demais comunidades que assim se identificam.

 

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28.11.2023 - Der Kuckuck und der Esel

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28.11.2023 - “Der Kuckuck und der Esel” é uma dança ou uma música?

O cuco e o burro estavam em uma discussão: “em maio, no início da primavera, quem cantaria melhor?” O pássaro falou “deixa comigo, eu faço isso” e começou a gritar. O burrinho ouvindo aquilo imediatamente disse “eu posso fazer melhor”. No final soou lindo e adorável, para quem escutava de perto ou de longe, quando ambos cantaram juntos “Kuckuck, Kuckuck, Iaaaaa, Kuckuck, Kuckuck, Iaaaa”.

Essa é uma releitura da canção “Der Kuckuck und der Esel” - “O Cuco e o Burro”. A letra seria de 1835, atribuída à August Heinrich Hoffmann von Fallersleben. Já a melodia seria mais antiga, de 1810, de Carl Friedrich Zelters, feita para o poema de Johann Wolfgang von Goethe “Schneider-Courage”, mais conhecido por seu primeiro verso “Es ist ein Schuss gefallen”.

O texto musicado de Goethe, diferente do de von Fallersleben, não tem nenhum cuco ou burro: um jovem atirador deu um disparo na casa dos fundos, assustou dois pardais e um alfaiate, que cairam com o tiro. Daí vem a explicação: os pardais caíram por causa do tiro, o alfaiate pelo susto… e o resto do texto é melhor ser lido no original.

E a dança “Der Kuckuck und der Esel”? Assim como acontece com outras canções infantis, esta segue como uma brincadeira. Uma das possibilidades é realizarem uma sequência no estilo “Kettentanz”, quando, em uma fileira que serpenteia na pista, vão se agregando - se encadeando - novos participantes enquanto estes cantam, podendo ter troca do puxador das figuras.

Um dado nesta música é importante: sua mensagem. Um pássaro cuco e um burro? Sim, eles podem cooperar. Não é sempre nas canções antigas que há uma mensagem tão evidente de que os diferentes, com distintas características, podem atuar muito bem juntos. Mostra que o princípio da empatia e tolerância, na busca de um objetivo comum, é algo almejado há muitas gerações.

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27.11.2023 - Schnedderedäng

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27.11.2023 - “Schnedderedäng” é uma dança política?

“Schnedderedäng” ou “schnedderedeng” é uma palavra onomatopeica que imita o som de uma fanfarra ou trombeta e representa o nome de uma dança e uma canção originárias da região de Vogtland, ao sul do estado da Saxônia.

Na antiga Alemanha Oriental, o apoio generoso do Estado aos grupos profissionais de dança e à pesquisa de danças tradicionais era influenciado por propósitos ideológicos, contrastando com canções folclóricas ambíguas populares na cena “Folk” da antiga DDR. Grupos de dança que buscavam maior originalidade e independência do governo, pesquisando e resgatando danças típicas de forma original e não em coreografias para palcos, aproveitaram a oportunidade para expressar uma certa rebeldia.

Isso se reflete na letra da canção da dança. Originalmente, dizia:

“Zum Schnedderedäng, zum Schnedderedäng,

die Luft ist rein

von Plauen bis nach Falkenstein”, referindo-se a duas cidades de Vogtland, elogiando o ar puro entre elas.

No entanto, a letra foi modificada para:

“Zum Schnedderedäng, zum Schnedderedäng,

die Luft ist rein

von Bitterfeld bis Espenhain”. Mas por quê?

Na verdade, a região entre Bitterfeld e Espenhain não tinha um ar tão puro como a canção sugere. Isso foi uma ironia, pois ambas as cidades, Bitterfeld ao norte de Leipzig e Espenhain ao sul, eram conhecidas por suas indústrias químicas na Alemanha Oriental e a poluição era notória.

Isso representou uma forma sutil de protesto do movimento das danças típicas na Alemanha Oriental contra as questões ambientais da época, uma vez que protestos formais eram impensáveis sob aquele governo.

Sigrid Doberenz de Leipzig, uma figura proeminente no movimento de danças típicas dos anos 1980, posteriormente publicou essa dança.

Embora a dança originalmente não tivesse uma mensagem política, ela ilustra como uma simples canção pode transmitir uma mensagem profunda, especialmente em um período em que a liberdade de expressão era restrita.

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https://youtu.be/TiCgK-7VAfQ e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

26.11.2023 - Sonndesdanz

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26.11.2023 - “Sonndesdanz” é uma dança de domingo?

A “Sonndesdanz” é uma brincadeira tradicional entre rapazes e moças. Inicialmente, todos se tratam com afeto, porém, em seguida, demonstram indiferença ao dar de ombros, pois nenhum deles quer demonstrar muito interesse no par. No entanto, no desfecho, a harmonia é restaurada com uma sequência de valsa.

Os luxemburgueses buscaram registros de Aenne Gausenbeck sobre danças típicas da região do rio Reno para resgatar sua “Sonndesdanz”. Eles encontraram a “Sonntagsnachmittag-Tanz”, coletada pela autora nas proximidades de Colônia. Tanto a dança luxemburguesa quanto a variação do Rheinland fazem referência ao domingo, sendo esta uma “dança de domingo”.

Porém, a descrição de Gausenbeck não explica por que a dança leva esse nome, mas presume-se que muitas festas nas aldeias eram realizadas após a missa dominical. Esse era o momento em que muitos aproveitavam para se aproximar de alguém de seu interesse e, quem sabe, até dançar juntos.

Segundo Gausenbeck, os moradores do Rheinland acrescentaram uma antiga canção e um toque de teatralidade à dança, transformando-a em um diálogo animado. O que começa com uma saudação simples e movimentos convidativos para dançar, rapidamente se torna um drama com pedidos e recusas. Portanto, é fundamental que os rapazes cantem a primeira parte e as moças entoem a segunda.

Mas o que eles cantam?

Na “Sonntagsnachmittag-Tanz” são incorporados os versos de uma canção conhecida em diferentes regiões: a “Mädel wasch dich”. Os rapazes convidam as moças da seguinte forma:

“Menina, lave-se, arrume-se, penteie seu cabelo,

então iremos ao baile juntos.”

No entanto, as moças respondem:

“Não, meu senhor, não tenho permissão para fazê-lo,

minha senhora não me permite.”

Agora surge a dúvida: será que as moças realmente não tinham permissão para ir ao baile, ou elas não desejavam acompanhá-los, ou ainda estavam fazendo jogo duro na esperança de que os rapazes insistissem?

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25.11.2023 - Hänsel und Gretel

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25.11.2023 - Hänsel und Gretel” é a história do João e da Maria?

Uma narrativa popularizada pelos Irmãos Grimm no século XIX foi “Hänsel und Gretel”. Nela contam a história de dois irmãos que, em um momento de extrema pobreza e fome, acabaram sendo levados pelos pais para o meio da floresta a fim de não mais voltarem, para que sobrassem mantimentos para o restante da família. Entre idas e vindas, as duas crianças encontraram uma casa feita de doces, onde morava uma bruxa. Ela alimentou-os… com a intenção de engordá-los e comê-los.

Na língua portuguesa essa trágica história foi traduzida como “João e Maria”. Um exemplo de troca absurda de título? Até que não. Hänsel em alemão seria “Joãozinho”, já que vem de Hans, que, por sua vez, é diminutivo de Johann, equivalente a João. Neste primeiro caso fizeram uma reescrita literal. Já para Gretel a questão muda um pouco, pois Margareta ou simplesmente Greta não seriam nomes populares entre os lusófonos, motivo pelo qual optaram por chamá-la de Maria.

Assim como outros contos publicados pelos Grimm, “Hänsel und Gretel” acabou também se tornando uma canção infantil. Provavelmente composta no século XIX, ela se popularizou pelo seu primeiro verso “Hänsel und Gretel verliefen sich im Wald” - “João e Maria se perderam na floresta”. Sendo executada como uma dança de roda, à medida que ela é cantada as crianças interpretam acontecimentos dos personagens, com destaque aos dois irmãos e à velha bruxa.

“Hänsel und Gretel” é mais um exemplo onde a cultura popular se ressignifica, trazendo diversas formas de apresentar uma mesma narrativa: via literatura, música, dança, teatro, artes plásticas, entre outros. Ela apresenta um contexto histórico triste, como o ocorrido no período das grandes pestes, com a falta de comida de forma generalizada, somando ainda fantasia e lições de moral. É como cada povo traduz suas realidades, seja pelos nomes, seja pelos fatos.

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24.11.2023 - De valse zeeman

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24.11.2023 - “De valse zeeman” é a valsa do marinheiro ou é o marinheiro infiel?

“De valse zeeman” é uma canção do grupo flamengo Laïs, originário da região de Flandres. Este conjunto belga se destaca por sua habilidade em explorar as letras das músicas flamengas, tocando profundamente as almas de pessoas de diferentes línguas e culturas.

A música foi lançada no álbum “Dorothea” em 2000 e narra a despedida de um marinheiro de sua amada antes de partir para o mar:

“Despeço-me de ti, Griet, pois vou para o mar

O vento sopra do nordeste

O navio está pronto para zarpar

Portanto, Grietje, cuide de si”

No entanto, mesmo pedindo fidelidade a Griet, o marinheiro não foi leal:

“Mas ao chegar a Oosterstrand, o marinheiro

Encontrou seu coração livre

E muitas moças morenas

Receberam seus beijos”

A canção termina com o relato de que, após descobrir a infidelidade do marinheiro, Griet ficou noiva de um contramestre da marinha no mesmo dia em que ele retornou à terra firme.

Apesar de muitos interpretarem “De valse zeeman” como “a valsa do marinheiro”, o nome significa literalmente “o marinheiro falso” ou “mentiroso”, mas, no contexto desta dança, pode ser traduzido como “o marinheiro infiel”. A dança foi coreografada pela holandesa Sibylle Helmer e busca retratar elementos da canção. Após a expressão de amor eterno pelo casal, o marinheiro parte para o mar, onde enfrenta ondas e o balanço do barco. No desfecho, o marinheiro é infiel à garota, e ambos buscam novos parceiros.

Rapidamente, a dança se tornou popular entre os grupos de danças holandesas e, através de seus cursos, Sibylle Helmer levou a “De valse zeeman” para outros países. A primeira vez que foi ensinada no Brasil foi em 2010, durante um curso para instrutores de grupos de danças alemãs na cidade de São Bento do Sul, Santa Catarina, ministrado pelo alemão Klaus Fink.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz , escute a música em https://youtu.be/U8FGh8fEopQ  e veja a dança em https://youtu.be/xLjTSeUI-BM . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

23.11.2023 - Dornröschen

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23.11.2023 - “Dornröschen” é a Bela Adormecida ou a Rosa Juvenil?

Um conto publicado pelos conhecidos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm é “Dornröschen”. Nele uma princesinha foi amaldiçoada: quando adulta, morreria ao tocar o fuso de uma roca de fiar. O terrível feitiço teria sido atenuado pela magia de uma fada, que o converteu em um sono de um século. Você conhece essa narrativa?

“A Bela Adormecida” é um título popular no Brasil, praticamente o mesmo que em inglês, “Sleeping Beauty”. Eles seriam os equivalentes para o conto “Dornröschen” alemão. Em cada local e período em que foi publicado o nome recebeu variações.

Quanto à narrativa, por mais que os Grimm tenham publicado-a no século XIX, ela é bem anterior a isso. Na maior parte das versões desse conto de fadas o nome da princesa não é informado. Já em traduções para a língua portuguesa algumas denominações apareceram, como Rosa, Rosamond e Rosicler, claras referências à “Dornröschen”: “Rosinha dos Espinhos”.

Contam que em 1890 a professora Margarete Löffler, de Dresden, ajustou a história da “Dornröschen” à canção popular “Anna saß am Breitenstein” / “Mariechen saß auf einem Stein”. Dessa adaptação veio uma teatralização e ambas se popularizaram entre as crianças. Nasceu, assim, a “Dornröschen war ein schönes Kind”, que inclusive transpôs as fronteiras alemãs.

Em português a canção foi chamada de “A Linda Rosa Juvenil”, uma referência ao nome em alemão. Já o texto traduzido, mesmo seguindo em parte a letra de Margarete Löffler, não deixa claro ao ouvinte que se trata do mesmo conto da Bela Adormecida, tornando-se praticamente algo à parte. Ou quem lembrava que as duas eram a mesma história?

Desta forma, “Dornröschen” gerou no Brasil duas narrativas diferentes, uma que levou à tradução do conto de fadas “A Bela Adormecida”, hoje sucesso pela animação das indústrias Walt Disney, outra à música “A Linda Rosa Juvenil”, ainda entoada pelo público infantil. Pode-se assim dizer que “quem canta um conto também aumenta um ponto”.

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22.11.2023 - Vetter Michel

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22.11.2023 - Vetter Michel” é uma dança de “duplo sentido”?

Em uma anotação sobre os costumes do vilarejo de Mönchgut, na ilha de Rügen, no norte da Alemanha, Herbert Oetke disse que lá realizavam uma espécie de “suíte” de danças com a “Viertoure”, “Vedder Michel”, “Dunkelschattene” e “Schüddelbüxs”. O problema, segundo ele, é que em 1934 só poucos moradores ainda se lembravam delas.

Olhando esta lista, não é de se estranhar a presença da “Vetter Michel”, uma das músicas em dialeto “Plattdeutsch” mais disseminadas no norte da Europa. Essa canção antiga já foi citada pelo escritor Johann Wolfgang von Goethe e é datada do século XVIII. A melodia se manteve pouco alterada e a letra se adaptou dentro das variantes do dialeto, ganhando novos versos. Vejamos um trecho:

“Vetter Michel war wohl gestern hie,

er stieß das Mädel an das Knie;

das Mädel lacht, das Mädel schreit,

Vetter Michel ist es, der da freit.”

Como visto, há partes, dependendo da escrita, que são consideradas de duplo sentido. A música no geral apresenta as atividades do primo Miguel, o “Vetter Michel”. Por ter frases abertas, em suas muitas versões, o texto acaba permitindo que a imaginação complete as lacunas. E um dado é importante: não se pode presumir que só por ser uma música antiga ela necessariamente tem sua letra “comportadinha”.

Com a moda dos anos de 1960 de lançar em LP as antigas canções alemãs, valorizando as identidades regionais, ela acabou sendo gravada por muitos artistas, como destaque à Lela Andersen (1961), que a tornou famosa em todo o país. Eram músicas populares ganhando as paradas de sucesso.

Mas mesmo que a letra tenha suas peculiaridades, as coreografias ligadas a ela não tem duplo sentido. Provavelmente foi graças à moda e aos pesquisadores como Willi Schultz, que recolheram danças do norte da Alemanha, que parte dessa cultura popular ainda está acessível no presente. Histórias contadas no passar de muitas gerações.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a música da “Vetter Michel” em https://youtu.be/CRRgPMJLN4w . E nos acompanhe às quintas-feiras, 20h, no “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

21.11.2023 - Pomehrendorfer

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21.11.2023 - “Pomehrendorfer” é uma dança pomerana?

O vilarejo de Pomehrendorg está localizado na antiga Prússia Ocidental, cerca de treze quilômetros a nordeste de Elbing. Atualmente atende pelo nome de Pomorska Wieś e integra a Voivodia da Vármia-Masúria na Polônia.

Pomehrendorf foi fundada no final do século XIII e a maior parte de seus moradores se dedicava à fiação e à tecelagem. A comunidade de Pomehrendorf era caracterizada por sua ordem e trabalho árduo. Há registros indicando que a paróquia de Pomehrendorf se distinguia em vários aspectos das demais aldeias prussianas, com seus moradores sendo descritos como notavelmente decididos, quase teimosos.

Os antigos trajes e danças da região de Elbinger Höhe eram preservados com orgulho em Pomehrendorf. Em 1905, o imperador Wilhelm II e sua esposa Auguste Viktoria receberam dez casais de Pomehrendorf vestindo seus trajes tradicionais. No ano seguinte, esses casais parabenizaram o imperador pelas bodas de prata e receberam uma carta de agradecimento que foi apresentada na igreja pelo administrador do distrito.

É possível que esses dez casais que homenagearam o imperador estivessem familiarizados com a dança “Pohmerendorfer”, representativa de seu vilarejo. É notável que ela apresenta cinco repetições, com um novo verso sendo cantado a cada uma delas. Em um desses versos, os dançarinos suspiram: “Eu não sei como pode que estou tão triste assim, uma amável garota morena não sai do meu pensamento.”

Após a Segunda Guerra Mundial, Pomehrendorf passou para o domínio polonês, e aqueles aldeões que não haviam fugido antes foram posteriormente expulsos de sua terra natal.

No entanto, permanece incerto se o nome “Pomehrendorf” está relacionado à região da Pomerânia ou a um homem chamado Pomry ou Pomere. De toda forma, é certo que a região faz parte da antiga Prússia Ocidental, e a dança “Pohmerendorfer”, assim como o traje da localidade, é uma tradição da região de Elbing, não da Pomerânia.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/CGGTj7hTi_4 e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br.

20.11.2023 - Laubentanz

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20.11.2023 - A “Laubentanz” é a mãe da “Dança da Coroa”?

Na língua portuguesa do Brasil, a palavra “coroa” tem tanto o sentido da diadema que simboliza o poder dos monarcas, quanto o apelido - um tanto pejorativo - atribuído a uma pessoa mais idosa. A frase musical “não interessa se ela é coroa, panela velha é que faz comida boa”, eternizada na voz do cantor Sérgio Reis, ilustra bem essa questão.

E como se poderia chamar quem é de gerações anteriores aos já longevos? Exemplo: se um “coroa” tem 70 anos, como chamar quem tem 90 ou mais de 100? Uma sugestão poderia ser “arco”, como na expressão popular “do arco da velha”. O que achas? Brincadeiras à parte, esse jogo de palavras caberia bem para comparar dois estilos de danças: as “Laubentänze”, as “dos arcos”, e as “Kronentänze”, as “da coroa”.

Por mais que as “Kronentänze”, danças que formam figuras com o aspecto de coroas, sejam antigas, anteriormente a elas surgiram as “Laubentänze”, que usavam de forma ampla estruturas de madeira arqueadas. Ambos os estilos coreográficos se popularizaram por usarem esses arcos, geralmente cobertos por verdes e fitas, mas a segunda não nasceu com uma definição fixa de quais imagens montar a partir de seus adereços.

Se pode dizer que uma “Kronentanz” é também uma “Laubentanz”, por mais que o inverso não seja verdadeiro. Nas áreas alpinas, essas “Danças de Arcos” são mais conhecidas como “Reiftänze / Reifentänze”. Nelas, são tradicionais figuras como a cesta, o túnel, o portão, a flor, entre outras.

Uma curiosidade é que essa “regra” de uma ser mais antiga que a outra tem pelo menos uma exceção: nos anos de 1920, quando as associações bávaras de trajes passaram a não só criar como também descrever novas danças, inclusive com uso de fotografias, houve oficialmente primeiro o registro de uma de nome “Kronentanz”. Somente décadas depois uma denominada “Laubentanz” apareceu, inclusive inspirada na “da coroa”. Nesse caso, a “coroa” é que era do “arco da velha”, se comparada a sua filha.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja uma “Laubentanz” em https://youtu.be/VaIR6qAHrBI e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br.

19.11.2023 - Lausitzer Quadrille

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19.11.2023 - “Lausitzer Quadrille” é uma dança típica ou uma nova criação?

A região conhecida como Lausitz, cujo nome deriva do idioma sorábio e significa aproximadamente “prados pantanosos e úmidos”, abrange em sua maioria áreas na Alemanha e na Polônia. Ela engloba o sul de Brandemburgo e o leste do Estado Livre da Saxônia, bem como partes da região polonesa da Baixa Silésia e uma pequena extensão do norte da República Tcheca.

Na década de 1920, Gernot Nietzsche, coordenador de um grupo de danças em Dresden, o Dresdner Volkstanzkreis, e um entusiasta importante da dança alemã na região, notou que a região da Saxônia carecia de danças típicas e músicas tradicionais. Sua publicação “Neue Sachsentänze” tinha o propósito de estimular o desenvolvimento da dança entre os jovens.

Devido à escassez de danças tradicionais, Nietzsche decidiu criar novas baseadas em antigos costumes. Embora muito se tenha falado sobre o Movimento da Juventude Alemã na década de 1920, com maior foco nas áreas do norte da Alemanha, como Berlim e Hamburgo, Nietzsche produziu uma quantidade considerável de materiais, conforme mencionado.

Ele destaca em sua obra que publicou criações originais de seu grupo para compensar a falta de danças na região. No entanto, uma observação notável é a inclusão de uma dança tradicional e típica da região, a “Lausitzer Quadrille”. Nietzsche destaca que esta é uma das poucas Volkstänze autênticas da Saxônia, que não passaram pelo processo de criação do Movimento da Juventude Alemã.

Conforme o registro de Nietzsche, a música para a “Lausitzer Quadrille” remonta ao final do século XIX, e a coreografia se destaca principalmente pelas trocas entre os dançarinos. Esta dança é um exemplo notável da riqueza cultural do estado da Saxônia.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/LmgEMUlSxlg e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br.

18.11.2023 - Romany Polka

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18.11.2023 - “Romany Polka” é uma dança do povo romani?

No século XIX, longas coreografias de polca eram elaboradas para bailes de academias de dança. Nessa época, três renomados mestres de dança - Henri Cellarius, Charles D'Albert e Charles Durang - na França, Inglaterra e América, respectivamente, criaram extensas sequências de polca.

No século XX e XXI, o professor Richard Power tem se dedicado à reconstrução de longas polcas. Atuando como instrutor em história da dança e danças sociais contemporâneas na Universidade de Stanford, Power coreografou a polca com base na música “Romany Life”, de Victor Herbert, da opereta “The Fortune Teller” do século XIX. Para desenvolvê-la, ele utilizou descrições de manuais de dança do mesmo período, partituras que incluíam polcas e algumas ilustrações de época. Assim, embora seja uma coreografia contemporânea, ela poderia ter sido realizada entre 1844 e 1890.

Vale mencionar que a opereta “The Fortune Teller” de Herbert traz um enredo interessante: o Conde Berezowski, um compositor polonês empobrecido, almeja casar-se com Irma, uma aluna da escola de balé da Ópera de Budapeste, que herdará uma fortuna. Irma, por sua vez, ama o capitão hussardo Ladislas e foge para evitar o casamento com o conde. Uma reviravolta ocorre quando um grupo de romanis entra na trama, com a cartomante Musette se assemelhando a Irma. Fresco, o diretor da escola de balé, adquire Musette na esperança de enganar o conde. O plano funciona, levando a eventos inusitados durante o casamento.

Compreender o contexto da opereta ajuda a apreciar a composição de Herbert, demonstrando uma abordagem rica em diversidade musical. A trama envolvendo o casamento de Irma e as artimanhas para evitar o conde acrescenta uma camada intrigante ao significado da música e da coreografia, tornando a polca ainda mais interessante para quem aprecia sua história.

Apesar de levar em seu nome a referência aos romani, ela não tem relação com a riqueza cultural daquele povo.

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17.11.2023 - Münchner Française

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17.11.2023 - A “Münchner Française” é dançada com uma música do Strauss?

De forma curta e direta: a “Francesa de Munique” - pode ser executada com a melodia famosa da “Fledermaus Quadrille”, também chamada de “Le Quadrille Français”, provinda da opereta de Johann Strauss O Morcego. Contudo, não obrigatoriamente faz uso dela, tendo mais opções de músicas para essa dança em fileiras.

Primeiramente, o termo “Française” está ligado ao estilo coreográfico em colunas e com estrutura dividida em etapas, como as contradanças das cortes francesas do século XVIII. O mais conhecido exemplo delas é a “Les Lanciers”, com suas cinco partes.

A “francesa” muniquense é mais recente, tendo suas primeiras versões datadas do século XIX. Por mais que ela não tenha obrigatoriedade de usar a melodia de Johann Strauss, composta em 1874, a coreografia dela fortemente influenciou a atual forma da “Münchner Française” ser dançada. Basta uma comparação simples das suas etapas: Le Pantalon, L´Été, La Poule, La Pastourelle e Finale - não casualmente o mesmo nome das partes da “Fledermaus Quadrille”.

É interessante que, ao contrário das outras “Française”, que foram sendo esquecidas, essa está na moda em Munique. A explicação para isso pode ser o contexto dela ter mudado, já que deixou um ambiente erudito e foi assumida pelo público do “TTT” - Trachten, Tänze und Traditionen. Sua melodia ganhou arranjos das Blaskapelle e as figuras um claro sotaque camponês. Para essas pessoas, com significativa adesão de jovens, se a coreografia é mais contemporânea ou antiga, o tema tem posição secundária: o importante é manter uma identidade.

Hoje, a “Münchner Française” está presente nos grandes festejos a estilo “Volkstanz” da capital da Baviera, como o “Kocherlball”, que junta anualmente mais de 10.000 participantes no “Englischer Garten”, em frente à Torre Chinesa. Uma dança que, por mais que tenha um elemento francês no nome, tem uma “alma” tradicional bávara rejuvenescida.

  

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16.11.2023 - Trekarlspolska

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16.11.2023 - “Trekarlspolska” é a dança do Ganso de Ouro?

A “Trekarlspolska” é uma dança típica da Suécia, cujos registros datam do século XIX. Ernst Klein, em “Nordisk Kultur XXIV”, faz menção a uma dança de origem renascentista chamada “Ryska polskan” que compartilha semelhanças com a “Trekarlspolska”.

Na Alemanha, ela é conhecida como “Dreiburschentanz”, ou a “dança dos três rapazes”. Entre as Volkstänze, encontramos outras que envolvem trios de dançarinos, geralmente três rapazes e seis moças. Algumas das mais conhecidas são “Jägerneuner” (16.11.2023), “Die drei Tore” (dança de Anna Helms) e “Neunertanz” (dança de Volkhard Jähnert).

Entretanto, o número três não se limita apenas às danças. Ele também desempenha um papel significativo nos contos populares. Os Irmãos Grimm registraram o conto “O Ganso de Ouro”, que exemplifica isso.

No conto, um homem tem três filhos, sendo o mais jovem chamado João Bobo devido à sua falta de habilidades. Dois irmãos mais velhos partem para a floresta e recusam ajuda a um anão faminto, resultando em acidentes. João Bobo, por sua vez, gentilmente compartilha sua comida com o anão. Como recompensa, o anão lhe dá um ganso com penas de ouro.

Enquanto João Bobo se hospeda em uma pousada, o ganso chama a atenção das filhas do dono, que tentam pegar suas penas de ouro e acabam presas a ele. À medida que João Bobo continua sua jornada com o ganso e as filhas do dono da pousada presas a ele, outras pessoas se juntam à estranha procissão, incluindo um padre e um sacristão.

Essa procissão chega a um reino onde a princesa nunca ri, mas a cena absurda dos grudados faz com que ela finalmente gargalhe. O rei concorda em dar a mão da princesa a João Bobo.

Embora a dança “Trekarlspolska” não tenha uma conexão direta com o conto popular dos Irmãos Grimm, ambos apresentam o número três como um elemento central.

Conhece mais danças com três rapazes ou outros contos que envolvam esse número? Compartilhe conosco!

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15.11.2023 - Blau, ja Blau

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15.11.2023 - Quantas cores passam na “Blau, ja Blau”?

Você conhece a “Blau, ja Blau”? Não? E a “Grün, ja Grün”? Igualmente desconhece?  E a “Grün, grün, grün sind alle meine Kleider”? Sim, essa você sabe qual é! Brincadeiras à parte, essa canção popular é amplamente cantada na Alemanha e também tem coreografia, publicada no livro “Ostdeutsche Volkstänze”, de Willi Schultz. São dois bons motivos para mergulhar nesta história.

Há diferentes registros dela no século XIX, já acompanhando danças. Uma versão ficou conhecida como “Liebe in allen Farben”, publicado em 1842 no livro “Schlesischen Volksliedern”. Contudo, outras variantes aparecem em muitos outros locais, sendo difícil mapear corretamente sua origem.

A primeira estrofe diz: “verde, sim verde, são todos os meus vestidos / verde, sim verde é tudo o que eu tenho / Por que eu amo tudo o que é verde? / Pois meu amado é um caçador”. E a música se repete, somente mudando as cores e as profissões. Há versões com cinco, seis…, dez partes. Aqui temos um exemplo: 1. verde - caçador,  2. vermelho - cavaleiro, 3. azul - marinheiro, 4. preto - limpador de chaminés, 5. branco - moleiro, 6. colorido - pintor.

É interessante que essas canções são dinâmicas, se atualizando conforme quem as canta. Um exemplo é a cor vermelha que caracterizava o “Reiter” - “cavaleiro”, que depois passou para o “soldado” e hoje pode ser o “bombeiro”. Ou o branco, que era o moleiro, virou “padeiro”... e que poderá, no futuro, ser o médico.

Na versão apresentada por Willi Schultz, atribuída à Pomerânia, o conteúdo do texto não altera a coreografia e é formada por três partes bem estruturadas, claramente para adultos. Há também em outros locais variantes simples das figurashttps://www.culturaalema.com.br/tanz, com dinâmicas em círculos, executadas por crianças. A dança reinicia à medida que há uma cor nova. Assim, não existe uma limitação de repetições… basta haver criatividade na escolha dos pigmentos e dos ofícios.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja essa versão simples em https://youtu.be/g2FsBGfoEJo e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

14.11.2023 - Schwäbische Tanzfolge

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14.11.2023 - Quais são as danças da “Schwäbische Tanzfolge”?

A “Schwäbische Tanzfolge” é uma sequência de danças da Suábia com cinco músicas representativas dessa região. Ela é composta da “Metzinger Kreuzpolka”, “Graf von Luxemburg”, “Rutsch hin, rutsch her”, “Hiatamadl” e “Patscher”, além de uma entrada - títulos que podem ser vistos em nosso projeto “Ein Tanz pro Tag”. Cada uma tem individualmente sua própria narrativa, contudo, juntas nesta composição se tornaram famosas.

Mas onde fica o “Schwaben”? A Suábia é uma região que está em sua maior parte em território alemão, principalmente nos Estados do Baden-Württemberg e Baviera, contudo chega a entrar um pouco nos países vizinhos, como França e Suíça. Na atualidade, não existe uma definição precisa de onde exatamente ela inicia e onde termina: é através das manifestações culturais que sua identidade se mantém viva.

Basicamente, três critérios dão base para definir os suábios: 1. aspectos culturais, 2. influências no idioma, 3. o contexto histórico. Mesmo não existindo hoje uma área política com esse nome, desde o Império Romano há referência aos “Sueben”. Na Idade Média, ainda existiam diferentes áreas que oficialmente se identificavam sob a bandeira “Schwaben”, com múltiplas subdivisões.

E eles não ficaram presos a um só local. No decorrer da história, acabaram migrando, gerando comunidades fortes e representativas. Os mais famosos são os “Donauschwaben” abrangendo áreas que hoje pertencem à Hungria, Romênia e Áustria. Um conjunto deles também foi para o leste europeu, como no caso da atual Polônia e Ucrânia, assim como para as Américas, a exemplo do Chile. No Brasil, a localidade de Entre Rios, em Guarapuava-PR, é também um efervescente polo dos “Suábios do Danúbio”.

Um dado é claro: a identidade de uma comunidade não é feita somente por um local de nascimento. Na verdade, é como uma “Tanzfolge”: uma sequência de elementos que vão se somando. Isso os suábios, no decorrer da história, mostraram muito bem. 

 

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a “Schwäbische Tanzfolge” em https://youtu.be/TBDVZppZjNw e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

13.11.2023 - Goldaper Kirmestanz

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13.11.2023 - “Goldaper Kirmestanz” é uma dança de lamber os ossos?

Goldap, outrora uma pequena cidade na antiga Prússia Oriental, atualmente faz parte do território da região polonesa de Ermland-Masuren, situada na fronteira com a Rússia, na região de Kaliningrado.

A origem do nome “Goldap” deriva do termo prussiano “galdape”, que significa “rio em uma baixada”, pois a região é atravessada por um afluente de mesmo nome. A colonização sistemática dessa área só ocorreu no século XVI, e, devido à sua localização fronteiriça, ela foi alvo de ataques de povos oriundos do Leste por muitos anos.

No início do século XVIII, a Prússia Oriental foi assolada por uma epidemia de peste que dizimou a população local. Como resultado, imigrantes de origens variadas, incluindo alemães, suíços, prussianos e lituanos, substituíram os habitantes falecidos.

Esses imigrantes trouxeram consigo diferentes festas tradicionais para a região. Uma delas era a quermesse que ficou conhecida como “Goldaper Kirmes”. Nessa festa, também era encontrada a “Goldaper Kirmestanz”, dança conhecida por sua vivacidade descontraída. É possível que ela também tenha sido introduzida pelos imigrantes. Acredita-se que sua origem remonta ao período do reinado de Frederico II da Prússia, também conhecido como Frederico, o Grande, que governou entre 1740 e 1786. Essa hipótese é sustentada pela posição dos pares de dançarinos no final da primeira parte, que seria a posição de saudação dos soldados da época.

A dança foi documentada posteriormente em 1929 pelo professor Fritz Kurlenski, natural da região de Goldap. Nesse período, os habitantes mais antigos de Stallupönen ainda se lembravam da dança. Eles inclusive ajudaram a registrar uma divertida canção que a acompanhava:

“Quando há quermesse,

quando há quermesse,

O pai abate um bode;

Então, a Maria dança,

então, a Maria dança,

E sua saia balança.

Hei!

Hoje tem quermesse,

amanhã tem quermesse,

A quermesse dura a semana toda!

Se não tivermos o que comer,

Lamberemos os ossos.”

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12.11.2023 - Kontra Lustig

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12.11.2023 - “Kontra Lustig” é a mesma dança que “Bananenkonter”?

Traduzindo literalmente, “Kontra Lustig” significa “contradança divertida” ou “engraçada”. Mas o que torna essa dança tão engraçada? Para desvendar o mistério, é necessário examinar o que seu criador registrou.

“Kontra Lustig” foi concebida entre 1922/24 por Heinrich Dieckelmann, um professor de Altona (Hamburgo), responsável tanto pela composição musical quanto pela coreografia.

Dieckelmann afirmou que poucas danças se difundiram tão rapidamente quanto essa animada dança para quatro pares. A razão para o nome “lustig” (divertida) é explicada na própria descrição de Dieckelmann, que se refere a um dos passos como “o passo divertido” - “der lustige Schritt”: os saltos realizados em par. Esse passo era inovador entre os do Movimento da Juventude Alemã da década de 1920, conquistando a preferência dos grupos de dança da época, e até mesmo dos atuais.

No entanto, uma observação adicional do autor chama a atenção. Ele ressalta que, naquele período, houve uma coincidência que pode ter contribuído para a rápida disseminação dela. Seu estilo irregular e ritmado também era encontrado em um sucesso mundial da época, lançado quase simultaneamente à publicação da dança.

Esse sucesso mundial tinha o título alemão “Ausgerechnet Bananen!” (algo como “precisamente bananas”, em português). Tratava-se do foxtrot norte-americano intitulado “Yes! We Have No Bananas”, lançado pelos compositores Frank Silver e Irving Cohn em 1922 em Nova Iorque.

Devido a essa coincidência, muitos passaram a se referir à dança “Kontra Lustig” não mais como tal, mas como “Bananenkonter” (“a contradança das bananas”). Alguns acreditavam que “Kontra Lustig” havia sido inspirada em “Ausgerechnet Bananen” e “Yes! We Have No Bananas”, o que logo foi esclarecido por Dieckelmann como sendo pura coincidência.

Assim, a origem da dança e de seu nome está explicada, revelando como coincidências podem tornar certas danças verdadeiramente especiais.

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11.11.2023 - Tampet

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11.11.2023 - “Tampet” é inspirada na obra de Shakespeare?

A “Tampet” é uma dança tradicional difundida na primeira metade do século XIX no norte e centro da Alemanha e, ocasionalmente, também foi praticada no sul da do país e na Áustria, recebendo diversos nomes, como “Tapet”, “Trapez” e “Tampel”.

O termo “Tampet” tem sua origem na palavra francesa “tempête”, que significa tempestade. No entanto, as formas fundamentais dessa dança são típicas da tradição alemã. O uso da língua francesa nas aulas pelos mestres de dança da época explica seu nome francês.

A dança ganhou o nome “Tempestade” devido à disposição das colunas no salão de dança. Originalmente, duas colunas ficavam frente a frente e apenas as duas primeiras fileiras dançavam a primeira sequência. Aos poucos, as demais fileiras eram adicionadas. Isso criava um aumento de movimento no salão, semelhante a uma tempestade, que gradualmente se acalmava à medida que cada linha que dançava pela coluna adversária retornava ao seu lugar.

Com frequência, a “Tampet” era executada como uma dança de boas-vindas, na qual os anfitriões dançavam gradualmente por todas as fileiras, até que todos se juntassem e saíssem novamente no final. Ela era difundida em diversas regiões, desde a Marca de Brandemburgo, passando por Mecklemburgo, Pomerânia, Schleswig-Holstein, Baixa Saxônia, Oldemburgo, Lippe, Vestfália, Renânia, Turíngia, Saxônia e Hesse. Há registros que indicam que até em Viena a “Tampet” era praticada.

Apesar das variações nas melodias e pequenas diferenças na coreografia, a essência da dança permaneceu a mesma, caracterizada pela formação de colunas e pelo percurso progressivo no final.

Acredita-se que o nome “Tampet” também possa ter sido inspirado na obra “A Tempestade” de Shakespeare (1611) ou na ópera homônima de Henry Purcell (1695, autoria incerta). No entanto, entre a publicação das obras e os primeiros registros da “Tampet” existe uma lacuna de mais de 100 anos, deixando vários aspectos ainda sem explicação.

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10.11.2023 - Böhmerwald Ländler

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10.11.2023 - O "Böhmerwald Ländler" vem do Parque Nacional Šumava?

Se dirigindo ao sul da Alemanha, junto à tríplice fronteira com a Áustria e a República Tcheca, fica uma floresta dividida entre dois países: de um lado é chamada de Bayerischer Wald pelos alemães, de outro de Šumava pelos tchecos. Nessa região, até a metade do século XX, viviam conjuntamente as comunidades de ambos os idiomas, cada uma com suas tradições, canções e danças.

Foi com o final da Segunda Guerra Mundial que, por acordos internacionais das nações vitoriosas, as comunidades foram separadas: todos que falavam tcheco ficaram na área Boêmia e os de língua alemã precisaram se mudar para os territórios da Alemanha ou Áustria, em uma grande diáspora. Isso gerou aos emigrados um profundo sentimento de saudade da "Heimat", que superou gerações.

Na atualidade a dança que mais representa essa comunidade alemã que vivia na Floresta da Boêmia é a “Böhmerwald Ländler”. O que muitos não sabem é que essa Ländler tem uma pluralidade de nomes, sendo “Krummauer” o mais destacado deles. Faz referência à localidade de Krummau - Český Krumlov, em tcheco -, a cerca de 150 km da cidade de Pilsen.

Os registros mostram que a "Böhmerwald Ländler”,foi registrada pelos anos de 1940, contudo a coreografia tende a ser mais antiga. A melodia conduz os dançarinos entre introduções lentas e, na sequência, movimentos rápidos, como se enrolassem suas mãos. E, diferente das demais Ländlers da região, nesta os distintos casais interagem, como visto nas figuras finais da segunda e terceira repetições.

Se realmente a dança foi criada na Floresta da Boêmia, em Krummau, não se tem como precisar. Pode ser uma homenagem de aldeão de outros locais ou mesmo uma crença de que seja de lá. De toda forma, hoje a “Böhmerwald Ländler” é um pedacinho cultural remanescente dessas comunidades, que pode ser carregado pelas famílias. Ela ainda hoje reside nos corações dos que têm saudades dessa terra de belezas naturais.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em e https://youtu.be/NU_lTf9AXK0 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br

09.11.2023 - Langenschiltacher Siebensprung

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09.11.2023 - A “Langenschiltacher Siebensprung” é uma dança de conquista ou de fertilidade?

 

O nome “Siebensprung” foi registrado pela primeira vez em um livro de música de um estudante de Kiel chamado Petrus Fabricius, por volta de 1605. Em 1712, outro registro mencionou a dança “Sieben-Sprünge” durante uma quermesse de camponeses.

Desde então, diversos registros sobre as danças “Siebensprung” surgiram em várias regiões, não se limitando apenas às áreas de língua alemã. Essas danças eram comumente realizadas em diferentes eventos da aldeia. Também era costume que os agricultores a executassem ao final da colheita, em torno do último feixe colhido, como uma invocação a “Freia”, a deusa nórdica da fertilidade.

Na tradição da “Siebensprung”, ainda é possível encontrar diversas formas de execução. A característica mais marcante da dança e que dá nome a ela é a série de sete saltos. Embora alguns movimentos e posições não sejam necessariamente “saltos”, mas sim passos da coreografia, eles também são assim chamados. Essas etapas refletem uma forte conexão com a terra, manifestada através dos movimentos de aproximação lenta com o solo durante a dança (os sete saltos): as batidas no chão, ajoelhar-se, tocar a testa ou o corpo no solo, beijar e até mesmo rolar no chão.

Apesar de, originalmente, a “Siebensprung” ser exclusivamente masculina, ao longo do tempo, surgiram mudanças na dança, realizando-a em pares, com um caráter de conquista. Isso é exemplificado na versão registrada na Floresta Negra. Nela, os rapazes tentam seduzir as moças. Em cada etapa, é acrescido um dos “sete saltos”, aproximando o homem cada vez mais do solo. Na “Langenschiltacher Siebensprung”, é possível perceber que apenas eles realizam os “saltos”, enquanto elas adotam um comportamento de rejeição, provocando-os. Por fim, após a sétima sequência, as damas cedem e aceitam dançar. Em um ritmo animado, todos dançam em círculo, representando a conquista.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/YYQd5iQ_Nrw e em https://youtu.be/_vv_n-ICWOA . E nos acompanhe às quintas-feiras, 20h, no “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

08.11.2023 - Walzer für Christine

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08.11.2023 - Quem é a “Christine” de “Walzer für Christine”?

Sob o título original “Valsen til Christine”, o renomado acordeonista dinamarquês Carl Erik Lundgaard Jensen compôs uma música em 1992 em homenagem à sua filha Christine, que, naquela época, residia no exterior. Jensen compartilha sua motivação, explicando: “Christine é minha filha mais velha, que, há muitos anos, vive distante de onde moro. A valsa dedicada a Christine é um conjunto de sentimentos e pensamentos que são transmitidos tanto na esperança quanto na angústia, no amor e na saudade.”

Em 1994, a coreógrafa holandesa Elsche Korf descobriu a música em uma gravação de Jensen. A melodia a cativou profundamente, e ela sentiu a necessidade de criar uma nova dança para acompanhá-la. Durante um evento musical nos Países Baixos, Korf teve a oportunidade de apresentar sua coreografia ao próprio compositor. Na ocasião, Jensen ficou profundamente comovido.

A nova coreografia de Korf incorpora passos e elementos das danças de salão tradicionais. Korf optou por dar um novo nome à dança em homenagem ao compositor, chamando-a de “Carl Eriks Wals”, publicada em 1997. Com o tempo, a dança ganhou popularidade entre grupos de dança na Alemanha. No entanto, entre esses grupos, a coreografia de Korf ficou mais conhecida pelo nome da música de Jensen: “Walzer für Christine”.

Elsche Korf é uma professora de danças tradicionais nos Países Baixos desde 1973, especializada em danças típicas holandesas. Ao longo dos anos, ela compôs suas próprias danças dentro dessa tradição e publicou muitos livros em holandês, além de traduzir várias de suas danças para o inglês para seus workshops internacionais, o que permitiu que suas criações alcançassem diversas partes do mundo.

É essencial reconhecer a contribuição de indivíduos que criam músicas, danças e narrativas, pois muitas dessas manifestações artísticas são protegidas por direitos autorais, como é o caso da música “Valsen til Christine”.

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07.11.2023 -Dölziger Mühle

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07.11.2023 - Em que localidade fica o moinho da “Dölziger Mühle”?

A “Dölziger Mühle” teve origem em 1923, como resposta à necessidade de criar novas danças para a juventude, baseadas em músicas e coreografias tradicionais já conhecidas. Ela reintroduziu uma forma circular, anteriormente extinta nas “Volkstänze”, composta por três pares.

Com música de Dolf Giebel e coreografia de Erich Janietz, a dança foi incluída na coleção “Neue Märkische Tänze” publicada em 1926, tornando-se popular em vários grupos de dança. Janietz e Giebel desempenharam papéis significativos no Movimento da Juventude Alemã e enfatizaram que as danças apresentadas no livro eram recriações destinadas a reviver tradições.

No entanto, a origem exata de “Dölzig” que inspirou Janietz e Giebel permanece incerta. Na década de 1920, quatro localidades alemãs compartilhavam esse nome, sendo duas delas ainda parte da Alemanha: uma em Schkeuditz, no estado da Saxônia, e outra em Starkenberg, na Turíngia. A intenção de Janietz e Giebel era criar “neue Märkische Tänze”, ou seja, novas danças do Marquesado de Brandemburgo. Assim, a busca pela inspiração nos leva a dois vilarejos na atual Polônia: Dölzig (anteriormente Soldin), agora Dolsk, parte de Dębno, e Dölzig (anteriormente Königsberg, no Neumark), hoje chamada Dolsko, parte de Moryń.

Embora não haja registros precisos que esclareçam a origem exata, a dança provavelmente se refere à localidade da região de Soldin. Próximo a essa área, está Tamsel, que inspirou outra dança composta por Dolf Giebel, a “Tamseler Dreigespann” (08.07.2023).

 

Independentemente da origem, a “Dölziger Mühle” alcançou plenamente seus objetivos. Ela é uma dança que preserva tradições antigas, ao mesmo tempo em que apresenta um caráter moderno e contemporâneo. Aqueles que já a dançaram nunca a esquecem.

É importante destacar que não existe um moinho relacionado à dança na localidade de Dölzig; ele é puramente uma representação simbólica na dança. Então, não adianta ir lá procurar!

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06.11.2023 - Der Siederländer

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06.11.2023 - “Der Siederländer” é a dança de uma mãe preocupada?

Siederland, uma localidade em Kolberg, antiga Pomerânia, era notória devido à presença da estação de trem local, que impulsionou a prosperidade do vilarejo. A dança “Der Siederländer” faz referência a este povoado e é conhecida em várias regiões pomeranas.

É intrigante notar que uma canção foi associada a ela. No entanto, seu texto não aborda o trem ou a estação, mas sim a história da noiva de um pescador. É relevante considerar que Kolberg é uma cidade portuária, cercada por diversas comunidades pesqueiras.

A canção narra a apreensão da mãe diante do noivado da filha com um pescador. Em cada estrofe, a progeniotora expressa suas preocupações, enquanto a filha tenta acalmá-la, assegurando-lhe que tudo correrá bem.

A mãe questiona: “Ó filha, querida filha, o que você fez para se prender ao pescador?”

A filha responde: “Ó mãe, querida mãe, deixe-me ser feliz; os pescadores de Kolberg são pessoas muito boas!”

A mãe persiste: “Quando o seu pescador sai para a pesca, você precisa levantar cedo, e o navio segue seu rumo pelas ondas.”

A filha tranquiliza-a: “Ele navega com o vento até Bornholm e lança suas varas de pesca e redes de arrasto.”

A mãe ainda não convencida continua: “E então, quando a noite chegar, você vai ficar olhando para o penhasco, para ver se o barco dele volta para casa em segurança pela rebentação do recife.”

A filha a acalma: “E quando ele então voltar, seremos felizes em casa e expulsaremos nossas preocupações pela chaminé afora.”

Finalmente, convencida pela filha, a mãe aceita o noivado: “Sim, filha, querida filha, então está tudo bem; aceite tranquilamente o seu pescador como marido.”

Alegre, a filha conclui: “Ó mãe, querida mãe, que Deus nos proteja dos desafios e perigos ao longo de muitos anos!”

Você já ouviu aquela frase “Mãe é tudo igual, só muda o endereço!”? Aqui, podemos ver que as matriarcas pomeranas também se preocupam com o futuro e a felicidade dos filhos.

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05.11.2023 - Lanzer

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05.11.2023 - “Lanzer” é a versão alemã da “Les Lanciers”?

A dança mais conhecida dentre essas duas é, sem dúvida, “Les Lanciers”, uma quadrilha francesa também conhecida como “quadrille à la cour”, que já estava em voga no século XIX. Executada por quatro casais, essa dança desfrutou de popularidade nos séculos XVIII e XIX. Um dos primeiros registros dela é de 1820, pelo mestre de dança Hart. Seu nome deriva do fato de que costumava ser dançada no teatro em trajes de lanceiros, soldados de cavalaria armados de lança que foram introduzidos nos exércitos europeus a partir do início do século XIX.

“Les Lanciers” é composta por cinco partes, cada uma sendo realizada quatro vezes, permitindo que cada casal execute a parte principal. Cada etapa da dança possui sua própria música, originalmente chamadas de: (1) Les tiroirs, (2) Les lignes, (3) Les moulinets, (4) Les visites e (5) Les lanciers.

Existem diversas variações dela em vários países. Embora tenha sido popular em toda a Europa, “Les Lanciers” caiu em desuso no início do século XX. No entanto, ela sobreviveu na Dinamarca, tendo sido introduzida a partir da Inglaterra em 1860.

Por outro lado, a quadrilha alemã “Lanzer” foi criada na década de 1920 por Heinrich Dieckelmann, uma figura proeminente na composição de músicas no Movimento da Juventude Alemã. “Lanzer” apresenta tanto a música quanto a coreografia como criações exclusivas de Dieckelmann.

Embora o nome "Lanzer" também faça referência aos lanceiros, é improvável que tenha sido inspirada na famosa contradança francesa. Possivelmente, Dieckelmann a nomeou assim devido à figura que envolve o cruzamento entre os pares em linha, assemelhando-se a verdadeiros lanceiros no campo de batalha. Além disso, enquanto “Les Lanciers” é composta por cinco partes independentes, “Lanzer” é uma dança única.

Portanto, não é apropriado confundi-las. No entanto, apreciar ambas é uma opção válida. Qual das duas é a sua preferida?

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04.11.2023 - Dreh dich, dreh dich, Rädchen

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04.11.2023 - Dreh dich, dreh dich, Rädchen” é a música do Rumpelstilzchen?

Contam que o dono de um moinho queria casar sua filha com o rei. Para isso, ele disse que ela, usando uma roda de fiar, transformava palha em ouro. Não tardou para que a jovem tivesse que provar suas habilidades, que na verdade não existiam. Ela só conseguiu realizar essa façanha com a ajuda de um personagem mágico e ardiloso: o “Rumpelstilzchen”.

Esse conto de fadas publicado pelos Irmãos Grimm provavelmente surgiu dentro de uma “Spinnstube”, assim como outras canções e poemas. A “sala de fiar” era onde as jovens teciam linhas usando a roca. Lá as conversas eram longas, assim como o tempo em que se permanecia lá trabalhando, o que podia durar noites “a fio”.

Foi nas “Spinnstuben”, como uma ladainha das fiandeiras, que também nasceu a música “Das Spinnrad” - “A Roda de Fiar”, mais conhecida como “Dreh dich, dreh dich, Rädchen”. Ela é atribuída ao Baden, área no sul da Alemanha.

Na canção todas as estrofes iniciam com “Dreh dich, dreh dich, Rädchen, spinne mir ein Fädchen, Viele, viele hundert Ellen lang!”. Seria aproximadamente “Gire, gire oh roquinha, teça um fiozinho para mim, muitas e muitas centenas de metros”. Terminam, também, com a mesma frase: “Darum, Rädchen, ohne Ruh, dreh dich, dreh dich immerzu.” - “por isso, roquinha, sem descanso, gire, sempre, continue girando”.

No meio das estrofes há diferentes contextos das salas de fiar, como a necessidade de tecer linhas, fazer panos, roupas de cama e travesseiros - que “estão sempre a rasgar” - assim como camisas para as crianças pequenas. A canção apresenta o trabalho como interminável… pelo menos pela percepção das fiandeiras.

Por mais que ela não seja a canção do “Rumpelstilzchen”, a letra da “Das Spinnrad” conta a interminável tarefa das fiandeiras, similar ao que passou a filha do moleiro no conto. Quem sabe as novas gerações só conheçam ofícios como este através dessas histórias, músicas e danças. É a ficção recontando a realidade.

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https://youtu.be/rf5-oe82MLo e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

03.11.2023 - Natanger Polka

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03.11.2023 - “Natanger Polka” é uma dança em homenagem ao rei Widewuto?

Natangen é uma região histórica na antiga Prússia Oriental, cujo território está atualmente dividido entre a Rússia e a Polônia, na fronteira entre esses dois países. O significado de seu nome ainda permanece incerto, mas antigas sagas podem, talvez, lançar luz sobre suas origens.

De acordo com a lenda, por volta do século VI, os irmãos Widewuto e Bruteno eram os líderes do povo germânico Cimbri, uma tribo do norte da Jutlândia (atual Dinamarca). Após serem expulsos de sua terra natal pelos godos, os Cimbros chegaram à região de Ulmiganea, habitada por povos bastante primitivos que não possuíam agricultura ou cidades.

Widewuto e Bruteno civilizaram essa região, que passou a ser chamada de Prússia em homenagem a Bruteno (Pruteno). Sob o sábio governo de Widewuto, foram promulgadas leis que regulavam diversos aspectos da vida, como questões familiares, a vida pública e as punições para atividades criminosas. Bruteno desempenhava o papel de sumo sacerdote encarregado das práticas religiosas.

Na sua velhice, Widewuto (com 116 anos) e Bruteno (com 132 anos) decidiram dividir as terras da Prússia entre os doze filhos de Widewuto, e cada distrito da Prússia foi nomeado em homenagem a um dos filhos. Por exemplo, a Lituânia recebeu o nome do filho mais velho, Litthuo, enquanto a região de Samland foi nomeada a partir do nome do segundo filho, chamado Samo.

Assim, a região conhecida como “Natangen” surgiu, recebendo o nome em referência ao sexto filho de Widewuto, chamado Natango. Foi nesse território que ele viveu e reinou, tendo sua residência no Castelo de Honeda, hoje conhecido como Balga.

Apesar de os antigos prussianos terem tradições musicais e de dança, é improvável que a dança “Natanger Polka” tenha origens tão antigas. Ela foi registrada por Hermann Treike de Königsberg e publicada por Hermann Huffziger, coordenador do grupo de danças de Gumbinnen, em sua obra “Der Tanzkreis”, volume 1, de 1930.

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Veja a dança em https://youtu.be/-OiGNIE1pTg . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

02.11.2023 - Trampelpolka

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02.11.2023 - Na “Trampelpolka” se perde o solado dos sapatos?

Uma música que foi popular entre as crianças do Schwarzwald, no Baden-Württemberg, é a “Trampelpolka”. A coreografia mais conhecida na atualidade é atribuída à pesquisadora Anna Helms, contudo há relatos de muitas variantes, tanto do texto quanto da dança. Vejamos uma:

“Trampelpolka tanz ich gern, mit dem schönen jungen Herrn

Aber meine Mutter spricht: Kleine Mädchen tanzen nicht!

Immerzu, immerzu, bis die Sohle fällt vom Schuh (2x)”

O contexto da letra é de uma jovem que gosta de dançar a “Trampelpolka” e o deseja fazê-lo com um bonito rapaz, contudo sua mãe é contra e diz “uma pequena menina não dança”, como se fosse algo impróprio. O refrão diz “Sempre, sempre, até a sola cair do sapato”.

Outra variante apresenta o seguinte texto:

“Trampelpolka jeden Tag, weil ich gerne tanzen mag.

Jeder tanzt heut fröhlich mit, kommt dabei nicht aus dem Schritt.

Immerzu, immerzu, bis die Sohle fällt vom Schuh (2x)”

Aqui a criança relata que gosta de dançar e, por isso, executa a “Trampelpolka” todos os dias, estando hoje todos felizes a dançar, sem perder o passo. Nesta rima o contexto não muda muito, mesmo que o rapaz não apareça explicitamente, mantendo o mesmo refrão.

E qual o significado do nome? Há distintas interpretações. Pode vir de “Trampeln”, do ato de bater os pés no chão ou pisotear, relacionado ao primeiro movimento feito na dança. Já “Trampel”, seria alguém desajeitado ou grosseiro, tornando-se o adjetivo para essa polca. É possível que ambos os pontos de vista tenham validade, já que “bater os pés”, no contexto popular, também é sinônimo de birra ou teimosia.

E essa dança teria aceitação hoje? Crianças gostam de cantar e dançar, indiferente da época. A imaginação fértil dos pequenos não nutre preconceitos se o tema é do presente ou do passado, vide os contos de fadas. É provável que, com a abordagem correta, ela ainda possa ser muito dançada, “sempre, sempre, até a sola cair do sapato”.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja uma versão da dança, apresentada na Alsácia, em https://youtu.be/rXJIsQvVGok . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

01.11.2023 - Widele, wedele 

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01.11.2023 - A dança “Widele, wedele” é do século XVI?

O que você pensaria, se atrás do vilarejo encontrasse um mendigo se casando? Estaria o piolhinho assobiando, um ratinho dançando e um ouricinho batendo o tambor. Pode ter certeza que todos os animais que têm calda viriam ao matrimônio.

É exatamente esse o contexto da canção infantil “Widele, wedele”, ou “Bettelmanns Hochzeit” - o “Casamento do Mendigo”. Uma provável base dela seriam rimas que zombariam dos pobres: em um matrimônio como esse, segundo a época, só iriam os bichos - “todos que têm caldas”. Mais tarde essas sátiras chegariam às crianças, que seguiram imitando os adultos e ridicularizando os ditos “indigentes”.

Há certo consenso de que a letra hoje popularmente conhecida tem base no dialeto suábio, devido às palavras do texto e seus diminutivos. Ela já aparece no atual formato na coletânea “Des Knaben Wunderhorn”, de 1808. Mas sua origem pode ser muito mais antiga. No século XVI, por exemplo, o satírico Johann Fischart apresenta entre os jogos do personagem “Gargantua” a “Widele, wedele”, sem dar mais detalhes sobre o assunto. Seria essa a origem da música e da dança?

Na atualidade a música não faz mais referência a essas críticas do passado. Mesmo antigamente a “Widele, wedele” aparecia também em festas de casamento e era cantada para ninar, práticas que não combinam com “ofensas”. Para as crianças contemporâneas é uma narrativa de fantasia, onde os animais assumem personagens, assim como as posições sociais não estão sendo julgadas.

E sobre a coreografia, não se tem como precisar quando a “Widele, wedele” passou a ser dançada. As filas que serpenteiam podem ter surgido espontaneamente à medida que as crianças cantavam… ou mesmo ser uma composição mais contemporânea para dar dinamismo à música.

Trata-se de uma canção repleta de história, que muitos pesquisadores ainda hoje  se debruçam para compreendê-la melhor. Uma clara pista do passado que está aguardando para ser totalmente esclarecida.

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31.10.2023 - Warnstedter Bauernquadrille

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31.10.2023 - A “Warnstedter Bauernquadrille” é uma dança de Halloween?

O Halloween nomeia os costumes tradicionais da noite de 31 de outubro para 1º de novembro, originalmente difundidos na Irlanda católica. Nos Estados Unidos, os imigrantes irlandeses mantiveram e expandiram esses costumes.

Desde a década de 1990, o Halloween ao estilo dos EUA também se espalhou por alguns países da Europa. Dessa forma, podemos dizer com certeza de que não existem danças típicas alemãs para essa comemoração.

Mas então por que esse tema foi abordado?

Apesar de não ter relação com a comemoração americana, encontra-se na região do Harz, na Alemanha, três lugares muito antigos que, segundo a crença popular, seriam um “Hexentanzplatz”, local de culto pagão, onde se celebrava da noite de 30 de abril para 1º de maio inicialmente a chegada da primavera e, posteriormente, a “Walpurgisnacht”, a Noite de Santa Walburga.

Acreditava-se (ou ainda acredita-se) que, nessa noite, as bruxas se encontravam por lá, por isso, esses locais eram chamados de “Hexentanzplatz”.

Então a “Warnstedter Bauernquadrille” é uma dança das bruxas?

Na verdade não. Ela faz parte das danças típicas da região do Harz, mas ela é uma quadrilha dos camponeses locais. Warnstedt é um vilarejo que fica entre Thale e Quedlinburg.

A riqueza arquitetônica de Quedlinburg está na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Lá, é possível encontrar cerca de 1.300 casas em estilo enxaimel de seis diferentes séculos. As vigas dessas casas costumam ser tortas, como se tivessem se curvado ao peso dos séculos. Muitas vezes, elas são decoradas com elementos esculpidos.

Curiosidade: o senhor Geraldo Kleine, que esteve à frente da Casa da Juventude e Associação Cultural Gramado por muitos anos, nasceu em Neinstedt, localidade que também fica entre Quedlinburg e Thale, cerca de apenas 5 km de distância de Warnstedt.

Com certeza, a região merece uma visita por sua história e por seu legado cultural.

Que tal aprender essa dança conosco?

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30.10.2023 - Sascha

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30.10.2023 - Na canção “Sascha”, o personagem é um menino ou uma menina?

No Brasil, a denominação “Sasha” ficou muito famosa com o nascimento da filha da Xuxa, em 1998. Logo depois, entre os grupos infantis, ficou muito conhecida a dança “Sascha” e ela seria sobre um menino russo. E agora, é um nome masculino ou feminino?

“Sascha” é um nome de origem eslava usado tanto para menino quanto para menina. Ele é o apelido para os nomes “Alexandre” e “Alexandra”, que em português seria semelhante a “Xande”.

Nesta canção, “Sascha” é um menino. Ele não é um garoto de muitas palavras, mas tem grandes habilidades: cuspir grandes arcos e mexer as orelhas. O pai dele queria ficar rico com seus cavalos. Muitas pessoas pagavam até dez Kopeken por hora para dar uma volta. Mas o Sascha gostava mesmo era de aves. Os equinos, ele mantia sob as rédeas. Às vezes passava a mão neles, às vezes os beliscava no traseiro. Claro que os cavalos não deixaram por isso. Quando ele menos esperava, eles o morderam no traseiro e rasgaram suas calças.

Acredita-se que a melodia tenha origem russa, apesar de não ser conhecida qual a canção tradicional que pode ter dado origem a ela. Encontra-se também a informação de que o texto em alemão foi escrito por Anton B. Kraus. A canção se tornou muito popular entre os professores de música, por ter uma estrutura simples. Logo, apesar de não ser uma dança típica, ela caiu também no gosto dos grupos de danças, especialmente após a publicação do livro da editora Fidula Verlag “Tanzlieder für Kinder” (o mesmo das danças “Cha-cha-cha” 19.07.2023 e “Ponypferdchen” 04.10.2023) na década de 1970. Com a gravação do coral “Kölner Kinderchor” é possível perceber que a criança que faz o canto solo tem sotaque russo, em homenagem à possível origem da melodia e do garoto Sascha.

Curiosidade: A canção começa com o verso: “Sascha, Sascha, ras dva tri”. Essa é a contagem “um, dois, três” que, em russo, se escreve: раз два три.

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29.10.2023 - Peitschentänze

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29.10.2023 - Existem muitas “Peitschentänze”, as Danças do Chicote?

Contam que o brasileiro Rui Barbosa, para mostrar sua erudição, fez um discurso usando 18 sinônimos da palavra “Chicote”. Açoite, chibata, rebenque, látego, muxinga, relho, vergalho e vergasta, foram alguns deles. Era claramente um instrumento muito utilizado, inclusive aparecendo em danças.

Na Baviera e regiões alpinas, até no norte da Itália, é conhecida a “Goaßlschnalzen”, “Goaßlschnöllen” no Südtirol. Ela teria surgido como forma de comunicação: os cocheiros e carroceiros usavam os estalos dos rebenques para notificar sua chegada ou sinalizar uma área perigosa. Desse hábito surgiram canções e, por sua vez, movimentos associados a coreografias, por mais que seja uma prática próxima à percussão.

Na região de Salzburg, em Flachgau, e na Baviera, em Rupertiwinkel, acontece também uma tradição com relhos: o “Aperschnalzen”. É realizada uma competição em grupos, geralmente a cada três anos. Como esse evento ocorre próximo ao Carnaval, é conhecido como “Faschingschnalzen”.

Já na Pomerânia, segundo o “Tanz- und Folkloreensemble Ihna”, em muitas aldeias na época de Pentecostes, os animais eram enfeitados e postos a pastar, já que chegava o clima quente em maio. A ordem dos rebanhos era definida por uma corrida entre os pastores, havendo apostas. A primeira pessoa a colocar o gado no pasto era o herói do dia. Depois desse período, eles reuniam-se com os seus colegas das outras aldeias para uma briga de chicote, onde batiam e lutavam. Este costume está na “Peitschentanz”, que tem coreografia de Eike Haenel.

O que se vê, de modo geral, é que essas tradições vem do uso prático dos açoites no dia a dia, nos animais e também nas pessoas, e passavam a ser ressignificados como prática de arte popular. O mesmo aconteceu com as coreografias de varas, de espadas, de vassouras, entre outras. São maneiras das comunidades eternizarem seus usos e costumes através das danças, que também se manifestam através de palavras.

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28.10.2023 - Schirmerdörfler

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28.10.2023 - A “Schirmerdörfler” é irmã da “La Varsovienne”?

Como as influências de um local podem atravessar fronteiras e chegar a outras? Algumas conexões parecem improváveis, contudo podem ser reais. Seria esse o caso da “Schirmerdörfler”, que tem características do estilo “Varsovienne”? Para descobrir isso é necessário conhecer um pouco melhor a região de onde essa dança veio.

Segundo Walter Bucksch, “Schirmdorf, no distrito de Zwittau, era uma localidade em Schönhengstgau, a maior ilha de língua alemã nos Sudetos. Essa era uma região histórica da Boêmia e da Morávia e estava localizada a aproximadamente 150 km a leste de Praga e 180 km ao norte de Viena. [...] As cidades maiores incluíam Landskron, Zwittau e Mährisch-Trübau. Em 1945 e 1946 a maior parte da população alemã desta área foi expulsa”.

O nome da “Schirmerdörfler” viria dessa localidade. Por estar próxima de Praga e Viena, é provável que muitos ritmos da moda tenham chegado, direta ou indiretamente, à região de Schönhengstgau via esses polos culturais. Seria o caso de variantes da “Varsovienne”? Existem várias danças do “estilo de Varsóvia” em comunidades de língua alemã, como a “Warschauer”, “Göös op de Deel”, “Friederike”, “Massiner”, “Iseltaler Masolka”, entre outras.

Observando a “Schirmerdörfler”, se pode verificar várias características das “Varsoviennes”, como na métrica da música, na estrutura das figuras, partes da coreografia, entre outras, mesmo que não tenha a tradicional mazurca. Entretanto, não encontramos fontes que evidenciem um parentesco direto delas.

 

A “Schirmerdörfler” ganhou mais visibilidade com a popularização da “Sudentendeutsche Tanzfolge”, um Pout Pourri em que ela é a terceira da sequência. Sendo ou não da família de danças da “Varsovienne”, ela tem um rico valor cultural, se mantendo como memória viva das antigas comunidades alemãs dos Sudetos, hoje praticamente inexistentes, no território da República Tcheca.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/OG7IsG1wl3g . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

27.10.2023 - Räge-Schottisch

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27.10.2023 - A “Räge-Schottisch” é a dança da chuva suíça?

A Oberbaselbieter Ländlerkapelle, uma famosa banda de música típica da Suíça, comemorou seu 20º aniversário em 1991 e lançou, comemorativo à data, um LP - “Longplay” ou “Disco de Vinil”. É bom lembrar que os CDs ainda não eram comuns naquela época. Este disco, que se chamava “Früsch ab der Röhre”, continha uma música composta pelo baixista Dr. Erich Roost, fundador da banda: a “Räge-Schottisch”.

A composição mais famosa de Roost é um pouco mais antiga, chamada “Der Geissbock Stinkt” - “o Bode Fede”, do disco de 1982. Essa melodia foi inspirada em uma apresentação que ele realizou, onde teve que tocar por muito tempo sob uma cabeça de cabrito montanhês empalhada. O problema é que este troféu de caça, aparentemente, não estava bem “preparado” e fedia muito. Esse mau cheiro o distraiu a noite toda.

Mas retornando a "Räge-Schottisch", Annelies Aenis ouviu essa melodia e rapidamente montou uma coreografia para ela. Foi como se as figuras correspondentes a cada parte viessem à sua cabeça. Surgiu assim a dança do “Chote da Chuva”, que por muitos é considerada engraçada.

Alguns anos depois, um dedicado dançarino encontrou a letra para cantá-la. O texto fala, em sua primeira parte, sobre a chuva caindo em seus cabelos cacheados, deixando sua cabeça completamente molhada. Na segunda conta que o tempo piora ainda mais, trovejando e ventando na tempestade: ele fica todo ensopado. Na terceira parte ele recupera o juízo: com ou sem tempo bom, ele continua dançando alegremente.

A "Räge-Schottisch" é mais um exemplo da bem sucedida união das músicas populares contemporâneas e das coreografias formadas com base em passos típicos. Uma construção que é simbólica, mantendo tradições, independente do momento. Como diria o ditado, "faça chuva ou faça sol", o importante é dançar. Só se espera que os dançarinos molhados não fiquem doentes… e nem acabem fedendo como um bode.

Quer saber mais? https://www.culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/mC24Oi9WT0c . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .

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